Questão de Biologia — Hereditariedade e diversidade da vida — FGV 2025
- Código
- fg116581
- Banca
- FGV
- Órgão
- PC-MG
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Perito Criminal - Área I
- AI, apenas.
- BII, apenas.
- CIII, apenas.
- DI e III, apenas.
- EI, II e III.
GabaritoB — II, apenas.
Gabarito: letra B — apenas o item II está correto. A questão testa três conhecimentos de biologia molecular aplicados à genética forense: a natureza das ligações no DNA, o princípio da eletroforese em gel e o funcionamento da PCR na identificação individual. O item I erra ao inverter a força das ligações (as pontes de hidrogênio entre as bases são mais fracas que as ligações covalentes do esqueleto açúcar-fosfato), e o item III erra ao afirmar que a PCR usa sequências que não variam na população para gerar um perfil individual — na verdade, o DNA fingerprint explora justamente as regiões variáveis (polimórficas) entre as pessoas.
A genética forense se apoia em três pilares: a estrutura do DNA, que permite sua extração e análise; a eletroforese, que separa fragmentos por tamanho; e a PCR, que amplifica regiões específicas do genoma. Vamos entender cada um para julgar os itens com precisão.
O item afirma que as ligações entre os pares de bases são mais fortes que as ligações açúcar-fosfato. Isso está invertido. No DNA, as duas fitas são mantidas unidas por pontes de hidrogênio entre as bases nitrogenadas complementares (A-T e C-G), que são ligações fracas. Já o esqueleto da molécula é formado por ligações fosfodiéster (covalentes) entre os grupos açúcar e fosfato, que são ligações fortes. É justamente a fraqueza das pontes de hidrogênio que permite a separação das fitas durante a duplicação e a transcrição, sem romper a cadeia principal. A banca trocou a hierarquia de forças: as ligações fortes são as covalentes do esqueleto, não as de hidrogênio entre as bases.
A eletroforese em gel separa moléculas de DNA pelo tamanho: fragmentos menores migram mais rápido através da matriz do gel, enquanto fragmentos maiores migram mais lentamente, pois encontram maior resistência. Após a corrida, os fragmentos de mesmo comprimento formam bandas distintas, que podem ser visualizadas por coloração ou fluorescência. Esse é o princípio básico da técnica, usado tanto para análise de fragmentos de restrição quanto para sequenciamento. O item descreve corretamente o fenômeno.
O item contém um erro conceitual crucial. Para gerar um DNA fingerprint (impressão digital genética) distinto para cada pessoa, a PCR deve amplificar regiões do genoma que variam entre os indivíduos — os chamados polimorfismos (como STRs — short tandem repeats, ou VNTRs). Se os iniciadores (primers) tivessem como alvo sequências que não sofrem variação na população (regiões conservadas), todos os indivíduos produziriam o mesmo padrão de bandas, tornando impossível distinguir uma pessoa da outra. A banca inverteu a lógica: a identificação individual depende da variabilidade, não da conservação. As regiões conservadas são úteis, por exemplo, para identificar espécies, mas não para diferenciar indivíduos da mesma espécie.
A banca adora inverter conceitos em genética forense. Aqui, ela trocou a força das ligações no DNA (item I) e a finalidade das sequências-alvo na PCR (item III). No item I, lembre-se: pontes de hidrogênio são fracas (permitem a separação das fitas); ligações fosfodiéster são fortes (formam o esqueleto). No item III, o DNA fingerprint usa regiões variáveis (polimórficas), não conservadas. Com esse raciocínio, você elimina os itens errados sem hesitar. 💪
Gabarito: letra B — apenas o item II está correto.
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