Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg115452
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Paciente do sexo feminino, 33 anos, sem queixas, realiza ultrassonografia de rotina que evidencia útero em retroversão de dimensões esperadas para a sua idade de paridade. É encontrado nódulo hipoecoico e regular com descrição “FIGO 4” em parede corporal lateral direita e um outro nódulo mal definido em parede anterior. O médico assistente solicita nova ultrassonografia que é realizada uma semana depois da anterior. Nesse exame, é descrito o mesmo nódulo na parede direita, porém em parede anterior não é descrito o outro.Esses achados são compatíveis com:
Amioma submucoso e contração focal;
Bmioma submucoso e adenomiose;
Cmioma intramural e contração focal;
Dmioma intramural e adenomiose;
Emioma subseroso e angiomiolipoma.
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GabaritoC — mioma intramural e contração focal;
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Miomas uterinos e contrações focais: interpretação ultrassonográfica
Gabarito: letra C. O nódulo hipoecoico regular descrito como "FIGO 4" corresponde a um mioma intramural (classificação FIGO), e o nódulo mal definido que desaparece no exame de controle é uma contração focal do miométrio — fenômeno transitório e fisiológico que pode simular mioma à ultrassonografia. A distinção entre lesão real e artefato fisiológico é o ponto central da questão.
A ultrassonografia pélvica é o método de imagem inicial na avaliação de massas uterinas, e a classificação FIGO (Fédération Internationale de Gynécologie et d'Obstétrique) é o sistema padronizado para descrever a localização dos miomas em relação à parede uterina. O sistema FIGO divide os miomas em submucosos (tipo 0, 1, 2), intramurais (tipo 3, 4, 5) e subserosos (tipo 6, 7), além de outras categorias. O tipo 4, especificamente, é um mioma intramural que está localizado predominantemente dentro da parede miometrial, sem extensão para a cavidade endometrial ou para a serosa. Essa classificação é essencial porque a localização do mioma determina a sintomatologia (os submucosos causam mais sangramento) e a abordagem terapêutica (cirúrgica ou conservadora).
O achado de um nódulo que desaparece em exame de controle é a chave diagnóstica. O miométrio é um músculo liso que se contrai fisiologicamente, e essas contrações focais podem criar imagens hipoecoicas transitórias que mimetizam miomas. A contração focal é um fenômeno dinâmico: ela aparece em um exame e some no seguinte, exatamente como descrito no caso. Essa é a explicação para o nódulo da parede anterior ter sumido na segunda ultrassonografia. O mioma, por ser uma lesão sólida e permanente, não desaparece — ele permanece visível em exames seriados, como ocorreu com o nódulo da parede lateral direita.
Na prática, quando um nódulo miometrial é identificado, a conduta é repetir o exame em um intervalo curto (dias a semanas) para confirmar se a lesão é real ou um artefato fisiológico. Essa repetição é especialmente útil quando o nódulo tem características atípicas (mal definido, sem os contornos regulares típicos do mioma). A contração focal é mais comum em mulheres jovens e pode ser desencadeada pelo próprio exame (pressão do transdutor) ou por movimentos uterinos espontâneos. O reconhecimento desse fenômeno evita procedimentos desnecessários, como biópsias ou cirurgias, em lesões que não existem.
A distinção entre mioma e contração focal é um dos desafios da ultrassonografia ginecológica. O mioma típico é um nódulo hipoecoico, bem definido, com contornos regulares e, frequentemente, com halo periférico (pseudocápsula). A contração focal, por outro lado, tende a ser menos definida, pode ter formato ovalado alongado e, crucialmente, é transitória. A adenomiose, que aparece como alternativa, é uma condição em que o tecido endometrial invade o miométrio, causando espessamento miometrial difuso ou focal, com ecotextura heterogênea e pequenos cistos — não se apresenta como um nódulo regular que desaparece. O angiomiolipoma é um tumor benigno composto por vasos, músculo liso e gordura, mais comum no rim, e não é uma lesão uterina típica.
A pegadinha da banca está em associar o nódulo que desaparece a uma lesão real (adenomiose) ou a um mioma submucoso, que tem localização diferente. O candidato que não conhece o fenômeno da contração focal tende a interpretar o sumiço do nódulo como erro de exame ou como uma lesão que "regrediu", mas a explicação correta é a natureza fisiológica e transitória da contração. Guarde o par: nódulo permanente + localização intramural (FIGO 4) = mioma intramural; nódulo transitório = contração focal.
Nódulo miometrial à USG
1Permanente (não some)
Mioma (lesão sólida)
FIGO 0-2: submucoso
FIGO 3-5: intramural
FIGO 6-7: subseroso
2Transitório (some no controle)
Contração focal fisiológica
Hipoecoica, mal definida
Desaparece em dias/semanas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao classificar o nódulo FIGO 4 como submucoso. O mioma submucoso (tipos 0, 1 e 2 da classificação FIGO) está localizado abaixo do endométrio, deformando a cavidade endometrial. O tipo 4 é intramural, localizado na espessura da parede miometrial, sem contato com a cavidade ou com a serosa. Além disso, a segunda parte da alternativa (contração focal) está correta, mas a primeira parte invalida a opção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao classificar o nódulo FIGO 4 como submucoso (mesmo erro da alternativa A) e ao atribuir o nódulo transitório à adenomiose. A adenomiose é uma condição difusa ou focal do miométrio, caracterizada por ecotextura heterogênea, espessamento miometrial e pequenos cistos, mas não se apresenta como um nódulo regular que desaparece em exame de controle. A contração focal é a explicação correta para o sumiço do nódulo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao classificar o nódulo FIGO 4 como mioma intramural e o nódulo transitório como contração focal. O mioma intramural (tipo 4) é uma lesão sólida, hipoecoica, regular, localizada na parede miometrial, que permanece visível em exames seriados. A contração focal é um fenômeno fisiológico transitório do miométrio que pode simular mioma, mas desaparece em exames de controle. A combinação desses dois achados explica perfeitamente o caso descrito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa acerta ao classificar o nódulo FIGO 4 como intramural, mas erra ao atribuir o nódulo transitório à adenomiose. A adenomiose não se apresenta como um nódulo que desaparece; ela é uma condição difusa ou focal do miométrio com características ultrassonográficas próprias (ecotextura heterogênea, pequenos cistos, espessamento miometrial). O nódulo que some é uma contração focal, não adenomiose.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao classificar o nódulo FIGO 4 como subseroso (tipos 6 e 7 da classificação FIGO, localizados na superfície externa do útero) e ao atribuir o nódulo transitório a um angiomiolipoma. O angiomiolipoma é um tumor benigno composto por vasos, músculo liso e gordura, mais comum no rim, e não é uma lesão uterina típica. Além disso, o nódulo que desaparece é uma contração focal, não um tumor.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a localização dos miomas (submucoso × intramural × subseroso) e a natureza do nódulo transitório. O candidato que não conhece a classificação FIGO ou o fenômeno da contração focal tende a escolher uma alternativa com adenomiose ou com localização incorreta. Lembre-se: o nódulo que some é sempre suspeito de contração focal, e o FIGO 4 é intramural.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de ultrassonografia ginecológica, decore a classificação FIGO dos miomas: submucoso (0-2), intramural (3-5) e subseroso (6-7). E lembre-se: lesão que desaparece em exame de controle = contração focal, não mioma. Essa distinção é clássica em provas de ginecologia.