Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025
- Código
- fg115562
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Oftalmologia
- Atrauma mecânico;
- Bprotozoário;
- Cinfecção bacteriana;
- Dfungos;
- Einfecção viral.
GabaritoB — protozoário;
Gabarito: letra B. O quadro — dor ocular intensa, fotofobia, injeção difusa do limbo, defeito epitelial e infiltrado estromal amorfo, com reação densa de células brancas ao longo de um nervo corneano — é a apresentação clássica da ceratite por Acanthamoeba, um protozoário, em usuário de lentes de contato. O achado do "infiltrado em nervo" (perineurite) é o sinal que praticamente fecha o diagnóstico e aponta diretamente para a alternativa B.
A ceratite infecciosa é uma emergência oftalmológica, e o usuário de lentes de contato é o grupo de maior risco. Quando um paciente chega com dor, fotofobia e um infiltrado corneano, a primeira pergunta é: qual o agente? A resposta está nos detalhes do exame à lâmpada de fenda, porque cada etiologia tem um padrão de apresentação. O que decide esta questão é o infiltrado em nervo — um achado tão específico que, na prática clínica, já orienta o tratamento empírico antes mesmo da cultura. Vamos entender por que isso aponta para um protozoário e não para bactéria, fungo ou vírus.
A ceratite por Acanthamoeba é uma infecção corneana causada por um protozoário de vida livre, encontrado em água, solo e piscinas. O grande fator de risco é o uso de lentes de contato, especialmente quando há higiene inadequada: enxaguar as lentes com água de torneira, nadar ou tomar banho com as lentes, ou usar soluções caseiras. O protozoário adere à córnea e penetra no estroma, causando uma ceratite intensamente dolorosa — muitas vezes com dor desproporcional aos achados clínicos, um dado clássico. A evolução de 4 semanas, como no caso, é típica: é um quadro subagudo que vai se arrastando, diferente da bactéria que costuma ser mais aguda (dias).
O exame à lâmpada de fenda mostra o que o enunciado descreve: injeção difusa do limbo (hiperemia), defeito epitelial e um infiltrado estromal amorfo. Mas o achado mais característico é a reação densa de células brancas seguindo o comprimento de um nervo corneano — o chamado "infiltrado em nervo" ou perineurite. Esse sinal é tão específico da Acanthamoeba que, na prática, sua presença já levanta fortemente a suspeita. É um achado raro em outras etiologias e é exatamente o que a questão destaca para você fechar o diagnóstico.
A distinção entre as etiologias é o coração da questão. A ceratite bacteriana costuma ser mais aguda, com infiltrado bem delimitado, frequentemente associado a hipópio (pus na câmara anterior) e secreção purulenta. A ceratite fúngica tem um padrão mais indolente, com infiltrado com aspecto de "satélites" ou "penachos", e está associada a trauma com material vegetal. A ceratite viral (herpes) costuma apresentar lesões dendríticas (padrão em galho de árvore) ou disciformes, com diminuição da sensibilidade corneana. O trauma mecânico não explicaria um infiltrado estromal com reação ao longo do nervo. Nenhuma dessas alternativas explica o infiltrado em nervo — esse é o critério que separa a letra B das demais.
A banca explora a associação automática entre "lente de contato + infiltrado corneano" e ceratite bacteriana, que é a causa mais comum nesse grupo. Mas o enunciado não descreve um quadro bacteriano típico — ele descreve um quadro subagudo (4 semanas) com um sinal específico: o infiltrado em nervo. Esse sinal é a chave: ele aponta para Acanthamoeba, não para bactéria. O candidato que não conhece o sinal cai na letra C; o que conhece, fecha a B.
O trauma mecânico pode causar defeito epitelial e dor, mas não explica o infiltrado estromal amorfo nem a reação inflamatória ao longo do nervo. Trauma não gera infiltrado em nervo — esse é um achado infeccioso específico. Além disso, a evolução de 4 semanas com piora progressiva e fotofobia aponta para processo infeccioso, não para lesão mecânica isolada.
A alternativa correta. O quadro é de ceratite por Acanthamoeba, um protozoário. Os elementos que fecham o diagnóstico: usuário de lentes de contato (principal fator de risco), dor intensa com fotofobia, evolução subaguda de 4 semanas, infiltrado estromal amorfo e, principalmente, o infiltrado em nervo (perineurite) — sinal clássico e quase patognomônico dessa infecção. A presença desse sinal no exame à lâmpada de fenda é o que torna a letra B a resposta.
A ceratite bacteriana é a causa mais comum em usuários de lentes, mas o quadro descrito não é o típico bacteriano. A bactéria costuma cursar com evolução mais aguda (dias), infiltrado bem delimitado, hipópio e secreção purulenta. O infiltrado em nervo é um achado que não caracteriza infecção bacteriana — é específico da Acanthamoeba. A evolução de 4 semanas e o padrão do infiltrado afastam a bactéria como principal suspeita.
A ceratite fúngica tem apresentação mais indolente e está associada a trauma com material vegetal, não ao uso de lentes de contato. O padrão de infiltrado fúngico costuma ter aspecto de "satélites" ou "penachos", e não cursa com infiltrado em nervo. O contexto do caso (lente de contato, infiltrado amorfo, perineurite) aponta para protozoário, não para fungo.
A ceratite viral (herpes simples, por exemplo) pode causar dor e fotofobia, mas o padrão típico é de lesões dendríticas ou disciformes, com diminuição da sensibilidade corneana. O infiltrado em nervo não é característico de infecção viral. Além disso, o uso de lentes de contato é um fator de risco muito mais associado à Acanthamoeba do que ao herpes. A evolução e o exame descritos apontam para outra etiologia.
Gabarito: letra B — o quadro é de ceratite por protozoário (Acanthamoeba), confirmado pelo infiltrado em nervo no exame à lâmpada de fenda.
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