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Questão de Psicologia — Vitimologia — FGV 2025

PsicologiaVitimologia
Código
fg116478
Banca
FGV
Órgão
PC-MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia Substituto
Com relação aos estudos de Vitimologia, assinale a afirmativa correta.
  1. ASíndrome de Estocolmo se refere ao contexto em que uma mulher, ao ser rejeitada, acusa falsamente alguém da prática de um crime sexual.
  2. BSíndrome de Londres é o fenômeno psicológico em que as vítimas de um sequestro ou de uma situação traumática desenvolvem sentimentos de empatia ou afeto pelos seus agressores.
  3. CSíndrome da mulher de Potifar é o fenômeno psicológico em que as vítimas de um sequestro adotam uma postura de desobediência em relação aos sequestradores.
  4. DVitimização primária é o fenômeno que se refere ao sofrimento imposto à vítima de um crime em razão das frustrações oriundas do sistema de justiça criminal.
  5. EVitimização terciária é o fenômeno que se refere à estigmatização imposta pelo meio social à vítima após o crime.
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GabaritoE — Vitimização terciária é o fenômeno que se refere à estigmatização imposta pelo meio social à vítima após o crime.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vitimologia: conceitos fundamentais

Gabarito: letra E. A vitimização terciária é, de fato, o fenômeno da estigmatização imposta pelo meio social à vítima após o crime — é a "segunda agressão" sofrida pela vítima, agora vinda da sociedade, da mídia, do preconceito e da rotulação. As demais alternativas trocam os conceitos entre si: a Síndrome de Estocolmo é o vínculo afetivo com o agressor (não a falsa acusação), a Síndrome da mulher de Potifar é a falsa acusação de crime sexual (não a desobediência), e a vitimização primária é o sofrimento causado pelo próprio crime (não pelo sistema de justiça).

A Vitimologia é o campo de estudo que se dedica à vítima do crime: seu papel, sua personalidade, sua relação com o agressor e, principalmente, os danos que sofre. Um dos eixos centrais da disciplina é a classificação da vitimização em três níveis, que descrevem as diferentes fontes de sofrimento que atingem a vítima ao longo do processo criminal e social. Compreender essa gradação é essencial para responder questões como esta, que cobram a distinção entre os três tipos.

A vitimização primária é o dano direto causado pela conduta criminosa em si — a lesão física, o trauma psicológico, o prejuízo material. É o sofrimento imediato decorrente do crime. A vitimização secundária (também chamada de revitimização ou sobrevitimização) é o sofrimento adicional imposto à vítima pelo sistema de justiça criminal: as repetidas oitivas, a exposição, a demora processual, o tratamento insensível de autoridades. Já a vitimização terciária é a estigmatização social — o preconceito, a rotulação, a exclusão e o julgamento moral que a vítima sofre da comunidade após o crime. É exatamente essa a definição da alternativa E.

A banca explora a confusão entre esses três níveis e também entre as síndromes de nomenclatura parecida. Vejamos cada alternativa.

Conceito

Definição correta

Fonte do sofrimento

Vitimização primária

Dano direto causado pelo crime (trauma, lesão, prejuízo)

O próprio crime

Vitimização secundária

Sofrimento adicional imposto pelo sistema de justiça (repetidas oitivas, exposição, demora)

Sistema de justiça criminal

Vitimização terciária

Estigmatização, preconceito e rotulação social após o crime

Meio social / sociedade

Síndrome de Estocolmo

Vínculo afetivo ou empatia da vítima com o agressor (em sequestros)

