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Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025

MedicinaOftalmologia
Código
fg115540
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Oftalmologia
Paciente do sexo feminino, de 65 anos, portadora de artrite reumatoide descompensada, apresenta hiperemia localizada em conjuntiva escleral de aspecto nodular, de coloração violácea, de forte intensidade dolorosa à compressão, fixa e sem sinais de processo inflamatório intraocular.Diante desse quadro clínico, a provável patologia apresentada pode ser diagnosticada como:
  1. Aconjuntivite;
  2. Besclerite;
  3. Cblefarite;
  4. Dceratite;
  5. Euveíte.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — esclerite;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Esclerite: diagnóstico diferencial do olho vermelho doloroso

Gabarito: letra B. O quadro descrito — hiperemia nodular, de coloração violácea, intensamente dolorosa à compressão, fixa, em paciente com artrite reumatoide descompensada — é a apresentação clássica da esclerite, uma inflamação da esclera frequentemente associada a doenças autoimunes, como a artrite reumatoide. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na anamnese e no exame físico ocular.

A esclerite é uma inflamação do tecido conjuntivo que forma a esclera, a camada mais externa e resistente do globo ocular. Diferentemente da conjuntivite, que é uma inflamação superficial e geralmente benigna, a esclerite é uma condição mais profunda, grave e potencialmente ameaçadora à visão. Ela se manifesta com dor ocular intensa, frequentemente descrita como profunda e "chata", que piora à palpação do globo ocular. A hiperemia é caracteristicamente de cor violácea ou arroxeada, devido à congestão dos vasos episclerais profundos, e pode ser difusa, nodular ou necrosante. A associação com doenças sistêmicas, especialmente as do colágeno como a artrite reumatoide, o lúpus eritematoso sistêmico e as vasculites, é um dado crucial para o diagnóstico.

O diagnóstico diferencial do "olho vermelho" é um dos mais importantes na prática clínica, pois engloba desde condições benignas e autolimitadas até emergências oftalmológicas. A tabela abaixo resume as principais características que ajudam a distinguir a esclerite das outras causas de hiperemia ocular:

Característica

Esclerite

Conjuntivite

Episclerite

Uveíte anterior (iridociclite)

Glaucoma agudo

Dor

Intensa, profunda, à palpação

Ausente ou leve, sensação de corpo estranho

Leve, localizada

Moderada, com fotofobia

Muito intensa, com náuseas

Hiperemia

Setorial ou difusa, violácea

Difusa, bulbar e palpebral, vermelho vivo

Setorial, rósea ou avermelhada

Pericorneana (perilímbica)

Difusa, intensa

Secreção

Ausente

Presente (aquosa, mucosa ou purulenta)

Ausente

Ausente

Ausente

Visão

Pode estar levemente reduzida

Normal ou levemente borrada

Normal

Borrada

Muito borrada

Pupila

Normal

Normal

Normal

Miótica, irregular

Midríase irregular, fixa

Pressão ocular

Normal

Normal

Normal

Normal ou baixa

Muito elevada

Associação sistêmica

Frequente (AR, lúpus, vasculites)

Rara

Rara

Possível (AR, espondiloartrites, sarcoidose)

Rara

A episclerite, que é uma inflamação mais superficial e benigna da episclera, é o principal diagnóstico diferencial da esclerite. Na episclerite, a dor é mais leve, a hiperemia é rósea (não violácea) e não há nódulos fixos. A esclerite, por sua vez, é uma condição mais grave que pode levar a complicações como escleromalácia perfurante, uveíte e perda visual, exigindo tratamento agressivo com anti-inflamatórios não esteroidais ou corticosteroides sistêmicos, e encaminhamento imediato ao oftalmologista.

A pegadinha desta questão está em associar a hiperemia ocular à conjuntivite, que é a causa mais comum de olho vermelho, mas que não se encaixa no quadro descrito. A presença de dor intensa à palpação, coloração violácea e nódulo fixo são sinais de alerta que apontam para uma condição mais grave, como a esclerite. Além disso, o contexto de artrite reumatoide descompensada é um forte indicativo de envolvimento ocular por doença autoimune.

1Quadro clínico
Hiperemia nodular violácea
Dor intensa à palpação
Nódulo fixo
2Associação sistêmica
Artrite reumatoide
Lúpus, vasculites
3Diagnóstico diferencial
Episclerite (dor leve, rósea)
Conjuntivite (secreção, benigna)
Uveíte (inflamação intraocular)
Esclerite (gabarito)
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Esclerite (gabarito): Quadro clínico (Hiperemia nodular violácea, Dor intensa à palpação, Nódulo fixo); Associação sistêmica (Artrite reumatoide, Lúpus, vasculites); Diagnóstico diferencial (Episclerite (dor leve, rósea), Conjuntivite (secreção, benigna), Uveíte (inflamação intraocular))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, a membrana mucosa que reveste a pálpebra e o globo ocular. Ela se caracteriza por hiperemia difusa, secreção (aquosa, mucosa ou purulenta) e sensação de corpo estranho, mas não apresenta dor intensa à palpação, coloração violácea ou nódulos fixos. A conjuntivite é geralmente autolimitada e benigna, enquanto o quadro descrito sugere uma condição mais profunda e grave.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A esclerite é a inflamação da esclera, a camada mais externa do olho. O quadro clínico descrito — hiperemia nodular, violácea, intensamente dolorosa à compressão, fixa, em paciente com artrite reumatoide — é a apresentação clássica da esclerite. A associação com doenças autoimunes, como a artrite reumatoide, é um forte fator de risco e um dado importante para o diagnóstico. A esclerite é uma condição grave que requer tratamento especializado e acompanhamento oftalmológico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A blefarite é a inflamação das pálpebras, geralmente associada a disfunção das glândulas de Meibômio ou infecção bacteriana. Ela se manifesta com hiperemia e edema palpebral, crostas na base dos cílios, sensação de queimação e coceira, mas não causa hiperemia nodular na conjuntiva escleral, dor intensa à palpação ou coloração violácea. O quadro descrito é de acometimento do globo ocular, não das pálpebras.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ceratite é a inflamação da córnea, a estrutura transparente localizada na parte anterior do olho. Ela se manifesta com dor ocular, fotofobia, lacrimejamento, hiperemia pericorneana e, frequentemente, redução da acuidade visual. No entanto, a hiperemia na ceratite é pericorneana (perilímbica), não nodular e violácea na conjuntiva escleral. Além disso, a ceratite geralmente está associada a trauma, uso de lentes de contato ou infecções, não a doenças autoimunes como a artrite reumatoide.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A uveíte é a inflamação da úvea, que compreende a íris, o corpo ciliar e a coroide. A uveíte anterior (iridociclite) pode causar hiperemia pericorneana, dor ocular, fotofobia e visão borrada, e está associada a doenças sistêmicas como a artrite reumatoide. No entanto, o quadro descrito é de hiperemia nodular e violácea na conjuntiva escleral, com dor intensa à palpação, o que é mais característico de esclerite. Além disso, o enunciado afirma que não há sinais de processo inflamatório intraocular, o que exclui a uveíte, que é uma inflamação intraocular.

Gabarito: letra B

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