Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FGV 2025
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
fg115674
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Perito em Biologia
O mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), endêmico da Mata Atlântica do interior de São Paulo, é uma das espécies de primatas mais ameaçadas de extinção do mundo. Entre as recentes ações para evitar a extinção do animal, foi realizada a transferência de cinco micos do Parque Estadual Morro do Diabo (que abriga uma população de cerca de 1.200 indivíduos) para a reserva legal da Fazenda Santa Maria, onde vivem menos de 20 micos. As duas áreas são fragmentos de floresta da Mata Atlântica, localizados na região do Pontal do Paranapanema (SP).(Adaptado de: https://faunanews.com.br/programa-deconservacao-do-mico-leao-preto-completa-40-anos/)A translocação de organismos acima descrita é um exemplo de:
Areintrodução;
Bsubstituição ecológica;
Cintrodução para conservação;
Dcolonização assistida;
Ereforço populacional.
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GabaritoE — reforço populacional.
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Translocação de organismos e reforço populacional
Gabarito: letra E. A transferência de micos de uma população grande (Parque Estadual Morro do Diabo, ~1.200 indivíduos) para uma população pequena (Fazenda Santa Maria, <20 indivíduos) da mesma espécie, com o objetivo de aumentar o número de indivíduos e a variabilidade genética dessa população reduzida, é o conceito clássico de reforço populacional (ou suplementação). A alternativa correta é a letra E.
A questão cobra a distinção entre as diferentes técnicas de translocação de organismos usadas na biologia da conservação. Todas as alternativas envolvem a movimentação intencional de indivíduos, mas cada uma tem um objetivo e um contexto específico. O ponto central é identificar o estado da população receptora e a origem dos indivíduos translocados.
Reforço populacional (ou suplementação) é a soltura de indivíduos de uma mesma espécie em uma área onde já existe uma população pequena e vulnerável, com o objetivo de aumentar seu tamanho e sua diversidade genética, reduzindo o risco de extinção. É exatamente o que ocorre no caso: a população da Fazenda Santa Maria é minúscula (menos de 20 indivíduos) e recebe indivíduos de uma população maior e saudável (Morro do Diabo).
A reintrodução, por sua vez, é a soltura de indivíduos em uma área onde a espécie havia sido extinta — ou seja, não existe mais nenhuma população natural naquele local. A introdução para conservação (ou translocação de salvamento) é a movimentação de indivíduos para uma área fora da distribuição histórica da espécie, geralmente para escapar de ameaças no habitat original. A colonização assistida é um tipo específico de introdução para conservação, voltado para migração assistida em resposta às mudanças climáticas. A substituição ecológica é um conceito diferente, que envolve a introdução de uma espécie para ocupar o papel ecológico de outra espécie extinta.
A pegadinha da banca está em confundir reforço populacional com reintrodução. A diferença crucial é: na reintrodução, a espécie não existe mais na área; no reforço, a espécie já existe, mas em número insuficiente. No caso do mico-leão-preto, a Fazenda Santa Maria ainda abriga uma população (ainda que pequena), portanto não se trata de reintrodução.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Reintrodução seria a soltura em área onde a espécie foi extinta. No caso, a Fazenda Santa Maria ainda tem uma população de micos (menos de 20), portanto não houve extinção local. A reintrodução é para áreas onde a espécie desapareceu completamente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Substituição ecológica é a introdução de uma espécie para ocupar o nicho ecológico de outra espécie que foi extinta. Não é o caso: os micos translocados são da mesma espécie que já vive na área receptora, e não há substituição de nenhuma espécie.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Introdução para conservação (ou translocação de salvamento) é a movimentação de indivíduos para uma área fora da distribuição histórica da espécie, com o objetivo de criar uma nova população. No caso, a Fazenda Santa Maria está dentro da distribuição natural do mico-leão-preto (Mata Atlântica do interior de SP), e a espécie já ocorre lá. Portanto, não é uma introdução em área nova.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Colonização assistida é um tipo de introdução para conservação, especificamente voltado para migração assistida em resposta às mudanças climáticas, movendo espécies para áreas mais adequadas fora de sua distribuição atual. Não se aplica ao caso, pois a área receptora está dentro da distribuição histórica e a espécie já está presente.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reforço populacional (ou suplementação) é a soltura de indivíduos de uma mesma espécie em uma área onde já existe uma população pequena e vulnerável, com o objetivo de aumentar seu tamanho e sua variabilidade genética. É exatamente o que ocorre: a população da Fazenda Santa Maria (<20 indivíduos) recebe indivíduos do Morro do Diabo (~1.200), reforçando a população local. A alternativa está correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir reforço populacional com reintrodução. A chave é verificar se a espécie já existe na área receptora: se existe (mesmo em número pequeno), é reforço; se foi extinta, é reintrodução. No caso, a Fazenda Santa Maria ainda tem micos, então é reforço. Fique atento a essa distinção, pois é clássica em questões de conservação.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as técnicas de translocação, pergunte-se: a espécie já existe na área? Se sim, é reforço. Se não existia e foi extinta, é reintrodução. Se nunca existiu e está fora da distribuição histórica, é introdução para conservação (ou colonização assistida, se for por mudanças climáticas). Memorize essa lógica e você acertará qualquer questão sobre o tema.