Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025
- Código
- fg115574
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPU
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista do - Oftalmologia
- Aedema macular cistoide;
- Bpigmentação palpebral;
- Ccrescimento dos cílios;
- Desclerite necrosante;
- Eblefarite.
GabaritoD — esclerite necrosante;
Gabarito: letra D. A espondilite anquilosante (EA) é uma espondiloartrite soronegativa cuja manifestação oftalmológica clássica e mais comum é a uveíte anterior aguda (UAA), e não a esclerite necrosante. A alternativa D está correta porque a esclerite necrosante, embora seja uma manifestação ocular possível, é uma forma grave e menos frequente de inflamação escleral que pode ocorrer em doenças autoimunes como a EA. As demais alternativas (edema macular cistoide, pigmentação palpebral, crescimento dos cílios e blefarite) não são manifestações oftalmológicas típicas da espondilite anquilosante.
A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente o esqueleto axial, mas que também pode acometer outros sistemas, incluindo os olhos. A manifestação ocular mais característica e prevalente é a uveíte anterior aguda, que ocorre em até 40% dos pacientes, especialmente naqueles HLA-B27 positivos. Essa uveíte costuma ser unilateral, dolorosa, com hiperemia conjuntival e borramento visual, e pode ser recorrente. Outras manifestações oculares menos comuns incluem esclerite, episclerite e conjuntivite.
A esclerite necrosante, especificamente, é uma forma grave de inflamação escleral que pode levar à necrose e perfuração do olho. Embora seja uma complicação rara, pode estar associada a doenças autoimunes sistêmicas, incluindo a espondilite anquilosante. É importante diferenciar a esclerite da episclerite, que é uma inflamação mais superficial e benigna.
As demais alternativas representam condições oculares que não estão tipicamente associadas à espondilite anquilosante. O edema macular cistoide é mais comum em uveítes posteriores, retinopatia diabética ou após cirurgias oculares. A pigmentação palpebral e o crescimento dos cílios são efeitos colaterais conhecidos dos análogos de prostaglandina, usados no tratamento do glaucoma, e não manifestações da EA. A blefarite, por sua vez, é uma inflamação crônica das margens palpebrais, frequentemente associada à rosácea ou disfunção das glândulas de Meibomius, e não à espondilite anquilosante.
A pegadinha desta questão está em associar as manifestações oculares da espondilite anquilosante com os efeitos colaterais do medicamento que o paciente utiliza (análogo de prostaglandina). O enunciado menciona que o paciente é usuário de análogo de prostaglandina, o que pode levar o candidato a confundir os efeitos colaterais da medicação (pigmentação palpebral, crescimento dos cílios) com as manifestações da doença de base. É fundamental conhecer as manifestações extra-articulares da EA para responder corretamente.
O edema macular cistoide é uma condição caracterizada por acúmulo de líquido na mácula, frequentemente associada a uveítes posteriores, retinopatia diabética, oclusões vasculares ou pós-operatório de cirurgias oculares. Não é uma manifestação oftalmológica típica da espondilite anquilosante, que cursa preferencialmente com uveíte anterior.
A pigmentação palpebral é um efeito colateral bem documentado dos análogos de prostaglandina, como o latanoprosta, utilizado no tratamento do glaucoma. O enunciado menciona que o paciente faz uso dessa medicação, o que pode confundir o candidato. No entanto, essa é uma característica do medicamento, não da espondilite anquilosante.
O crescimento dos cílios (hipertricose) é outro efeito colateral clássico dos análogos de prostaglandina, assim como a pigmentação palpebral. Novamente, trata-se de uma reação adversa ao medicamento, e não uma manifestação da doença de base.
A esclerite necrosante é uma forma grave de inflamação escleral que pode ocorrer em doenças autoimunes sistêmicas, incluindo a espondilite anquilosante. Embora seja menos comum que a uveíte anterior, é uma manifestação oftalmológica reconhecida da doença. A esclerite necrosante caracteriza-se por áreas de necrose escleral, podendo levar à perfuração ocular e perda visual, exigindo tratamento agressivo e imediato.
A blefarite é uma inflamação crônica das margens palpebrais, frequentemente associada à disfunção das glândulas de Meibomius, rosácea ou infecção por Staphylococcus aureus. Embora possa estar presente em pacientes com doenças sistêmicas, não é uma manifestação característica da espondilite anquilosante.
A banca explora a associação entre o medicamento (análogo de prostaglandina) e seus efeitos colaterais (pigmentação palpebral, crescimento dos cílios) para confundir o candidato. É essencial distinguir as manifestações da doença de base das reações adversas ao tratamento. A espondilite anquilosante tem como manifestação ocular clássica a uveíte anterior aguda, e a esclerite necrosante é uma forma grave e menos comum.
Para questões sobre espondiloartrites, memorize as manifestações extra-articulares de cada uma: espondilite anquilosante (uveíte anterior, aortite, fibrose pulmonar apical), artrite reativa (conjuntivite, uretrite, ceratodermia blenorrágica), artrite psoriásica (uveíte, conjuntivite) e artrite enteropática (uveíte, eritema nodoso). A uveíte anterior é a manifestação ocular mais comum em todas elas, mas a esclerite necrosante é uma complicação grave que pode ocorrer, especialmente na EA.
Gabarito: letra D
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