Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg115453
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Uma adolescente de 13 anos é encaminhada para a emergência devido a dor intensa em hipogástrio com início há um dia juntamente com a sua menstruação. Relata menarca aos 12 anos e os seus ciclos são irregulares e associados a dor intensa quando menstruada. O exame genital é bastante limitado devido a dor intensa local, porém, com dificuldade, é visualizado hímen íntegro e saída de sangue. Realiza ultrassonografia pélvica onde é encontrado útero em anteversão desviado para a direita por massa com aspecto ecográfico semelhante ao miométrio e com conteúdo hipoecoico e heterogêneo, compatível com sangue.Dentre as hipóteses diagnósticas abaixo, a que mais se enquadra a esses achados é:
Aútero didelfo com septo vaginal transverso;
Bútero arqueado associado à adenomiose;
Cútero bicorno com hímen imperfurado;
Dútero septado parcial com cisto ovariano hemorrágico;
Eútero unicorno com mioma degenerado.
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GabaritoA — útero didelfo com septo vaginal transverso;
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Malformações müllerianas e dor pélvica na adolescência
Gabarito: letra A. O quadro — adolescente com menarca recente, ciclos irregulares, dor pélvica intensa associada à menstruação, hímen íntegro com sangramento visível e massa pélvica desviando o útero, com ecogenicidade semelhante ao miométrio e conteúdo hemático — é a apresentação clássica de obstrução do trato genital por malformação mülleriana, mais especificamente útero didelfo com septo vaginal transverso. A chave do diagnóstico está na combinação de dor cíclica (dismenorreia) com massa pélvica em adolescente com menarca recente, o que aponta para acúmulo de sangue menstrual retido (hematocolpo/hematometra) por obstrução vaginal.
A dor pélvica cíclica em adolescentes é um desafio diagnóstico. Quando associada à menstruação e a uma massa pélvica, a primeira hipótese a considerar é a de obstrução do fluxo menstrual. As malformações müllerianas (ou dos ductos de Müller) são anomalias congênitas do trato genital feminino que podem causar obstrução parcial ou completa. O útero didelfo é uma malformação em que há duplicação completa do útero, com dois cornos uterinos separados, cada um com seu colo. Quando associado a um septo vaginal transverso (uma membrana que obstrui a vagina), o sangue menstrual de um dos lados não consegue fluir, acumulando-se e formando uma massa (hematocolpo ou hematometra). Essa massa, ao crescer, desvia o útero para o lado contralateral, como descrito no exame de imagem.
O ultrassom é o exame de imagem inicial. A massa com aspecto ecográfico semelhante ao miométrio e conteúdo hipoecoico heterogêneo (sangue) é típica de hematocolpo/hematometra. O desvio do útero para a direita indica que a massa está à esquerda, empurrando o útero. A integridade do hímen com saída de sangue visível é um dado crucial: descarta hímen imperfurado (que seria uma obstrução completa na entrada da vagina) e aponta para uma obstrução mais alta, como o septo vaginal transverso.
A distinção entre as malformações é essencial. O útero arqueado é uma variação anatômica benigna, sem obstrução. O útero bicorno tem dois cornos, mas com uma única cavidade vaginal, sem obstrução. O útero septado tem um septo fibroso dividindo a cavidade, mas sem obstrução. O útero unicorno é um hemiútero, sem obstrução. A presença de obstrução (septo vaginal transverso) é o que diferencia o útero didelfo das demais. A adenomiose, o cisto ovariano hemorrágico e o mioma degenerado são condições adquiridas, não congênitas, e não explicam a dor cíclica desde a menarca.
A banca explora a confusão entre as malformações müllerianas e outras causas de dor pélvica. O candidato pode ser tentado a escolher uma alternativa que mencione apenas uma malformação uterina, sem considerar a obstrução. A presença de massa pélvica com conteúdo hemático e desvio do útero é o achado que aponta para a obstrução, e a combinação com hímen íntegro e sangramento visível direciona para o septo vaginal transverso. A alternativa correta é a única que associa uma malformação mülleriana com obstrução (septo vaginal transverso) e explica todos os achados.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a malformação com obstrução (útero didelfo + septo vaginal transverso) por malformações sem obstrução (útero arqueado, bicorno, septado, unicorno). A presença de massa pélvica com conteúdo hemático e desvio do útero é o sinal de obstrução — o candidato que não associa esses achados à obstrução tende a escolher uma alternativa com apenas uma malformação uterina, sem considerar o septo vaginal.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O útero didelfo é uma malformação mülleriana com duplicação completa do útero. Quando associado a um septo vaginal transverso, há obstrução do fluxo menstrual de um dos lados, levando ao acúmulo de sangue (hematocolpo/hematometra). A massa resultante desvia o útero, como descrito no exame de imagem. A dor cíclica intensa desde a menarca, o hímen íntegro com sangramento visível e a massa pélvica com conteúdo hemático são todos explicados por essa combinação. É a hipótese que melhor se enquadra aos achados.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O útero arqueado é uma variação anatômica benigna, sem obstrução do fluxo menstrual. A adenomiose é uma condição adquirida, caracterizada pela presença de tecido endometrial no miométrio, e é rara em adolescentes. Não explica a massa pélvica com conteúdo hemático nem o desvio do útero. A dor cíclica desde a menarca e a massa pélvica são mais sugestivas de obstrução do que de adenomiose.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O útero bicorno é uma malformação com dois cornos uterinos, mas com uma única cavidade vaginal, sem obstrução. O hímen imperfurado é uma obstrução completa na entrada da vagina, que impediria a saída de sangue — mas o enunciado afirma que há saída de sangue. Portanto, essa combinação não explica os achados: a massa pélvica não seria formada por acúmulo de sangue menstrual, pois não há obstrução.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O útero septado parcial é uma malformação com um septo fibroso dividindo a cavidade uterina, mas sem obstrução do fluxo menstrual. O cisto ovariano hemorrágico pode causar dor pélvica, mas não explica a dor cíclica associada à menstruação desde a menarca, nem o desvio do útero por uma massa com conteúdo hemático. A combinação de malformação uterina sem obstrução e cisto ovariano não se enquadra aos achados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O útero unicorno é um hemiútero, sem obstrução do fluxo menstrual. O mioma degenerado é uma condição adquirida, rara em adolescentes, e não explica a dor cíclica desde a menarca. A massa pélvica com conteúdo hemático e o desvio do útero são mais sugestivos de hematocolpo/hematometra por obstrução do que de mioma degenerado.
A regra de ouro para questões de dor pélvica na adolescência: dor cíclica + massa pélvica + menarca recente = obstrução do fluxo menstrual por malformação mülleriana. A presença de hímen íntegro com sangramento visível afasta obstrução na entrada da vagina e aponta para obstrução mais alta, como o septo vaginal transverso. O ultrassom com massa de conteúdo hemático e desvio do útero confirma o diagnóstico.