Adenomiose: tratamento definitivo pela histerectomia
Gabarito: letra B. A adenomiose é uma doença benigna caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometriais no interior da musculatura uterina (miométrio). Como o útero é o único local onde a doença se manifesta, a histerectomia total é o tratamento definitivo e curativo, não havendo necessidade de tratamento adjuvante, hormonioterapia ou rastreamento de outras lesões — a doença está tratada.
A adenomiose é uma das causas estruturais de sangramento uterino anormal (SUA), conforme a classificação PALM-COEIN da FIGO (Federation International of Gynecology and Obstetrics). Nessa classificação, as causas estruturais são: Pólipo, Adenomiose, Leiomioma e Malignidade/hiperplasia; as não estruturais são: Coagulopatia, Ovulatória, Endometrial, Iatrogênica e Não classificada. O diagnóstico é histológico, ou seja, confirmado pela análise anatomopatológica da peça cirúrgica — exatamente o que ocorreu no caso da paciente, que foi submetida à histerectomia e cujo exame evidenciou adenomiose.
O tratamento da adenomiose depende dos sintomas, da idade e do desejo reprodutivo da paciente. Em mulheres que desejam preservar a fertilidade ou que não têm indicação cirúrgica, podem ser utilizados tratamentos clínicos, como anti-inflamatórios não esteroidais, anticoncepcionais hormonais combinados, progestágenos, análogos do GnRH ou dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG). No entanto, quando a paciente já foi submetida à histerectomia — como no caso descrito —, a doença foi completamente removida, pois o útero é o órgão-alvo da adenomiose. Não há, portanto, necessidade de qualquer tratamento complementar.
A alternativa B é a única correta porque a histerectomia remove integralmente o tecido ectópico endometrial que estava no miométrio. As demais alternativas são incorretas por diferentes razões: a adenomiose é benigna, então não há indicação de tratamento adjuvante (como quimioterapia ou radioterapia, que são usados em neoplasias malignas); a hormonioterapia é uma opção de tratamento clínico para adenomiose, mas não é necessária após a remoção cirúrgica do útero; não há necessidade de rastrear outras lesões porque a adenomiose não é uma doença sistêmica nem precursora de malignidade; e o colo do útero não precisa ser poupado, pois a histerectomia total (que inclui a remoção do colo) é o procedimento padrão para o tratamento definitivo da adenomiose sintomática.
A pegadinha desta questão está em confundir o tratamento da adenomiose com o de outras doenças ginecológicas. A banca explora a associação automática entre "doença uterina" e "necessidade de tratamento complementar", quando, na verdade, a histerectomia é curativa. É fundamental lembrar que a adenomiose é uma doença benigna e localizada no útero, e que a remoção completa do órgão elimina a doença.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O tratamento adjuvante (quimioterapia, radioterapia) é indicado para neoplasias malignas, como o câncer de endométrio ou de colo uterino. A adenomiose é uma doença benigna, e a histerectomia já é o tratamento definitivo. Não há evidência de que a adenomiose aumente o risco de malignidade, portanto não há indicação de tratamento adjuvante.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A histerectomia remove completamente o útero, que é o único local onde a adenomiose se manifesta (glândulas e estroma endometriais no miométrio). Com a remoção do órgão, a doença está tratada e curada, sem necessidade de qualquer terapia complementar. O diagnóstico histológico de adenomiose na peça cirúrgica confirma que a doença foi integralmente ressecada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hormonioterapia (como anticoncepcionais orais, progestágenos ou análogos do GnRH) é uma opção de tratamento clínico para adenomiose em mulheres que desejam preservar o útero ou que não podem ser submetidas à cirurgia. Como a paciente já foi histerectomizada, a doença foi removida e não há necessidade de hormonioterapia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A adenomiose é uma doença benigna e localizada, sem potencial de disseminação para outros órgãos. Não há necessidade de rastrear outras lesões, ao contrário do que ocorre em neoplasias malignas, como o câncer de endométrio, que pode metastatizar. O rastreamento de outras lesões seria indicado se houvesse suspeita de malignidade, o que não é o caso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A histerectomia total (remoção do útero juntamente com o colo) é o procedimento padrão para o tratamento definitivo da adenomiose sintomática. Não há indicação de preservar o colo uterino (histerectomia subtotal) nesses casos, pois a adenomiose pode acometer o colo e a preservação não traz benefício oncológico ou funcional relevante.
Gabarito: letra B