Em um funcionário de uma usina termonuclear foi detectada uma alteração oftalmológica, que pode estar associada a exposição à radioatividade.Dentre os prováveis efeitos adversos da radioatividade, o mais evidente é:
Aerosões epiteliais pontilhadas na córnea;
Bhemorragia na cabeça do nervo óptico;
Cmanchas algodonosas na retina;
Ddespigmentação iriana;
Eesclerose do cristalino.
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GabaritoE — esclerose do cristalino.
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Efeitos oftalmológicos da radiação ionizante
Gabarito: letra E. A exposição à radiação ionizante, como a de um funcionário de usina termonuclear, tem como efeito oftalmológico mais característico e evidente a esclerose do cristalino (catarata actínica ou por radiação), condição clássica e bem documentada em trabalhadores expostos. As demais alternativas descrevem alterações que não são o efeito mais típico da radioatividade no olho.
A radiação ionizante (raios X, gama, partículas beta e nêutrons) interage com os tecidos biológicos principalmente por dois mecanismos: efeito direto (ionização de moléculas, como o DNA) e efeito indireto (formação de radicais livres, especialmente a partir da água). No olho, o cristalino é um dos tecidos mais radiossensíveis do corpo humano. As células epiteliais do cristalino, localizadas na zona germinativa equatorial, são altamente proliferativas e, quando danificadas pela radiação, sofrem alterações na diferenciação e migração, formando opacidades características. Essas opacidades, denominadas catarata por radiação ou catarata actínica, progridem de forma lenta e podem levar à perda visual significativa. A esclerose do cristalino refere-se ao endurecimento e opacificação progressiva do cristalino, que é exatamente o processo fisiopatológico da catarata. Historicamente, a associação entre radiação e catarata foi observada em radiologistas pioneiros, sobreviventes de bombas atômicas e trabalhadores de usinas nucleares, sendo um marcador clássico de exposição ocupacional.
A radiossensibilidade do cristalino é tão alta que a catarata é considerada um efeito determinístico (limiar) da radiação, ou seja, ocorre a partir de uma dose mínima e sua gravidade aumenta com a dose. Diferente dos efeitos estocásticos (como câncer), que não têm limiar e cuja probabilidade aumenta com a dose. Essa distinção é fundamental para entender por que a catarata é o efeito mais evidente: ela aparece com doses relativamente baixas e é facilmente detectável ao exame de lâmpada de fenda, mesmo antes de causar sintomas visuais. O trabalhador de usina termonuclear, exposto cronicamente a baixas doses de radiação, tem risco aumentado de desenvolver essa opacificação lentamente progressiva.
Na prática clínica, a catarata por radiação apresenta características morfológicas específicas: opacidades posteriores subcapsulares, que podem ser acompanhadas de opacidades corticais. O diagnóstico é feito pela biomicroscopia, e a conduta é a mesma da catarata senil: acompanhamento e, se houver comprometimento visual significativo, cirurgia de facoemulsificação com implante de lente intraocular. A prevenção é essencial em trabalhadores expostos, com uso de óculos plumbíferos e monitoração individual de dose.
A pegadinha desta questão está em associar a radiação a efeitos agudos ou a outras estruturas oculares. A banca explora a confusão entre os efeitos da radiação e os de outras doenças oculares comuns, como retinopatia diabética ou hipertensiva. O candidato que não conhece a radiossensibilidade específica do cristalino pode ser levado a escolher uma alternativa que descreve alterações retinianas ou corneanas, que não são o efeito mais característico da exposição à radioatividade. Guarde a fronteira: radiação ionizante → cristalino (catarata); radiação ultravioleta → córnea e conjuntiva (pterígio, fotoqueratite); radiação infravermelha → também cristalino (catarata do soprador de vidro). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Efeitos da radiação no olho
1Radiação ionizante
Cristalino (mais radiossensível)
Esclerose/catarata actínica
Retina (doses altas)
Retinopatia por radiação
Córnea (menos sensível)
Raramente afetada
2Radiação ultravioleta
Córnea e conjuntiva
Fotoqueratite
Pterígio
3Radiação infravermelha
Cristalino
Catarata do soprador de vidro
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Alternativa A — ❌ Incorreta
As erosões epiteliais pontilhadas na córnea são um achado inespecífico, mais associado a traumas mecânicos, ceratites infecciosas ou exposição a agentes químicos, não sendo o efeito mais evidente da radiação ionizante. A córnea é menos radiossensível que o cristalino, e a radiação ionizante raramente causa erosões epiteliais como manifestação principal. A radiação ultravioleta, por exemplo, pode causar fotoqueratite, mas não é o caso da radiação ionizante de uma usina.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hemorragia na cabeça do nervo óptico é um achado típico do glaucoma, especialmente do glaucoma de pressão normal, e não da exposição à radiação. O contexto de apoio menciona que hemorragias do nervo óptico podem ser encontradas no glaucoma, mas sua presença não é patognomônica, e não há associação com radioatividade. A radiação ionizante não tem como efeito mais evidente a hemorragia do disco óptico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As manchas algodonosas na retina são características de retinopatia hipertensiva, diabética ou de outras causas de isquemia retiniana, como HIV e anemia. Não são o efeito mais evidente da radiação ionizante. A radiação pode causar retinopatia por radiação em doses altas (como em radioterapia ocular), mas não é a manifestação mais característica em trabalhadores de usina expostos cronicamente a baixas doses.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A despigmentação iriana não é um efeito típico da radiação ionizante. A íris pode apresentar alterações em doenças como a síndrome de dispersão pigmentar ou uveíte, mas não é o efeito mais evidente da exposição à radioatividade. A radiação pode causar rubeosis iridis (neovascularização da íris) em casos de retinopatia por radiação avançada, mas isso é raro e não é a manifestação mais característica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A esclerose do cristalino, ou catarata por radiação, é o efeito oftalmológico mais evidente e característico da exposição à radiação ionizante. O cristalino é um dos tecidos mais radiossensíveis do corpo, e a opacificação lentamente progressiva é um marcador clássico de exposição ocupacional, como em trabalhadores de usinas nucleares. A esclerose refere-se ao endurecimento e opacificação do cristalino, que é exatamente o processo da catarata. Essa é a alternativa correta, pois descreve o efeito mais típico e bem documentado.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre efeitos da radiação no olho, lembre-se da radiossensibilidade relativa: cristalino (catarata) > retina (retinopatia por radiação, em doses altas) > córnea (menos sensível). A catarata por radiação é um efeito determinístico, com limiar de dose, e é o achado mais precoce e evidente em exposição crônica. Associe a radiação ionizante à catarata, e a radiação ultravioleta à córnea e conjuntiva.