Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
fg116539
Banca
FGV
Órgão
PC-MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Legista
A sífilis é uma doença infectocontagiosa, transmitida pela via sexual e verticalmente durante a gestação. No laboratório clínico temos os testes treponêmicos e não treponêmicos.Em relação a esses testes, assinale a afirmativa correta.
  1. AFTA-Abs é um teste de biologia molecular padrão ouro para sífilis utilizado nas rotinas de diagnósticos e pesquisas.
  2. BPara evitar o efeito prozona no teste VDRL são realizadas diluições seriadas diminuindo resultados falsos negativos.
  3. COs principais testes treponêmicos são VDRL, RPR, USR e TRUST.
  4. DA sífilis é causada pelo parasita Treponema Pallidum.
  5. EA detecção da sífilis é realizada apenas por meio de exames imunológicos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Para evitar o efeito prozona no teste VDRL são realizadas diluições seriadas diminuindo resultados falsos negativos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sífilis: testes treponêmicos e não treponêmicos

Gabarito: letra B. O efeito prozona é um fenômeno que ocorre nos testes não treponêmicos (como o VDRL) quando há excesso de anticorpos em relação ao antígeno, impedindo a formação da rede antígeno-anticorpo e gerando um resultado falso-negativo. Para evitar esse problema, realizam-se diluições seriadas da amostra, que reduzem a concentração de anticorpos e permitem a detecção da reação, diminuindo os falsos negativos. Essa é a afirmativa correta, conforme o Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis do Ministério da Saúde.

A sífilis é uma infecção bacteriana sistêmica, crônica e curável, causada pelo Treponema pallidum, uma espiroqueta. O diagnóstico laboratorial é feito por duas categorias de testes imunológicos: os testes não treponêmicos (VDRL, RPR, USR e TRUST), que detectam anticorpos anticardiolipina (reaginas) e são utilizados para triagem e monitoramento da resposta ao tratamento, e os testes treponêmicos (FTA-Abs, ELISA, TPHA, EQL e testes rápidos), que detectam anticorpos específicos contra o T. pallidum e permanecem reagentes por toda a vida, não sendo úteis para monitorar a cura. A escolha e a interpretação dos testes dependem do estágio clínico da doença e da correlação com dados clínicos e epidemiológicos.

O efeito prozona é uma armadilha clássica nos testes não treponêmicos. Ele ocorre quando há um excesso de anticorpos na amostra, saturando os antígenos e impedindo a formação da malha de floculação, o que resulta em um falso-negativo. As diluições seriadas (1:2, 1:4, 1:8, etc.) resolvem esse problema ao reduzir a concentração de anticorpos, permitindo que a reação ocorra e o resultado seja corretamente interpretado. Essa é a base da afirmativa B, que está correta.

A distinção fundamental entre os dois grupos de testes é o que eles detectam: os não treponêmicos detectam anticorpos inespecíficos (anticardiolipina), enquanto os treponêmicos detectam anticorpos específicos contra o T. pallidum. Essa diferença explica por que os testes não treponêmicos são usados para monitorar a atividade da doença (os títulos caem com o tratamento) e os treponêmicos são usados para confirmar a infecção (permanecem positivos). A banca explora exatamente essa confusão nas alternativas, trocando os nomes dos testes e suas funções.

Guarde a fronteira entre os dois grupos de testes e o que cada um detecta: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A alternativa B é a única que descreve corretamente um fenômeno técnico real e sua solução prática.

Testes para sífilis
  • 1Não treponêmicos
    • Detectam anticorpos anticardiolipina (reaginas)
    • VDRL, RPR, USR, TRUST
    • Triagem e monitoramento da cura
    • Efeito prozona (falso-negativo)
      • Diluições seriadas resolvem
  • 2Treponêmicos
    • Detectam anticorpos específicos anti-T. pallidum
    • FTA-Abs, ELISA, TPHA, EQL, testes rápidos
    • Confirmam infecção (reagem por toda a vida)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O FTA-Abs é um teste treponêmico de imunofluorescência indireta, não um teste de biologia molecular. O padrão ouro para diagnóstico da sífilis não é um único teste, mas a combinação de um teste treponêmico com um não treponêmico. A biologia molecular (PCR) não é utilizada na rotina diagnóstica da sífilis, sendo o FTA-Abs um teste sorológico.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O efeito prozona é um fenômeno real nos testes não treponêmicos, como o VDRL, em que o excesso de anticorpos impede a reação de floculação, gerando falso-negativo. As diluições seriadas reduzem a concentração de anticorpos, permitindo a detecção da reação e diminuindo os falsos negativos. Essa é a descrição correta do fenômeno e de sua solução.

Alternativa C — ❌ Incorreta

VDRL, RPR, USR e TRUST são testes não treponêmicos, não treponêmicos. Os testes treponêmicos são FTA-Abs, ELISA, TPHA, EQL e testes rápidos. A alternativa inverte a classificação dos testes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum, que é uma espiroqueta, não um parasita. O termo "parasita" é incorreto para classificar essa bactéria.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A detecção da sífilis não é realizada apenas por exames imunológicos. Existem também exames diretos, como a microscopia em campo escuro, que permite a visualização direta do T. pallidum em lesões, especialmente na sífilis primária. Os exames imunológicos são os mais utilizados, mas não são os únicos.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fg116539