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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg115443
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Paciente com 40 anos foi submetida a histerectomia devido a quadro de sangramento uterino anormal. A análise histopatológica evidenciou adenomiose.Nesse caso, é correto afirmar que:
  1. Aé necessário tratamento adjuvante;
  2. Ba doença está tratada;
  3. Cdeverá fazer hormonioterapia;
  4. Dé importante rastrear outras lesões;
  5. Eo colo deveria ter sido poupado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — a doença está tratada;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Adenomiose: tratamento definitivo pela histerectomia

Gabarito: letra B. A adenomiose é uma doença benigna caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometriais no interior da musculatura uterina (miométrio). Como o útero é o único local onde a doença se manifesta, a histerectomia total é o tratamento definitivo e curativo, não havendo necessidade de tratamento adjuvante, hormonioterapia ou rastreamento de outras lesões — a doença está tratada.

A adenomiose é uma das causas estruturais de sangramento uterino anormal (SUA), conforme a classificação PALM-COEIN da FIGO (Federation International of Gynecology and Obstetrics). Nessa classificação, as causas estruturais são: Pólipo, Adenomiose, Leiomioma e Malignidade/hiperplasia; as não estruturais são: Coagulopatia, Ovulatória, Endometrial, Iatrogênica e Não classificada. O diagnóstico é histológico, ou seja, confirmado pela análise anatomopatológica da peça cirúrgica — exatamente o que ocorreu no caso da paciente, que foi submetida à histerectomia e cujo exame evidenciou adenomiose.

O tratamento da adenomiose depende dos sintomas, da idade e do desejo reprodutivo da paciente. Em mulheres que desejam preservar a fertilidade ou que não têm indicação cirúrgica, podem ser utilizados tratamentos clínicos, como anti-inflamatórios não esteroidais, anticoncepcionais hormonais combinados, progestágenos, análogos do GnRH ou dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG). No entanto, quando a paciente já foi submetida à histerectomia — como no caso descrito —, a doença foi completamente removida, pois o útero é o órgão-alvo da adenomiose. Não há, portanto, necessidade de qualquer tratamento complementar.

A alternativa B é a única correta porque a histerectomia remove integralmente o tecido ectópico endometrial que estava no miométrio. As demais alternativas são incorretas por diferentes razões: a adenomiose é benigna, então não há indicação de tratamento adjuvante (como quimioterapia ou radioterapia, que são usados em neoplasias malignas); a hormonioterapia é uma opção de tratamento clínico para adenomiose, mas não é necessária após a remoção cirúrgica do útero; não há necessidade de rastrear outras lesões porque a adenomiose não é uma doença sistêmica nem precursora de malignidade; e o colo do útero não precisa ser poupado, pois a histerectomia total (que inclui a remoção do colo) é o procedimento padrão para o tratamento definitivo da adenomiose sintomática.

A pegadinha desta questão está em confundir o tratamento da adenomiose com o de outras doenças ginecológicas. A banca explora a associação automática entre "doença uterina" e "necessidade de tratamento complementar", quando, na verdade, a histerectomia é curativa. É fundamental lembrar que a adenomiose é uma doença benigna e localizada no útero, e que a remoção completa do órgão elimina a doença.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O tratamento adjuvante (quimioterapia, radioterapia) é indicado para neoplasias malignas, como o câncer de endométrio ou de colo uterino. A adenomiose é uma doença benigna, e a histerectomia já é o tratamento definitivo. Não há evidência de que a adenomiose aumente o risco de malignidade, portanto não há indicação de tratamento adjuvante.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A histerectomia remove completamente o útero, que é o único local onde a adenomiose se manifesta (glândulas e estroma endometriais no miométrio). Com a remoção do órgão, a doença está tratada e curada, sem necessidade de qualquer terapia complementar. O diagnóstico histológico de adenomiose na peça cirúrgica confirma que a doença foi integralmente ressecada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hormonioterapia (como anticoncepcionais orais, progestágenos ou análogos do GnRH) é uma opção de tratamento clínico para adenomiose em mulheres que desejam preservar o útero ou que não podem ser submetidas à cirurgia. Como a paciente já foi histerectomizada, a doença foi removida e não há necessidade de hormonioterapia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A adenomiose é uma doença benigna e localizada, sem potencial de disseminação para outros órgãos. Não há necessidade de rastrear outras lesões, ao contrário do que ocorre em neoplasias malignas, como o câncer de endométrio, que pode metastatizar. O rastreamento de outras lesões seria indicado se houvesse suspeita de malignidade, o que não é o caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A histerectomia total (remoção do útero juntamente com o colo) é o procedimento padrão para o tratamento definitivo da adenomiose sintomática. Não há indicação de preservar o colo uterino (histerectomia subtotal) nesses casos, pois a adenomiose pode acometer o colo e a preservação não traz benefício oncológico ou funcional relevante.

Gabarito: letra B

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