Récem-nato apresenta lacrimejamento, blefaroespasmo e fotofobia. Ao exame, observam-se buftalmia, megalocórnea, limbo esclerocorneano difuso e edema de córnea.Diante desse quadro, pode-se suspeitar de:
Aobstrução congênita do canal lacrimonasal;
Bcorpo estranho de córnea;
Cconjuntivite neonatal;
Dglaucoma congênito;
Econjuntivite viral.
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GabaritoD — glaucoma congênito;
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Glaucoma congênito: diagnóstico clínico no recém-nascido
Gabarito: letra D. O quadro descrito — lacrimejamento, blefaroespasmo, fotofobia, buftalmia, megalocórnea, limbo esclerocorneano difuso e edema de córnea — é a apresentação clássica do glaucoma congênito, uma emergência oftalmológica que exige tratamento cirúrgico imediato. A tríade sintomática (lacrimejamento, fotofobia e blefaroespasmo) associada ao aumento do globo ocular (buftalmia) e da córnea (megalocórnea) é patognomônica dessa condição, conforme descrito na literatura médica.
O glaucoma congênito é uma doença rara, mas grave, que resulta da malformação do ângulo da câmara anterior, impedindo a drenagem adequada do humor aquoso e elevando a pressão intraocular. No recém-nascido, o globo ocular é distensível, e a hipertensão ocular leva ao aumento progressivo do diâmetro corneano e do globo como um todo. A córnea, ao se distender, rompe a membrana de Descemet, causando edema corneano e opacidade — o que explica o achado de "limbo esclerocorneano difuso" e o edema de córnea descritos no enunciado.
A tríade sintomática é a chave do diagnóstico: o lacrimejamento (epífora) ocorre porque o olho hipertenso irrita a superfície ocular; a fotofobia é consequência do edema corneano, que dispersa a luz; e o blefaroespasmo é uma resposta protetora à dor e à fotofobia. Esses três sintomas, em um recém-nascido, devem levantar imediatamente a suspeita de glaucoma congênito, mesmo antes da medida da pressão intraocular.
O diagnóstico diferencial inclui outras causas de olho vermelho e lacrimejamento no neonato, como obstrução do canal lacrimonasal, conjuntivite neonatal e corpo estranho. No entanto, nenhuma dessas condições produz buftalmia ou megalocórnea — sinais que são exclusivos do glaucoma congênito. A obstrução do canal lacrimonasal causa epífora e secreção, mas sem fotofobia ou aumento do globo; a conjuntivite neonatal cursa com hiperemia e secreção purulenta, sem megalocórnea; e o corpo estranho de córnea causa dor e fotofobia, mas sem aumento do diâmetro corneano.
A urgência do diagnóstico é fundamental: o glaucoma congênito não tratado leva à perda visual irreversível por dano ao nervo óptico e à ambliopia. O tratamento é cirúrgico (goniotomia ou trabeculotomia), e o prognóstico visual depende da precocidade da intervenção. O exame sob anestesia, com tonometria, gonioscopia e oftalmoscopia, confirma o diagnóstico e orienta a conduta.
Guarde a fronteira entre os sinais que indicam glaucoma congênito (buftalmia, megalocórnea, edema de córnea) e os que indicam as demais causas de olho vermelho no recém-nascido: é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A obstrução congênita do canal lacrimonasal causa epífora (lacrimejamento) e, às vezes, secreção mucopurulenta, mas não provoca fotofobia, blefaroespasmo, buftalmia ou megalocórnea. O globo ocular e a córnea permanecem com dimensões normais. A ausência de aumento do globo e de edema de córnea afasta essa hipótese.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O corpo estranho de córnea causa dor, fotofobia e lacrimejamento, mas não produz buftalmia nem megalocórnea. Além disso, o exame com lâmpada de fenda ou mesmo com lanterna geralmente identifica o fragmento, o que não é descrito no enunciado. A ausência de aumento do globo ocular é o ponto decisivo para excluir essa alternativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A conjuntivite neonatal (bacteriana, viral ou química) cursa com hiperemia conjuntival, secreção (purulenta ou aquosa) e edema palpebral, mas não causa buftalmia, megalocórnea ou edema de córnea. A fotofobia pode estar presente, porém discreta, e o blefaroespasmo não é um achado proeminente. O aumento do globo ocular é o sinal que separa o glaucoma congênito da conjuntivite.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O quadro é a apresentação clássica do glaucoma congênito: lacrimejamento, fotofobia e blefaroespasmo (tríade sintomática) associados a buftalmia (aumento do globo ocular), megalocórnea (diâmetro corneano > 13 mm), limbo esclerocorneano difuso (devido à distensão corneana) e edema de córnea (por ruptura da membrana de Descemet). O tratamento é cirúrgico imediato para normalizar a pressão intraocular e prevenir a perda visual irreversível.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A conjuntivite viral causa hiperemia difusa, secreção aquosa e sensação de corpo estranho, mas não produz buftalmia, megalocórnea ou edema de córnea. A fotofobia pode ocorrer, porém é discreta, e o blefaroespasmo não é um achado característico. O aumento do globo ocular e da córnea são exclusivos do glaucoma congênito e afastam a conjuntivite viral.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre lacrimejamento e obstrução do canal lacrimonasal ou conjuntivite no recém-nascido. O candidato que não valoriza a buftalmia e a megalocórnea — sinais de aumento do globo e da córnea — cai na armadilha. Lembre-se: esses dois achados são exclusivos do glaucoma congênito e não ocorrem nas demais causas de olho vermelho neonatal.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao ver um recém-nascido com lacrimejamento + fotofobia + blefaroespasmo, pergunte-se: "há aumento do globo ocular ou da córnea?". Se sim, é glaucoma congênito até prova em contrário. A tríade sintomática é o gatilho; a buftalmia e a megalocórnea são a confirmação clínica.