Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg115447
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Paciente com 61 anos, Gesta II para II (duas cesarianas) e menopausa aos 50 anos. Fez reposição hormonal até os 52 anos com estrogênio e progesterona associados. Tem feito acompanhamento ginecológico de rotina e exames anualmente, acompanhando por ultrassonografia um mioma estável de 3 cm. Este ano realizou ultrassonografia que evidenciou nódulo hipoecoico em região fúndica do útero, medindo 8 cm.A orientação para essa paciente é:
Amanter seguimento anual de rotina;
Brealizar embolização das artérias uterinas;
Cfazer análogo de GnRH;
Diniciar hormonioterapia imediatamente;
Erealizar cirurgia e avaliar tratamento adjuvante.
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GabaritoE — realizar cirurgia e avaliar tratamento adjuvante.
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Mioma uterino: crescimento rápido e suspeita de malignidade
Gabarito: letra E. O crescimento rápido de um nódulo miometrial (de 3 cm para 8 cm em um ano) em paciente na pós-menopausa, mesmo com mioma prévio estável, é um sinal de alerta para sarcoma uterino (especialmente leiomiossarcoma), e a conduta é cirurgia (histerectomia) com avaliação anatomopatológica e planejamento de tratamento adjuvante conforme o resultado. As demais opções (seguimento, embolização, análogo de GnRH, hormonioterapia) são inadequadas diante da suspeita de malignidade.
O mioma (leiomioma) é o tumor benigno mais comum do útero, mas o crescimento rápido — sobretudo na pós-menopausa, quando o estímulo estrogênico cessa e o mioma tende a regredir ou estabilizar — é um dos principais critérios de suspeita de sarcoma uterino, tumor maligno raro, porém agressivo. A paciente em questão tem 61 anos, está na pós-menopausa há 11 anos e apresentou aumento de 5 cm no diâmetro do nódulo em um ano, o que configura crescimento rápido e justifica investigação cirúrgica imediata.
A histerectomia (cirurgia de retirada do útero) é o tratamento padrão para o sarcoma uterino, e a avaliação do espécime cirúrgico (anatomopatológico) é essencial para confirmar o diagnóstico e definir a necessidade de tratamento adjuvante (quimioterapia, radioterapia), conforme o tipo histológico, grau e estágio. A conduta expectante (seguimento anual) seria aceitável apenas para miomas assintomáticos e estáveis, o que não é o caso.
A embolização das artérias uterinas e o análogo de GnRH são opções para miomas sintomáticos benignos, mas não têm papel no manejo de suspeita de sarcoma — o análogo de GnRH, inclusive, pode atrasar o diagnóstico definitivo. A hormonioterapia é contraindicada na suspeita de malignidade e não trata mioma. Portanto, a única conduta correta é a cirurgia com avaliação anatomopatológica e planejamento adjuvante.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "mioma" e "conduta conservadora". O candidato que lê "mioma estável" e "nódulo de 8 cm" sem atentar para o crescimento rápido na pós-menopausa cai na alternativa A (seguimento). O termo decisivo é "crescimento rápido" — ele transforma o caso em suspeita de sarcoma, não em mioma benigno.
Nódulo miometrial em pós-menopausa
1Crescimento rápido (3 cm → 8 cm em 1 ano)
Suspeita de sarcoma uterino
Conduta expectante (seguimento)
Embolização de artérias uterinas
Análogo de GnRH
Hormonioterapia
Cirurgia (histerectomia)
Avaliação anatomopatológica
Planejar tratamento adjuvante
2Estável/assintomático
Seguimento anual de rotina
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Manter seguimento anual de rotina seria adequado para mioma assintomático e estável, mas o crescimento rápido (3 cm → 8 cm em 1 ano) na pós-menopausa é sinal de alerta para malignidade. A conduta expectante atrasaria o diagnóstico de um possível sarcoma uterino.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A embolização das artérias uterinas é opção para miomas benignos sintomáticos, mas não é indicada quando há suspeita de sarcoma. Além de não tratar malignidade, o procedimento pode comprometer a avaliação anatomopatológica e atrasar o tratamento oncológico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O análogo de GnRH induz hipoestrogenismo e pode reduzir temporariamente o volume do mioma, mas não é tratamento para sarcoma e não deve ser usado quando há suspeita de malignidade — pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico definitivo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hormonioterapia (estrogênio/progesterona) é contraindicada na suspeita de malignidade e não tem efeito sobre mioma. A paciente já fez reposição hormonal no passado, mas isso não justifica reiniciá-la diante do quadro atual.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O crescimento rápido do nódulo em pós-menopausa é indicação de cirurgia (histerectomia) para diagnóstico e tratamento. A avaliação do espécime (anatomopatológico) é essencial para confirmar ou excluir sarcoma, e o tratamento adjuvante (quimio/radioterapia) é planejado conforme o resultado. Esta é a conduta que aborda tanto a suspeita de malignidade quanto o tratamento definitivo.