Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025
- Código
- fg115568
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Oftalmologia
- Abacteriana hiperaguda;
- Bbacteriana crônica;
- Cbacteriana aguda;
- Dviral;
- Ealérgica.
GabaritoB — bacteriana crônica;
Gabarito: letra B. A Moraxella lacunata é um agente classicamente associado à conjuntivite bacteriana crônica (também chamada de blefaroconjuntivite angular), sendo essa a associação mais frequente e característica desse microrganismo. As conjuntivites bacterianas hiperagudas são tipicamente causadas por Neisseria gonorrhoeae, enquanto as agudas têm como agentes mais comuns Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae.
A conjuntivite é o processo inflamatório da conjuntiva, geralmente secundário a infecção bacteriana ou viral, ou a reação alérgica. O diagnóstico clínico entre os três tipos tem acurácia de até 75%, e os elementos clínicos costumam fornecer dados suficientes para o diagnóstico diferencial. A conjuntivite bacteriana, em geral, apresenta secreção mucopurulenta, conjuntivas lisas e inflamadas, com pontos vermelhos, e sem adenopatia pré-auricular. Já a conjuntivite viral tende a produzir secreção mais aquosa, folículos translúcidos e adenopatia pré-auricular, enquanto a alérgica apresenta ardência, prurido e secreção mucoide.
A classificação temporal da conjuntivite bacteriana é um ponto crucial: ela pode ser hiperaguda, aguda ou crônica. A forma hiperaguda é caracterizada por início abrupto, secreção purulenta abundante e evolução rápida, sendo o Neisseria gonorrhoeae o agente clássico, com risco de perfuração ocular. A forma aguda é a mais comum, com início súbito e secreção mucopurulenta, causada principalmente por Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. A forma crônica é definida pela persistência dos sintomas por mais de 3 a 4 semanas, e é aqui que a Moraxella lacunata se destaca, frequentemente associada à blefaroconjuntivite angular, com acometimento do canto do olho.
A Moraxella lacunata é um diplococo gram-negativo que coloniza o trato respiratório superior e a conjuntiva. Na prática clínica, a conjuntivite crônica por esse agente costuma cursar com hiperemia discreta, secreção mucopurulenta escassa e queimação, frequentemente bilateral e associada a blefarite. O diagnóstico é clínico, mas a cultura conjuntival pode ser útil em casos persistentes ou resistentes à terapia.
A distinção entre os tipos de conjuntivite bacteriana é essencial para a escolha terapêutica e para a avaliação de gravidade. Enquanto a forma hiperaguda exige tratamento sistêmico imediato, a forma aguda responde bem a antibióticos tópicos, e a crônica pode necessitar de tratamento prolongado e associação com higiene palpebral. A banca explora exatamente essa classificação temporal, cobrando o conhecimento do agente etiológico mais frequente em cada apresentação.
Guarde a associação entre o agente e o tipo de conjuntivite: é exatamente nessa correlação que as alternativas se dividem.
A conjuntivite bacteriana hiperaguda é classicamente causada por Neisseria gonorrhoeae, não pela Moraxella lacunata. A forma hiperaguda tem início abrupto, secreção purulenta abundante, edema palpebral intenso e risco de perfuração corneana, sendo uma emergência oftalmológica. A Moraxella lacunata não está associada a esse quadro fulminante.
A Moraxella lacunata é o agente mais frequentemente associado à conjuntivite bacteriana crônica, especialmente na forma de blefaroconjuntivite angular. Essa apresentação cursa com sintomas persistentes por semanas, hiperemia discreta, secreção mucopurulenta escassa e acometimento característico do canto medial do olho. O tratamento envolve antibióticos tópicos e higiene palpebral.
A conjuntivite bacteriana aguda é mais comumente causada por Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Esses agentes são responsáveis pela maioria dos casos agudos, com início súbito e secreção mucopurulenta. A Moraxella lacunata não é o agente mais frequente nessa apresentação.
A conjuntivite viral é causada principalmente por adenovírus e enterovírus, não por bactérias. A Moraxella lacunata é uma bactéria gram-negativa e, portanto, não está associada à etiologia viral. A conjuntivite viral apresenta características clínicas distintas, como secreção aquosa, folículos e adenopatia pré-auricular.
A conjuntivite alérgica é uma reação de hipersensibilidade, não uma infecção bacteriana. A Moraxella lacunata é um agente infeccioso bacteriano, não um alérgeno. A conjuntivite alérgica cursa com prurido intenso, hiperemia e secreção mucoide, frequentemente associada a história de exposição a alérgenos.
A banca explora a associação automática entre "bactéria" e "conjuntivite aguda", levando o candidato a escolher a alternativa C. No entanto, a Moraxella lacunata é um caso especial: ela é mais frequente na forma crônica, não na aguda. Lembre-se: hiperaguda = gonococo; aguda = estafilococo/pneumococo/haemophilus; crônica = Moraxella. Com esse mapa, você não cai nessa troca.
Gabarito: letra B
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