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Questão de Medicina — Patologia Clínica — FGV 2025

MedicinaPatologia Clínica
Código
fg116540
Banca
FGV
Órgão
PC-MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Legista
Paciente do gênero masculino, 53 anos, foi admitido no PS com queixas de dores no peito, com dificuldade para falar e respirar. Com base nos sintomas clínicos mencionados, assinale a opção que indica os exames específicos que deverão ser solicitados para o diagnóstico dessa ocorrência.
  1. ALDH1; CK-MB; Troponina.
  2. BCreatinina, IL-1; T4 Livre.
  3. CHemoglobina glicada (HbA1c ) e insulina.
  4. DLDH-3 e CK- Total.
  5. EAlbumina e colesterol.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — LDH1; CK-MB; Troponina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome coronariana aguda: marcadores de necrose miocárdica

Gabarito: letra A. O quadro clínico — dor torácica, dificuldade para falar e respirar — é altamente sugestivo de síndrome coronariana aguda (SCA), e os exames laboratoriais específicos para confirmar o diagnóstico são os marcadores de necrose miocárdica: troponina, CK-MB e LDH1 (isoenzima cardíaca da lactato desidrogenase). A troponina é o marcador de escolha pela alta sensibilidade e especificidade; a CK-MB é útil na detecção precoce e na avaliação de reinfarto; a LDH1, embora menos específica, eleva-se mais tardiamente e ajuda na confirmação. As demais alternativas trazem exames para outras condições clínicas, sem relação com o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio.

A síndrome coronariana aguda engloba um espectro de condições que vão da angina instável ao infarto agudo do miocárdio (IAM) com ou sem supradesnivelamento do segmento ST. A fisiopatologia central é a ruptura de uma placa aterosclerótica coronariana, que leva à formação de trombo e à obstrução parcial ou total do fluxo sanguíneo. Quando a obstrução é completa e prolongada, ocorre necrose do miocárdio, que libera proteínas intracelulares na circulação — são os chamados marcadores de necrose miocárdica.

O diagnóstico laboratorial da SCA baseia-se na dosagem desses marcadores, que apresentam cinéticas diferentes de elevação e queda. A troponina (TnI ou TnT) é o marcador mais sensível e específico, elevando-se em 2 a 4 horas após o início dos sintomas e permanecendo elevada por 7 a 14 dias. A CK-MB (isoenzima MB da creatinoquinase) eleva-se em 3 a 6 horas, atinge pico em 12 a 24 horas e normaliza em 48 a 72 horas, sendo útil para detectar reinfarto. A LDH1 (isoenzima 1 da lactato desidrogenase) eleva-se mais tardiamente (24 a 48 horas) e permanece elevada por até 10 dias, sendo um marcador de confirmação tardia. A combinação desses três marcadores permite uma avaliação temporal mais completa do evento isquêmico.

Na prática clínica, a troponina de alta sensibilidade é o exame de primeira linha, com medições seriadas (na admissão e após 1 a 3 horas). A CK-MB, embora tenha sido o padrão-ouro no passado, hoje é utilizada como complemento, especialmente na suspeita de reinfarto precoce. A LDH1, por sua vez, caiu em desuso na rotina, mas ainda é cobrada em provas como marcador de necrose miocárdica, especialmente quando se fala em isoenzimas. É importante destacar que a eletrocardiografia (ECG) e a dosagem seriada de troponina são os pilares do diagnóstico, mas a questão pede especificamente os exames laboratoriais.

A banca explora a associação automática entre dor torácica e exames cardíacos, mas inclui distratores que avaliam outras condições. A alternativa correta reúne os três marcadores de necrose miocárdica, enquanto as demais trazem exames para diabetes, função renal, tireoide, doença pulmonar ou perfil lipídico. O candidato que conhece a cinética dos marcadores e sua aplicação clínica identifica facilmente a resposta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os marcadores de necrose miocárdica por exames de outras condições clínicas. A alternativa D, por exemplo, cita LDH-3 e CK-Total — mas a LDH-3 é a isoenzima pulmonar e a CK-Total não é específica para o coração. O candidato que decora apenas "CK e LDH" sem saber as isoenzimas cai na armadilha. Lembre-se: no IAM, o que importa é a LDH1 (cardíaca) e a CK-MB (isoenzima MB), não a CK total.

  1. 1Troponina (2-4h, pico 7-14d)
  2. 2CK-MB (3-6h, pico 12-24h)
  3. 3LDH1 (24-48h, até 10d)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa reúne os três marcadores de necrose miocárdica: LDH1 (isoenzima cardíaca da lactato desidrogenase), CK-MB (isoenzima MB da creatinoquinase) e troponina. Esses exames são solicitados na suspeita de síndrome coronariana aguda para confirmar o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio. A troponina é o marcador de escolha pela alta sensibilidade e especificidade; a CK-MB é útil na detecção precoce e na avaliação de reinfarto; a LDH1, embora menos específica, eleva-se mais tardiamente e ajuda na confirmação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa traz creatinina (avalia função renal), IL-1 (interleucina-1, citocina inflamatória) e T4 livre (hormônio tireoidiano). Nenhum desses exames é utilizado no diagnóstico de síndrome coronariana aguda. A creatinina pode ser solicitada em contexto de insuficiência renal, a IL-1 em doenças inflamatórias e o T4 livre em disfunções tireoidianas — todos sem relação com o quadro de dor torácica sugestivo de IAM.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa traz hemoglobina glicada (HbA1c) e insulina, exames utilizados no diagnóstico e monitoramento do diabetes mellitus. Embora o diabetes seja um fator de risco para doença arterial coronariana, esses exames não são solicitados para o diagnóstico de síndrome coronariana aguda. A HbA1c reflete o controle glicêmico dos últimos 3 meses, e a insulina avalia a função pancreática — sem relação com o quadro agudo de dor torácica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa traz LDH-3 e CK-Total. A LDH-3 é a isoenzima predominante no pulmão, e a CK-Total não é específica para o coração, pois também se eleva em lesões musculares esqueléticas. No diagnóstico de IAM, o que se solicita é a LDH1 (isoenzima cardíaca) e a CK-MB (isoenzima MB), não a CK total. A alternativa confunde as isoenzimas e utiliza um marcador inespecífico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa traz albumina e colesterol. A albumina é uma proteína plasmática avaliada em doenças hepáticas, renais ou desnutrição; o colesterol faz parte do perfil lipídico, utilizado na avaliação de risco cardiovascular, mas não no diagnóstico agudo de IAM. Nenhum desses exames é solicitado para confirmar a síndrome coronariana aguda.

Gabarito: letra A — LDH1, CK-MB e Troponina são os marcadores de necrose miocárdica solicitados no diagnóstico de síndrome coronariana aguda.

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