Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg115445
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Paciente é atendida com queixa de corrimento vaginal que começou há dois meses. Refere estar associado a queimação local que piora no período pós-menstrual. Ao exame especular, é encontrada secreção vaginal amarelada em grande quantidade e hiperemia da mucosa vaginal, além de colo “com aspecto de morango”.Nesse caso, é correto afirmar que:
Apode ser tratada com fluconazol;
Bé uma infecção por protozoário;
Cé causada por anticoncepcional oral;
Ddeverá ser feita a biópsia do colo;
Etem resolução espontânea.
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GabaritoB — é uma infecção por protozoário;
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Tricomoníase: diagnóstico clínico e tratamento
Gabarito: letra B. O quadro descrito — corrimento vaginal amarelado abundante, queimação que piora no período pós-menstrual e colo com "aspecto de morango" — é a apresentação clássica da tricomoníase, uma infecção causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o tratamento de escolha é o metronidazol ou tinidazol, não o fluconazol (que é antifúngico).
A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo protozoário flagelado Trichomonas vaginalis. É uma das causas mais comuns de corrimento vaginal patológico, junto com a vaginose bacteriana e a candidíase. O protozoário infecta o epitélio estratificado da vagina e da uretra, causando uma resposta inflamatória intensa.
O quadro clínico típico inclui corrimento vaginal amarelado ou esverdeado, frequentemente bolhoso e com odor fétido, acompanhado de prurido, ardor e disúria. A queimação que piora no período pós-menstrual é uma característica importante, pois o pH vaginal se torna mais alcalino durante a menstruação, favorecendo a proliferação do protozoário. Ao exame especular, além do corrimento, observa-se hiperemia da mucosa vaginal e o sinal patognomônico do "colo em morango" (colpite puntiforme), que resulta de petéquias puntiformes no colo uterino.
O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado pela visualização do protozoário móvel na bacterioscopia a fresco (exame a fresco com soro fisiológico) ou por testes moleculares. O tratamento é feito com metronidazol ou tinidazol, por via oral, em dose única ou esquema de 7 dias, e deve incluir o tratamento do parceiro sexual para evitar reinfecção.
A principal distinção que a banca explora é entre as três causas mais comuns de corrimento vaginal: a tricomoníase (protozoário), a candidíase (fungo) e a vaginose bacteriana (bactérias anaeróbicas). Cada uma tem características clínicas e tratamento específicos, e a confusão entre elas é a armadilha central desta questão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a tricomoníase pela candidíase, explorando a associação automática entre corrimento e "infecção fúngica". A candidíase, no entanto, apresenta corrimento branco, grumoso ("leite coalhado"), com prurido intenso e sem odor, e o tratamento é com antifúngicos (fluconazol). A tricomoníase, por sua vez, tem corrimento amarelado, bolhoso, com odor fétido e o sinal do "colo em morango", e o tratamento é com antiprotozoários (metronidazol).
Corrimento vaginal: Tricomoníase (protozoário) (Corrimento amarelado/bolhoso, Odor fétido, Colo em morango, Tratamento: metronidazol); Candidíase (fungo) (Corrimento branco grumoso, Prurido intenso, Sem odor, Tratamento: fluconazol); Vaginose bacteriana (Corrimento acinzentado, Odor de peixe, Teste de aminas positivo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O fluconazol é um antifúngico, utilizado no tratamento da candidíase vulvovaginal. Na tricomoníase, o tratamento de escolha é o metronidazol ou tinidazol, que são antiprotozoários. A alternativa erra ao indicar a classe terapêutica incorreta para o agente etiológico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A tricomoníase é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. O quadro clínico descrito — corrimento amarelado, queimação pós-menstrual e colo em "aspecto de morango" — é a apresentação clássica dessa infecção, que é uma IST. A alternativa está correta ao afirmar que se trata de uma infecção por protozoário.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O anticoncepcional oral não causa tricomoníase. Embora o uso de anticoncepcionais possa alterar o pH vaginal e a flora, favorecendo algumas infecções, a tricomoníase é uma IST causada por um protozoário, transmitida por relação sexual. A alternativa confunde um fator de risco com a causa da doença.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A biópsia do colo não é indicada no diagnóstico de tricomoníase. O diagnóstico é clínico, baseado no exame especular e na bacterioscopia a fresco. A biópsia é reservada para lesões suspeitas de neoplasia ou outras patologias cervicais, não para corrimento vaginal infeccioso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A tricomoníase não tem resolução espontânea. É uma infecção que, se não tratada, pode persistir por meses ou anos, causando sintomas recorrentes e aumentando o risco de complicações, como doença inflamatória pélvica e transmissão do HIV. O tratamento com antiprotozoários é obrigatório, assim como o tratamento do parceiro.