Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg115458
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Ginecologia
Um aluno de medicina realiza exame ginecológico em uma paciente de 46 anos com histórico de duas gestações prévias sem intercorrências. O seu professor pergunta se ele deveria realizar o toque retal nessa paciente.Sobre esse tipo de exame, é correto afirmar que:
Aé essencial realizar em todas as pacientes ginecológicas;
Bajuda na avaliação e no diagnóstico da endometriose;
Cdeve ser evitado em pacientes virgens;
Dpode utilizar a mesma luva que foi usada no toque vaginal;
Edeve ser evitado em pacientes com tumores retais.
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GabaritoB — ajuda na avaliação e no diagnóstico da endometriose;
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Toque retal no exame ginecológico: indicações e técnica
Gabarito: letra B. O toque retal na paciente ginecológica é um complemento do exame pélvico, indicado em situações específicas — e uma de suas principais utilidades é auxiliar na avaliação e no diagnóstico da endometriose, especialmente quando há suspeita de comprometimento do septo retovaginal ou dos ligamentos uterossacros. As demais alternativas trazem afirmações incorretas sobre indicação universal, contraindicação em virgens, uso da mesma luva e evitação em tumores retais.
O toque retal é um procedimento do exame físico que permite palpar estruturas da pelve que não são acessíveis pelo toque vaginal isolado. Na mulher, o dedo introduzido no reto consegue alcançar o colo do útero, o corpo uterino, os ovários, os anexos e, principalmente, o fundo de saco de Douglas (reflexão peritoneal) — região de predileção para implantes de endometriose profunda. Por isso, na suspeita clínica de endometriose, o toque retal é ferramenta valiosa: ele avalia nódulos no septo retovaginal, espessamento dos ligamentos uterossacros e dor à palpação dessas estruturas, achados que corroboram o diagnóstico.
A indicação do toque retal não é universal. Ele deve ser realizado quando o toque vaginal é insatisfatório (por exemplo, em pacientes virgens, nas quais o exame vaginal pode ser contraindicado ou limitado), quando há suspeita de doença retrocervical ou do septo retovaginal, ou para complementar a avaliação de massas pélvicas. Em pacientes virgens, o toque retal pode ser uma alternativa ao vaginal para avaliar o útero e os anexos — não é proibido, muito menos "evitado" por princípio; a decisão considera o conforto e a necessidade clínica.
A técnica exige cuidados de biossegurança: nunca se utiliza a mesma luva do toque vaginal para o toque retal, pois isso contaminaria o canal vaginal com bactérias do trato intestinal, podendo causar infecções. A troca de luva é obrigatória. Quanto aos tumores retais, o toque retal é justamente um dos métodos para detectá-los — tumores de reto baixo e canal anal podem ser palpados pelo exame. A presença de tumor retal não contraindica o toque; ao contrário, o exame faz parte da propedêutica. Em processos agudos e muito dolorosos (fissuras, abscessos, trombose hemorroidária), o exame completo pode ser limitado, mas isso é diferente de contraindicação por tumor.
A banca explora aqui um erro clássico: o candidato associa o toque retal apenas ao exame da próstata (no homem) ou a um procedimento "desagradável" e restrito, esquecendo seu papel na ginecologia. A pegadinha está em marcar a alternativa A ("essencial em todas") — o toque retal é complementar, não rotina obrigatória de todo exame ginecológico. A alternativa B é a única que descreve corretamente uma indicação real e específica do procedimento na prática ginecológica.
Toque retal na ginecologia: Indicações (Suspeita de endometriose profunda, Toque vaginal insatisfatório, Avaliação de massas pélvicas, Pacientes virgens (via alternativa)); O que avalia (Fundo de saco de Douglas, Septo retovaginal, Ligamentos uterossacros); Técnica (Troca de luva obrigatória, Detecta tumores de reto baixo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o toque retal é "essencial" em todas as pacientes ginecológicas. Isso é falso: o exame ginecológico de rotina é composto por inspeção, exame especular e toque vaginal bimanual. O toque retal é complementar, indicado em situações específicas — toque vaginal insatisfatório, suspeita de endometriose profunda, avaliação de massas pélvicas ou do septo retovaginal. A palavra "essencial" e "todas" torna a afirmação generalizante e incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O toque retal ajuda na avaliação e no diagnóstico da endometriose. Isso porque permite palpar o fundo de saco de Douglas, o septo retovaginal e os ligamentos uterossacros — locais frequentes de implantes endometrióticos profundos. Na paciente com suspeita clínica (dor pélvica, dismenorreia, dispareunia profunda), o achado de nódulos ou espessamento nessas regiões ao toque retal é um dado importante que reforça o diagnóstico. É uma indicação consagrada na propedêutica ginecológica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o toque retal "deve ser evitado em pacientes virgens". Na verdade, em pacientes virgens, o toque retal pode ser especialmente útil justamente quando o exame vaginal não é possível ou é limitado — ele permite avaliar útero e anexos sem romper o hímen. Não há contraindicação; a decisão é clínica, considerando necessidade e conforto. A alternativa inverte o raciocínio: em vez de evitar, o toque retal pode ser a via de escolha nesse grupo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que "pode utilizar a mesma luva que foi usada no toque vaginal". Isso é um erro grave de biossegurança. A luva usada no toque vaginal está contaminada com a flora vaginal; utilizá-la no reto levaria bactérias intestinais para a vagina, com risco de infecção. A troca de luva entre os dois toques é obrigatória. A alternativa contraria o princípio básico de prevenção de contaminação cruzada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que o toque retal "deve ser evitado em pacientes com tumores retais". Na verdade, o toque retal é um dos principais métodos para detectar tumores de reto baixo e canal anal — eles são palpáveis ao exame. A presença de tumor não contraindica o toque; ao contrário, o exame é parte da investigação. O que pode ocorrer é limitação do exame completo em processos agudos e dolorosos (fissura, abscesso), mas isso não se aplica genericamente a tumores.
Gabarito: letra B — o toque retal auxilia na avaliação e no diagnóstico da endometriose, sendo as demais afirmações incorretas por generalização, inversão de indicação, erro de biossegurança ou contraindicação inexistente.