Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025
- Código
- fg115549
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Oftalmologia
- Ahemorragia expulsiva;
- Binstabilidade zonular;
- Cderrame de coroide;
- Dglaucoma maligno;
- Esangramento.
GabaritoB — instabilidade zonular;
Gabarito: letra B. O paciente apresenta diâmetro corneano acentuadamente aumentado (14,5 mm branco-a-branco) com comprimento axial normal, caracterizando megalocórnea — condição associada à frouxidão zonular e, portanto, a um risco aumentado de instabilidade zonular durante a cirurgia de catarata. A zônula é o conjunto de fibras que suspende o cristalino; quando frouxa, o saco capsular fica instável, aumentando o risco de ruptura capsular, perda vítrea e descentração do implante.
A megalocórnea é uma condição rara em que o diâmetro corneano é maior que 14 mm, sem aumento do comprimento axial (ao contrário da buftalmia do glaucoma congênito, em que o globo inteiro é aumentado). Essa condição frequentemente coexiste com subluxação do cristalino e frouxidão zonular, o que torna a cirurgia de catarata mais desafiadora. O cirurgião deve estar preparado para usar anéis de tensão capsular, ganchos de retenção capsular ou até mesmo técnicas de fixação do saco capsular à esclera.
A frouxidão zonular pode ser congênita (como na síndrome de Marfan, homocistinúria, síndrome de Weill-Marchesani) ou adquirida (pseudoexfoliação, trauma). Na megalocórnea, acredita-se que haja uma alteração no desenvolvimento das fibras zonulares, tornando-as mais longas e frouxas. Durante a facoemulsificação, a manipulação do núcleo e a aspiração do córtex podem exercer tração sobre a zônula frouxa, levando à sua ruptura.
A complicação mais temida da instabilidade zonular é a luxação do núcleo ou do saco capsular para o vítreo, que pode exigir vitrectomia anterior ou posterior. Outras complicações incluem descentração do implante, opacificação capsular posterior e edema macular cistoide. O reconhecimento pré-operatório da megalocórnea é crucial para o planejamento cirúrgico adequado.
As demais alternativas representam complicações de outras condições: hemorragia expulsiva e derrame de coroide estão associadas a olhos hipermétropes, com câmaras anteriores rasas e esclerose corneana; glaucoma maligno ocorre em olhos com ângulo estreito; sangramento pode ocorrer em olhos com neovascularização ou inflamação. Nenhuma dessas condições está diretamente relacionada à megalocórnea.
A banca explora a associação automática entre "diâmetro corneano aumentado" e "glaucoma congênito" (buftalmia), levando o candidato a pensar em complicações como hemorragia expulsiva ou glaucoma maligno. No entanto, o comprimento axial normal e a ausência de outras alterações apontam para megalocórnea isolada, cuja principal complicação cirúrgica é a instabilidade zonular. Fique atento: diâmetro corneano > 14 mm com comprimento axial normal = megalocórnea, não buftalmia.
A hemorragia expulsiva é uma complicação rara e catastrófica da cirurgia intraocular, associada a olhos hipermétropes, com câmaras anteriores rasas, esclerose corneana e aumento da pressão venosa episcleral. Não há relação direta com megalocórnea ou frouxidão zonular.
A megalocórnea (diâmetro corneano > 14 mm com comprimento axial normal) está associada à frouxidão zonular, aumentando o risco de instabilidade zonular durante a cirurgia de catarata. A zônula frouxa pode romper durante a facoemulsificação, levando a complicações como perda vítrea e luxação do núcleo.
O derrame de coroide (hemorragia ou efusão) está associado a olhos hipermétropes, com câmaras anteriores rasas, e a condições como esclerite ou uveíte. Não é uma complicação característica da megalocórnea.
O glaucoma maligno (síndrome de bloqueio ciliar) ocorre em olhos com ângulo estreito, geralmente após cirurgia intraocular, e é caracterizado por aumento da pressão intraocular com câmara anterior rasa. Não está relacionado à megalocórnea.
Sangramento intraoperatório pode ocorrer em olhos com neovascularização, inflamação ou trauma, mas não é uma complicação específica da megalocórnea. A instabilidade zonular é o risco principal.
Gabarito: letra B
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