O advento dos análogos das prostaglandinas, que são drogas hipotensoras, porém com efeitos adversos e propriedades pró-inflamatórias, resultou, em última análise, em um favorecimento da falência da cirurgia fistulizante antiglaucomatosa. Como profilático ao insucesso das cirurgias antiglaucomatosas, aplica-se mitomicina C, substância antifibrótica e quimioterápica de grande potência.O uso da mitomicina C NÃO é indicado no caso de:
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Mitomicina C em Oftalmologia: indicações e contraindicações
Gabarito: letra C. A mitomicina C é um agente antimetabólito que inibe a proliferação de fibroblastos, sendo amplamente utilizada como adjuvante em cirurgias oculares para prevenir a cicatrização excessiva e a fibrose. A alternativa que NÃO representa uma indicação do uso da mitomicina C é a proliferação vitreorretiniana pós-vitrectomia, pois, nesse contexto, a droga não é aplicada topicamente na superfície ocular, mas sim utilizada por outras vias ou com outros agentes, como a 5-fluorouracila, no tratamento da proliferação vitreorretiniana.
A mitomicina C é um antibiótico antitumoral que age como um agente alquilante, cross-linking do DNA e inibindo a síntese proteica, o que leva à morte celular. Na oftalmologia, seu uso principal é como modulador da cicatrização, prevenindo a formação de tecido cicatricial fibroso que pode obstruir a via de drenagem do humor aquoso após cirurgias fistulizantes (trabeculectomia) ou levar à recorrência de pterígio. A droga é aplicada topicamente, geralmente em esponjas, durante o procedimento cirúrgico, ou por injeção subconjuntival, para inibir a proliferação de fibroblastos e a deposição de colágeno.
A lógica do uso da mitomicina C é criar um ambiente local que desfavoreça a cicatrização, permitindo que a fístula criada cirurgicamente permaneça aberta e funcional. Por isso, é indicada em situações de alto risco de falência da cirurgia fistulizante, como em pacientes jovens, com inflamação ocular prévia, uso prolongado de colírios hipotensores (como os análogos de prostaglandinas, que têm propriedades pró-inflamatórias), ou em casos de cirurgia prévia com cicatrização exuberante. Além disso, é utilizada no tratamento de pterígio recidivado, na prevenção de opacidade corneana pós-PRK (ceratectomia fotorrefrativa) e no manejo de doenças cicatriciais da superfície ocular, como o pênfigo cicatricial ocular.
A proliferação vitreorretiniana (PVR) é uma complicação grave do descolamento de retina, caracterizada pela formação de membranas fibrocelulares na superfície retiniana e no vítreo, que podem tracionar a retina e causar novo descolamento. O tratamento da PVR envolve vitrectomia, com remoção das membranas e, em alguns casos, uso de agentes farmacológicos como a daunorrubicina ou a 5-fluorouracila, que são administrados por via intravítrea ou durante a cirurgia. A mitomicina C, por ser um agente tóxico e com potencial de dano retiniano, não é utilizada no tratamento da PVR, pois seu uso intravítreo não é seguro e não há evidências de benefício nessa condição.
A pegadinha da questão está em associar a mitomicina C a qualquer situação de proliferação celular ou fibrose, sem considerar a via de administração e a segurança ocular. A banca explora o conhecimento do candidato sobre as indicações específicas da droga na superfície ocular e sua contraindicação em processos proliferativos intraoculares, como a PVR, onde outros agentes são preferidos.
Indicação
Uso de Mitomicina C
Justificativa
Pênfigo cicatricial (uso subconjuntival)
✅ Indicado
Inibe fibrose e progressão da doença
Névoa corneana pós-PRK
✅ Indicado
Previne/trata opacidade, inibindo queratócitos
Proliferação vitreorretiniana pós-vitrectomia
❌ Não indicado (gabarito)
Droga tóxica para uso intravítreo; usam-se outros agentes
Fibrose conjuntival pós-trabeculectomia
✅ Indicado
Previne cicatrização excessiva da fístula
Recorrência de pterígio
✅ Indicado
Previne recidiva, inibindo fibroblastos e neovascularização
Mitomicina C (antifibrótico)
1Indicações
Pênfigo cicatricial (subconjuntival)
Névoa corneana pós-PRK
Fibrose pós-trabeculectomia
Recorrência de pterígio
2Contraindicação
Proliferação vitreorretiniana (intraocular)
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Alternativa A — ✅ Correta
O uso subconjuntival de mitomicina C é uma técnica descrita no tratamento do pênfigo cicatricial ocular, uma doença autoimune que causa cicatrização conjuntival progressiva. A aplicação subconjuntival da droga ajuda a inibir a fibrose e a progressão da doença, sendo uma opção terapêutica adjuvante. Portanto, esta é uma indicação válida.
Alternativa B — ✅ Correta
A formação de névoa no estroma corneano pós-PRK (ceratectomia fotorrefrativa) é uma complicação conhecida, caracterizada por opacidade corneana devido à cicatrização anormal. A mitomicina C é utilizada topicamente durante a cirurgia, em concentrações baixas, para prevenir ou tratar essa opacidade, inibindo a proliferação de queratócitos e a produção de colágeno. Esta é uma indicação estabelecida.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A proliferação vitreorretiniana (PVR) pós-vitrectomia é uma condição intraocular, e o uso de mitomicina C não é indicado nesse cenário. A droga não é segura para uso intravítreo, e o tratamento da PVR envolve outras abordagens, como vitrectomia com remoção de membranas e uso de agentes como 5-fluorouracila ou daunorrubicina. Portanto, esta é a alternativa que NÃO representa uma indicação da mitomicina C.
Alternativa D — ✅ Correta
A fibrose de conjuntiva pós-trabeculectomia é a principal causa de falência da cirurgia fistulizante. A mitomicina C é aplicada topicamente durante a cirurgia, sobre a esclera e a conjuntiva, para inibir a proliferação de fibroblastos e prevenir a cicatrização excessiva, aumentando as chances de sucesso do procedimento. Esta é uma indicação clássica e bem estabelecida.
Alternativa E — ✅ Correta
A recorrência de pterígio é uma indicação comum para o uso de mitomicina C. Após a exérese do pterígio, a aplicação tópica da droga na área cirúrgica ajuda a prevenir a recidiva, inibindo a proliferação fibroblástica e a neovascularização. Esta é uma indicação amplamente aceita.
Gabarito: letra C — a única alternativa que não representa uma indicação do uso de mitomicina C é a proliferação vitreorretiniana pós-vitrectomia.