Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025
- Código
- fg115540
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Oftalmologia
- Aconjuntivite;
- Besclerite;
- Cblefarite;
- Dceratite;
- Euveíte.
GabaritoB — esclerite;
Gabarito: letra B. O quadro descrito — hiperemia nodular, de coloração violácea, intensamente dolorosa à compressão, fixa, em paciente com artrite reumatoide descompensada — é a apresentação clássica da esclerite, uma inflamação da esclera frequentemente associada a doenças autoimunes, como a artrite reumatoide. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na anamnese e no exame físico ocular.
A esclerite é uma inflamação do tecido conjuntivo que forma a esclera, a camada mais externa e resistente do globo ocular. Diferentemente da conjuntivite, que é uma inflamação superficial e geralmente benigna, a esclerite é uma condição mais profunda, grave e potencialmente ameaçadora à visão. Ela se manifesta com dor ocular intensa, frequentemente descrita como profunda e "chata", que piora à palpação do globo ocular. A hiperemia é caracteristicamente de cor violácea ou arroxeada, devido à congestão dos vasos episclerais profundos, e pode ser difusa, nodular ou necrosante. A associação com doenças sistêmicas, especialmente as do colágeno como a artrite reumatoide, o lúpus eritematoso sistêmico e as vasculites, é um dado crucial para o diagnóstico.
O diagnóstico diferencial do "olho vermelho" é um dos mais importantes na prática clínica, pois engloba desde condições benignas e autolimitadas até emergências oftalmológicas. A tabela abaixo resume as principais características que ajudam a distinguir a esclerite das outras causas de hiperemia ocular:
Característica | Esclerite | Conjuntivite | Episclerite | Uveíte anterior (iridociclite) | Glaucoma agudo |
|---|---|---|---|---|---|
Dor | Intensa, profunda, à palpação | Ausente ou leve, sensação de corpo estranho | Leve, localizada | Moderada, com fotofobia | Muito intensa, com náuseas |
Hiperemia | Setorial ou difusa, violácea | Difusa, bulbar e palpebral, vermelho vivo | Setorial, rósea ou avermelhada | Pericorneana (perilímbica) | Difusa, intensa |
Secreção | Ausente | Presente (aquosa, mucosa ou purulenta) | Ausente | Ausente | Ausente |
Visão | Pode estar levemente reduzida | Normal ou levemente borrada | Normal | Borrada | Muito borrada |
Pupila | Normal | Normal | Normal | Miótica, irregular | Midríase irregular, fixa |
Pressão ocular | Normal | Normal | Normal | Normal ou baixa | Muito elevada |
Associação sistêmica | Frequente (AR, lúpus, vasculites) | Rara | Rara | Possível (AR, espondiloartrites, sarcoidose) | Rara |
A episclerite, que é uma inflamação mais superficial e benigna da episclera, é o principal diagnóstico diferencial da esclerite. Na episclerite, a dor é mais leve, a hiperemia é rósea (não violácea) e não há nódulos fixos. A esclerite, por sua vez, é uma condição mais grave que pode levar a complicações como escleromalácia perfurante, uveíte e perda visual, exigindo tratamento agressivo com anti-inflamatórios não esteroidais ou corticosteroides sistêmicos, e encaminhamento imediato ao oftalmologista.
A pegadinha desta questão está em associar a hiperemia ocular à conjuntivite, que é a causa mais comum de olho vermelho, mas que não se encaixa no quadro descrito. A presença de dor intensa à palpação, coloração violácea e nódulo fixo são sinais de alerta que apontam para uma condição mais grave, como a esclerite. Além disso, o contexto de artrite reumatoide descompensada é um forte indicativo de envolvimento ocular por doença autoimune.
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, a membrana mucosa que reveste a pálpebra e o globo ocular. Ela se caracteriza por hiperemia difusa, secreção (aquosa, mucosa ou purulenta) e sensação de corpo estranho, mas não apresenta dor intensa à palpação, coloração violácea ou nódulos fixos. A conjuntivite é geralmente autolimitada e benigna, enquanto o quadro descrito sugere uma condição mais profunda e grave.
A esclerite é a inflamação da esclera, a camada mais externa do olho. O quadro clínico descrito — hiperemia nodular, violácea, intensamente dolorosa à compressão, fixa, em paciente com artrite reumatoide — é a apresentação clássica da esclerite. A associação com doenças autoimunes, como a artrite reumatoide, é um forte fator de risco e um dado importante para o diagnóstico. A esclerite é uma condição grave que requer tratamento especializado e acompanhamento oftalmológico.
A blefarite é a inflamação das pálpebras, geralmente associada a disfunção das glândulas de Meibômio ou infecção bacteriana. Ela se manifesta com hiperemia e edema palpebral, crostas na base dos cílios, sensação de queimação e coceira, mas não causa hiperemia nodular na conjuntiva escleral, dor intensa à palpação ou coloração violácea. O quadro descrito é de acometimento do globo ocular, não das pálpebras.
A ceratite é a inflamação da córnea, a estrutura transparente localizada na parte anterior do olho. Ela se manifesta com dor ocular, fotofobia, lacrimejamento, hiperemia pericorneana e, frequentemente, redução da acuidade visual. No entanto, a hiperemia na ceratite é pericorneana (perilímbica), não nodular e violácea na conjuntiva escleral. Além disso, a ceratite geralmente está associada a trauma, uso de lentes de contato ou infecções, não a doenças autoimunes como a artrite reumatoide.
A uveíte é a inflamação da úvea, que compreende a íris, o corpo ciliar e a coroide. A uveíte anterior (iridociclite) pode causar hiperemia pericorneana, dor ocular, fotofobia e visão borrada, e está associada a doenças sistêmicas como a artrite reumatoide. No entanto, o quadro descrito é de hiperemia nodular e violácea na conjuntiva escleral, com dor intensa à palpação, o que é mais característico de esclerite. Além disso, o enunciado afirma que não há sinais de processo inflamatório intraocular, o que exclui a uveíte, que é uma inflamação intraocular.
Gabarito: letra B
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