Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg115446
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Paciente com 27 anos, portadora do vírus HIV e usuária de DIU, inicia quadro de dor pélvica intensa, calafrios, corrimento amarelado e náuseas. Ao exame clínico, o abdômen está doloroso à palpação profunda em hipogástrio, com descompressão dolorosa. Ao toque, há dor na compressão da região inguinal direita e na mobilização do colo. O hemograma evidenciou leucocitose, a cultura de urina foi negativa e o betaHCG foi negativo. A ultrassonografia evidenciou uma massa mista em região anexial direita medindo 5 cm.Nessa situação, o mais indicado a fazer é:
Ainternação e iniciar antibiótico venoso;
Binternação e iniciar antibiótico oral;
Ctratamento ambulatorial com antibiótico;
Dtratamento ambulatorial com sintomáticos;
Ehisterectomia total.
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GabaritoA — internação e iniciar antibiótico venoso;
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Doença Inflamatória Pélvica (DIP): critérios de internação e conduta
Gabarito: letra A. A paciente apresenta critérios clínicos e laboratoriais de DIP com sinais de gravidade — dor pélvica intensa, febre/calafrios, descompressão dolorosa, massa anexial de 5 cm (provável abscesso tubo-ovariano) e leucocitose —, o que impõe internação hospitalar e antibioticoterapia venosa, conforme os critérios do Ministério da Saúde para tratamento hospitalar de DIP. A presença de massa pélvica e a gravidade do quadro afastam o tratamento ambulatorial.
A doença inflamatória pélvica (DIP) é a infecção e inflamação do trato genital superior feminino (endométrio, tubas, ovários e peritônio pélvico), geralmente ascendente a partir do colo uterino, causada principalmente por Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na tríade clássica: dor em hipogástrio, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino. O Ministério da Saúde estabelece que o diagnóstico clínico de DIP requer três critérios maiores MAIS um critério menor, OU um critério elaborado. No caso, a paciente preenche os três critérios maiores (dor no hipogástrio, dor à palpação dos anexos e dor à mobilização do colo) e pelo menos dois critérios menores (massa pélvica e leucocitose), além de febre/calafrios.
A decisão entre tratamento ambulatorial e hospitalar é o ponto central da questão. O tratamento ambulatorial aplica-se a mulheres com quadro clínico leve e exame abdominal e ginecológico sem sinais de pelviperitonite. Já o tratamento hospitalar é indicado quando há critérios de gravidade, como: quadro clínico grave (febre alta, náuseas e vômitos), sinais de peritonite (descompressão dolorosa), massa pélvica (suspeita de abscesso tubo-ovariano), imunossupressão (como HIV), impossibilidade de seguimento ambulatorial ou falha do tratamento oral. A paciente do caso reúne vários desses critérios: dor intensa, calafrios (febre), descompressão dolorosa (peritonismo), massa anexial de 5 cm (provável abscesso) e HIV (imunossupressão).
A presença de massa anexial é um alerta importante: o Ministério da Saúde e a literatura apontam que a presença de massa pélvica é um critério menor, mas a suspeita de abscesso tubo-ovariano é um critério elaborado e uma das principais indicações de internação. A ultrassonografia evidenciando massa mista em região anexial direita de 5 cm reforça essa suspeita. Além disso, a paciente é portadora de HIV, condição que a torna imunossuprimida e, portanto, com maior risco de complicações e necessidade de tratamento venoso hospitalar.
A conduta correta, portanto, é a internação hospitalar com antibioticoterapia venosa (letra A). As demais alternativas são incorretas: antibiótico oral (B) é insuficiente para quadro grave; tratamento ambulatorial (C e D) é contraindicado diante dos sinais de gravidade; e histerectomia total (E) é uma cirurgia mutiladora, reservada para casos de falha terapêutica ou complicações específicas, não sendo a primeira conduta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre HIV e tratamento ambulatorial, como se a imunossupressão fosse um detalhe. Na verdade, o HIV é um fator de risco para gravidade e uma das indicações formais de internação na DIP. O candidato que não conhece os critérios de internação pode cair na alternativa C (tratamento ambulatorial), mas a presença de massa anexial, peritonismo e imunossupressão torna a internação obrigatória.
DIP: tratamento
1Ambulatorial
Quadro leve
Sem sinais de pelviperitonite
2Hospitalar (venoso)
Quadro grave (febre, náuseas)
Peritonismo (descompressão dolorosa)
Massa pélvica (abscesso tubo-ovariano)
Imunossupressão (HIV)
Falha do tratamento oral
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A internação hospitalar com antibiótico venoso é a conduta indicada. A paciente preenche critérios de gravidade: dor pélvica intensa, calafrios (febre), descompressão dolorosa (peritonismo), massa anexial de 5 cm (provável abscesso tubo-ovariano), leucocitose e HIV (imunossupressão). O Ministério da Saúde indica tratamento hospitalar para DIP quando há esses sinais, e a via venosa garante níveis terapêuticos adequados em quadros graves.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A internação com antibiótico oral é inadequada. Em quadros graves de DIP, com peritonismo e massa pélvica, a via oral não garante concentração tecidual suficiente e há risco de falha terapêutica. A via venosa é obrigatória na internação por DIP grave.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Tratamento ambulatorial com antibiótico é contraindicado. O quadro apresenta sinais de pelviperitonite (descompressão dolorosa), massa anexial e imunossupressão (HIV), critérios que afastam o manejo ambulatorial, reservado apenas para casos leves, sem sinais de gravidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Tratamento ambulatorial apenas com sintomáticos é totalmente inadequado. A DIP é uma infecção bacteriana que exige antibioticoterapia; analgésicos/antitérmicos isolados não tratam a causa e permitem a progressão para complicações como abscesso, peritonite e sepse.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Histerectomia total não é a conduta inicial. A cirurgia é reservada para casos de falha terapêutica, abscesso roto ou complicações específicas, sempre após tentativa de tratamento clínico. Realizar histerectomia como primeira conduta seria mutiladora e sem indicação.
Gabarito: letra A — internação e antibiótico venoso, pelos critérios de gravidade da DIP.