Relação com o agressor

Síndrome da mulher de Potifar

Falsa acusação de crime sexual por pessoa rejeitada

Rejeição / vingança

Vitimização
  • 1Primária
    • Dano direto do crime
  • 2Secundária
    • Sofrimento pelo sistema de justiça
  • 3Terciária
    • Estigmatização social
  • 4Síndromes
    • Estocolmo
      • Vínculo afetivo com o agressor
    • Mulher de Potifar
      • Falsa acusação por rejeição
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A descrição dada — "mulher, ao ser rejeitada, acusa falsamente alguém da prática de um crime sexual" — corresponde à Síndrome da mulher de Potifar, não à Síndrome de Estocolmo. A Síndrome de Estocolmo é o fenômeno em que a vítima desenvolve vínculo afetivo ou empatia com o agressor, geralmente em situações de sequestro ou cárcere. A banca trocou os epônimos: o que está descrito aqui é a falsa acusação de estupro por rejeição, que remete à história bíblica da esposa de Potifar.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A definição apresentada — "vítimas de um sequestro ou de uma situação traumática desenvolvem sentimentos de empatia ou afeto pelos seus agressores" — é a descrição correta da Síndrome de Estocolmo, mas a alternativa a nomeia como "Síndrome de Londres". Não existe uma "Síndrome de Londres" com esse significado na literatura de Vitimologia; o nome correto do fenômeno é Síndrome de Estocolmo, em referência ao assalto ao banco Kreditbanken, em Estocolmo, em 1973. A banca trocou o nome da síndrome.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Aqui a banca inverte os conceitos. A "Síndrome da mulher de Potifar" é o fenômeno da falsa acusação de crime sexual por uma pessoa rejeitada — como descrito na alternativa A. A alternativa C, ao contrário, atribui a essa síndrome uma "postura de desobediência em relação aos sequestradores", o que não corresponde a nenhum conceito consagrado. A descrição de "desobediência" não se encaixa em nenhuma das síndromes clássicas da Vitimologia; o que existe é a Síndrome de Estocolmo (vínculo com o agressor) e, em alguns estudos, a chamada "Síndrome de Lima" (que envolve reações de resistência ou cooperação em situações de sequestro, mas não é o caso aqui). A alternativa mistura elementos sem fundamento teórico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A definição apresentada — "sofrimento imposto à vítima de um crime em razão das frustrações oriundas do sistema de justiça criminal" — corresponde à vitimização secundária (ou revitimização), não à primária. A vitimização primária é o dano causado diretamente pelo crime, como o trauma do assalto ou da agressão. A banca trocou os níveis: o sofrimento causado pelo sistema de justiça é secundário, pois ocorre depois do crime, durante o processo de persecução penal.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E define corretamente a vitimização terciária como "a estigmatização imposta pelo meio social à vítima após o crime". Esse é o conceito clássico: após o crime (vitimização primária) e após o contato com o sistema de justiça (vitimização secundária), a vítima ainda pode sofrer com o preconceito, a rotulação e a exclusão social — a chamada "segunda vitimização" ou "vitimização terciária". É o julgamento social, a desconfiança, a culpabilização da vítima (como em casos de violência sexual, em que se questiona a conduta da vítima). A alternativa está tecnicamente correta e é a única que apresenta uma definição fiel ao conceito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os conceitos entre as três formas de vitimização e entre as síndromes de nome parecido. Aqui, ela trocou: (1) Síndrome de Estocolmo ↔ Síndrome da mulher de Potifar (alternativas A e B); (2) vitimização primária ↔ secundária (alternativa D); e (3) inventou uma "Síndrome de Londres" e uma "postura de desobediência" que não existem na literatura (alternativas B e C). Para não cair, decore o tripé: primária = crime; secundária = sistema de justiça; terciária = sociedade. E lembre: Estocolmo = vínculo com o agressor; Potifar = falsa acusação por rejeição.

PEGA ESSA DICA!

Monte uma tabela mental com os três níveis de vitimização e as principais síndromes. Na prova, leia a definição e pergunte: "quem causou esse sofrimento?" Se foi o crime → primária; se foi o sistema de justiça → secundária; se foi a sociedade → terciária. Para as síndromes, associe: Estocolmo = afeto pelo sequestrador; Potifar = falsa acusação sexual por rejeição. Com esse esquema, você resolve qualquer questão do tema.

Gabarito: letra E

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