Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025
- Código
- fg115551
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Oftalmologia
- Abevacizumabe;
- Branibizumabe;
- Cpegaptanibe;
- Daflibercepte;
- Elapatinibe.
GabaritoD — aflibercepte;
Gabarito: letra D. O aflibercepte é o único agente da lista que atua como um receptor solúvel ("armadilha de VEGF" — VEGF trap), ligando-se ao fator de crescimento endotelial vascular e impedindo sua ação, enquanto bevacizumabe, ranibizumabe e pegaptanibe são anticorpos ou fragmentos que bloqueiam o VEGF por outros mecanismos. A questão cobra a distinção entre os mecanismos de ação dos antiangiogênicos usados na DMRI neovascular.
A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) na forma neovascular (exsudativa) é caracterizada pelo crescimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina, processo mediado principalmente pelo fator de crescimento endotelial vascular (VEGF). O tratamento farmacológico visa bloquear essa via angiogênica, e os principais agentes disponíveis são os chamados anti-VEGF. A compreensão do mecanismo de ação de cada um é essencial para a prática clínica e para questões de prova.
O aflibercepte é uma proteína de fusão que combina o domínio de ligação ao VEGF dos receptores VEGFR-1 e VEGFR-2 com a porção Fc de uma imunoglobulina humana. Ele age como um receptor solúvel, ou seja, uma "armadilha" que captura o VEGF circulante e o impede de se ligar aos receptores naturais na superfície das células endoteliais. Essa é a característica que o distingue dos demais: ele não é um anticorpo, mas sim um receptor artificial que "sequestra" o fator de crescimento.
Os demais agentes anti-VEGF funcionam de maneira diferente:
Bevacizumabe: anticorpo monoclonal humanizado completo que se liga ao VEGF-A, impedindo sua interação com os receptores. É um anticorpo, não um receptor solúvel.
Ranibizumabe: fragmento de anticorpo (Fab) humanizado que também se liga ao VEGF-A. É um fragmento, não um receptor.
Pegaptanibe: aptâmero de RNA modificado que se liga especificamente à isoforma VEGF-165. É um oligonucleotídeo, não um receptor.
Lapatinibe: inibidor de tirosina quinase dos receptores EGFR e HER2, usado no tratamento de alguns tipos de câncer de mama, sem relação com a via do VEGF.
A pegadinha da questão está em associar o termo "receptor" a um mecanismo de bloqueio, quando na verdade o aflibercepte é o único que literalmente atua como um receptor solúvel. Os outros agentes são anticorpos ou fragmentos que se ligam ao VEGF, mas não funcionam como receptores. A banca explora a confusão entre "ligar-se ao VEGF" (todos fazem) e "ser um receptor do VEGF" (apenas o aflibercepte).
Guarde essa distinção: anticorpo/fragmento (bevacizumabe, ranibizumabe) e aptâmero (pegaptanibe) se ligam ao VEGF, mas receptor solúvel (aflibercepte) é aquele que mimetiza o receptor natural. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
O bevacizumabe é um anticorpo monoclonal humanizado completo que se liga ao VEGF-A, impedindo sua ação. Ele não atua como receptor solúvel; é um anticorpo que neutraliza o fator de crescimento. Embora seja amplamente usado no tratamento da DMRI neovascular (inclusive no SUS), seu mecanismo é de anticorpo, não de receptor.
O ranibizumabe é um fragmento de anticorpo (Fab) humanizado que se liga ao VEGF-A. Assim como o bevacizumabe, ele bloqueia o VEGF por ser um anticorpo (fragmentado), não por atuar como receptor solúvel. É aprovado para DMRI neovascular, mas o mecanismo é diferente do aflibercepte.
O pegaptanibe é um aptâmero de RNA modificado que se liga especificamente à isoforma VEGF-165. É um oligonucleotídeo, não um receptor. Embora seja um anti-VEGF, seu mecanismo é de ligação direta ao fator, não de mimetizar o receptor.
O aflibercepte é uma proteína de fusão que atua como receptor solúvel (VEGF trap), combinando domínios de ligação dos receptores VEGFR-1 e VEGFR-2 com a porção Fc de IgG. Ele "captura" o VEGF circulante, impedindo sua ligação aos receptores naturais. Essa é exatamente a descrição do enunciado: "atua servindo como um receptor do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF)".
O lapatinibe é um inibidor de tirosina quinase dos receptores EGFR e HER2, utilizado no tratamento de câncer de mama HER2-positivo. Não tem relação com a via do VEGF nem com o tratamento da DMRI neovascular. É um distrator que foge completamente do tema.
A banca explora a confusão entre "ligar-se ao VEGF" e "ser um receptor do VEGF". Todos os anti-VEGF (bevacizumabe, ranibizumabe, pegaptanibe) se ligam ao fator de crescimento, mas apenas o aflibercepte atua como receptor solúvel. O candidato que sabe que todos bloqueiam o VEGF pode marcar qualquer um deles, mas a questão pede especificamente o mecanismo de receptor solúvel.
Para diferenciar os anti-VEGF na prova, lembre-se da classificação: anticorpos (bevacizumabe, ranibizumabe), aptâmero (pegaptanibe) e receptor solúvel (aflibercepte). O aflibercepte é o único que "mimetiza" o receptor, sendo chamado de "VEGF trap". Essa distinção é clássica em questões de oftalmologia e farmacologia.
Gabarito: letra D
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