Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025
- Código
- fg115550
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Oftalmologia
- Apersistência de vasculatura fetal;
- Bdoença de Coats;
- Cretinoblastoma;
- Dosteossarcoma;
- Etoxocaríase.
GabaritoC — retinoblastoma;
Gabarito: letra C. A presença de calcificações na ultrassonografia ocular modo A e B em um menor com leucocoria e desvio do olhar é altamente sugestiva de retinoblastoma, o tumor intraocular maligno mais comum da infância. As calcificações são um achado ultrassonográfico clássico e quase patognomônico dessa neoplasia, sendo raramente encontradas nas demais causas de leucocoria listadas nas alternativas.
A leucocoria, definida como o reflexo branco na pupila, é um sinal de alerta na infância e exige investigação imediata. As principais causas são o retinoblastoma, a catarata congênita, a persistência de vasculatura fetal (PVF), a doença de Coats e a toxocaríase ocular. Quando os meios transparentes do olho estão opacificados, impedindo a fundoscopia, a ultrassonografia ocular torna-se o exame de escolha para avaliar o segmento posterior. Nesse contexto, a detecção de calcificações no interior do globo ocular direciona fortemente o diagnóstico para o retinoblastoma, pois essa é uma característica marcante do tumor, presente em cerca de 90% dos casos. As outras condições que cursam com leucocoria, como a doença de Coats e a toxocaríase, não apresentam calcificações como achado ultrassonográfico típico, o que as diferencia do retinoblastoma.
O retinoblastoma é um tumor maligno que se origina das células precursoras dos fotorreceptores da retina. Acomete principalmente crianças com menos de 5 anos de idade e pode ser hereditário ou esporádico. O diagnóstico precoce é fundamental para preservar a vida e a visão, e a ultrassonografia desempenha um papel crucial quando a visualização direta da retina não é possível. O achado de calcificações, que aparecem como pontos ecogênicos com sombra acústica posterior no modo B, é um dos critérios ultrassonográficos mais importantes para o diagnóstico. Além disso, o tumor pode se apresentar como uma massa sólida, de ecogenicidade variável, que pode preencher a cavidade vítrea.
É importante destacar que a ultrassonografia ocular também é útil para avaliar a extensão do tumor, como a invasão do nervo óptico ou da esclera, informações essenciais para o estadiamento e o planejamento terapêutico. O modo A, por sua vez, fornece informações sobre a refletividade e a atenuação do tumor, auxiliando na caracterização da lesão. A combinação dos modos A e B aumenta a acurácia diagnóstica, especialmente na diferenciação entre retinoblastoma e outras massas intraoculares.
A principal armadilha desta questão é associar a leucocoria a outras causas comuns, como a doença de Coats ou a toxocaríase, sem considerar o achado ultrassonográfico de calcificações. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que conhece as causas de leucocoria, mas não associa as calcificações ao retinoblastoma, pode ser induzido a escolher uma alternativa incorreta. Portanto, o critério decisivo é a presença de calcificações, que é o achado que separa o retinoblastoma das demais condições.
A persistência de vasculatura fetal (PVF) é uma causa de leucocoria, mas não apresenta calcificações como achado ultrassonográfico típico. Na ultrassonografia, a PVF geralmente se manifesta como um cordão fibroso ou uma membrana retrolental, sem calcificações. A presença de calcificações é um forte indicativo de retinoblastoma, tornando esta alternativa incorreta.
A doença de Coats é uma causa de leucocoria, caracterizada por telangiectasias retinianas e exsudação lipídica. Na ultrassonografia, a doença de Coats pode se apresentar como um descolamento de retina exsudativo, mas sem calcificações. A ausência de calcificações é um ponto-chave para diferenciá-la do retinoblastoma, tornando esta alternativa incorreta.
O retinoblastoma é o tumor intraocular maligno mais comum na infância e a presença de calcificações na ultrassonografia ocular é um achado clássico e altamente sugestivo. Em um menor com leucocoria e desvio do olhar, a detecção de calcificações no modo A e B praticamente confirma o diagnóstico de retinoblastoma. Esta é a alternativa correta.
O osteossarcoma é um tumor ósseo maligno que não se manifesta como leucocoria nem apresenta calcificações intraoculares. Esta alternativa é completamente fora do contexto da questão, que aborda uma condição ocular em um menor. A presença de calcificações no olho não está relacionada ao osteossarcoma.
A toxocaríase ocular é uma causa de leucocoria, geralmente resultante de uma reação inflamatória granulomatosa na retina. Na ultrassonografia, a toxocaríase pode se apresentar como uma massa ou um descolamento de retina, mas sem calcificações. A ausência de calcificações diferencia a toxocaríase do retinoblastoma, tornando esta alternativa incorreta.
A banca explora a associação automática entre leucocoria e as causas mais comuns, como doença de Coats e toxocaríase, sem considerar o achado ultrassonográfico de calcificações. O candidato que conhece as causas de leucocoria, mas não associa as calcificações ao retinoblastoma, pode ser induzido a escolher uma alternativa incorreta. Lembre-se: calcificações intraoculares na ultrassonografia são quase patognomônicas de retinoblastoma.
Ao se deparar com uma questão sobre leucocoria, lembre-se de que o retinoblastoma é a causa mais grave e a presença de calcificações na ultrassonografia é um forte indicativo. As outras causas, como doença de Coats, toxocaríase e PVF, não apresentam calcificações como achado típico. Essa distinção é fundamental para responder corretamente.
Gabarito: letra C
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