Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025
- Código
- fg115559
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Oftalmologia
- ABorrelia burgdorferi;
- BPneumocystis carinii;
- CToxocara canis;
- DBacillus cereus;
- EAspergillus niger.
GabaritoA — Borrelia burgdorferi;
Gabarito: letra A. A doença de Lyme é causada pela espiroqueta Borrelia burgdorferi, transmitida pela picada de carrapatos do gênero Ixodes. O quadro descrito — conjuntivite, baixa de acuidade visual, rash cutâneo, artralgias, febre e coriorretinite com comprometimento vítreo — é compatível com a forma disseminada da doença, que pode cursar com acometimento ocular. As demais alternativas listam agentes de outras doenças (Pneumocystis, Toxocara, Bacillus, Aspergillus), nenhum deles relacionado à doença de Lyme.
A doença de Lyme é uma zoonose bacteriana causada pela espiroqueta Borrelia burgdorferi, transmitida pela picada de carrapatos do gênero Ixodes (no Brasil, o carrapato-estrela Amblyomma também pode estar envolvido em casos isolados). A infecção ocorre em três fases: (1) fase localizada — eritema migratório (rash cutâneo característico, em alvo); (2) fase disseminada precoce — sintomas gripais, febre, artralgias, mialgias, linfadenopatia e manifestações neurológicas (paralisia facial, meningite); (3) fase tardia — artrite crônica, encefalopatia e manifestações oculares.
O acometimento ocular pode ocorrer em qualquer fase, mas é mais comum na disseminação precoce. As manifestações incluem conjuntivite, uveíte, coriorretinite, vitrite (comprometimento vítreo), neurite óptica e papiledema. No caso descrito, a associação de conjuntivite com baixa de acuidade visual e coriorretinite com comprometimento vítreo, após exposição rural (fazenda) e quadro sistêmico (rash, artralgia, febre), é altamente sugestiva de doença de Lyme disseminada.
O diagnóstico é clínico-epidemiológico, confirmado por sorologia (ELISA seguido de Western blot) ou PCR. O tratamento de escolha é a doxiciclina (ou amoxicilina em crianças e gestantes) para formas localizadas, e ceftriaxona intravenosa para formas disseminadas com acometimento neurológico ou ocular.
A pegadinha da questão está em associar o quadro clínico a outros agentes infecciosos que também podem causar manifestações oculares e sistêmicas, mas que não correspondem à doença de Lyme. O candidato que não conhece o agente etiológico da doença pode se confundir com agentes de outras zoonoses ou infecções oportunistas.
A Borrelia burgdorferi é a espiroqueta causadora da doença de Lyme. É transmitida pela picada de carrapatos do gênero Ixodes e pode causar manifestações oculares como conjuntivite, uveíte, coriorretinite e vitrite, além do quadro sistêmico descrito (rash, artralgia, febre). O diagnóstico é sorológico e o tratamento é com antibióticos (doxiciclina ou ceftriaxona).
O Pneumocystis carinii (atualmente Pneumocystis jirovecii) é um fungo oportunista que causa pneumonia em pacientes imunocomprometidos (HIV/AIDS, transplantados). Não causa doença de Lyme nem o quadro ocular descrito. A confusão pode ocorrer por ser um patógeno oportunista, mas não tem relação com exposição rural nem com coriorretinite.
O Toxocara canis é um helminto (nematódeo) que causa a larva migrans visceral ou ocular (toxocaríase ocular), transmitida pela ingestão de ovos presentes em fezes de cães. Pode causar uveíte e coriorretinite, mas não cursa com rash cutâneo, artralgia e febre como na doença de Lyme, e não é transmitido por carrapatos. A confusão ocorre porque ambos podem causar coriorretinite, mas a epidemiologia e o quadro sistêmico diferem.
O Bacillus cereus é uma bactéria gram-positiva que causa intoxicação alimentar e, raramente, infecções oculares graves (endoftalmite pós-traumática). Não causa doença de Lyme nem o quadro sistêmico descrito. A confusão pode ocorrer por ser uma bactéria, mas não é transmitida por carrapatos e não causa coriorretinite com vitrite no contexto de exposição rural.
O Aspergillus niger é um fungo que causa aspergilose, principalmente pulmonar em imunocomprometidos, e pode causar endoftalmite por disseminação hematogênica. Não causa doença de Lyme nem o quadro clínico descrito (rash, artralgia, febre). A confusão pode ocorrer por ser um agente infeccioso oportunista, mas não tem relação com a epidemiologia da doença de Lyme.
A banca explora a associação automática entre coriorretinite e agentes infecciosos oculares (Toxocara, Aspergillus) ou oportunistas (Pneumocystis). O candidato que não conhece o agente da doença de Lyme pode se perder. Lembre-se: doença de Lyme = Borrelia burgdorferi, transmitida por carrapato, com tríade clássica de rash, artralgia e sintomas gripais, podendo cursar com uveíte e coriorretinite.
Para questões de doenças infecciosas com manifestações oculares, monte um mapa mental: associe cada agente ao seu vetor, quadro sistêmico e manifestação ocular típica. Ex.: Toxocara → larva migrans ocular (crianças, contato com cães); Borrelia → doença de Lyme (carrapato, rash em alvo, artralgia); Aspergillus → imunocomprometidos, endoftalmite. Isso evita confusões na prova.
Gabarito: letra A
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