Questão de Biologia — Vírus e bactérias — FGV 2025
Biologia›Vírus e bactérias
Código
fg119548
Banca
FGV
Órgão
SEDUC-MT
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica - Habilitação: Biologia
A introdução de organismos geneticamente modificados (OGMs) tem sido um marco na biotecnologia agrícola, trazendo benefícios como o aumento da produtividade e a resistência a pragas. Um exemplo relevante é o milho Bt (Bacillus thuringiensis), que possui genes da bactéria B. thuringiensis, conferindo resistência a determinados insetos. Um estudo publicado na Frontiers in Plant Science (2023) analisou o impacto do milho Bt em plantações dos Estados Unidos e da América Latina, demonstrando redução significativa no uso de pesticidas e aumento da produtividade em até 25%. Contudo, preocupações sobre o impacto ambiental e o surgimento de pragas resistentes têm sido levantadas. Em 2022, um surto de lagartas Spodoptera frugiperda resistentes ao milho Bt foi registrado no Brasil, destacando os desafios da resistência genética.Uma medida biotecnológica viável para mitigar a resistência de pragas aos OGMs seria:
Aa utilização exclusiva de monoculturas transgênicas para eliminar pragas mais rapidamente.
Bo desenvolvimento de cultivares transgênicos combinando diferentes genes de resistência em uma única planta.
Ca aplicação contínua de pesticidas sintéticos em lavouras de OGMs para evitar a adaptação das pragas.
Da modificação genética de predadores naturais das pragas para aumentar sua eficiência de predação.
Ea eliminação de refúgios (áreas com plantas não transgênicas) para evitar que as pragas se alimentem de plantas sem resistência.
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GabaritoB — o desenvolvimento de cultivares transgênicos combinando diferentes genes de resistência em uma única planta.
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Mitigação da resistência de pragas a OGMs
Gabarito: letra B. A estratégia mais eficaz para retardar a resistência de pragas a organismos geneticamente modificados (OGMs) é o desenvolvimento de cultivares que combinam múltiplos genes de resistência (gene stacking/pyramiding). Isso torna mais difícil para a praga desenvolver resistência simultânea a vários mecanismos de ação.
A questão aborda um problema central da biotecnologia agrícola: a pressão seletiva exercida pelo uso contínuo de OGMs com um único gene de resistência (como o milho Bt) pode levar ao surgimento de populações de pragas resistentes. A medida correta é aumentar a complexidade da defesa da planta, não simplificá-la.
Mitigação da resistência de pragas a OGMs
1Estratégia correta
Gene stacking/pyramiding
Múltiplos genes de resistência na mesma planta
Ex: duas ou mais toxinas Bt distintas
Dificulta resistência simultânea
2Estratégias incorretas
Monocultura transgênica com gene único
Acelera seleção de pragas resistentes
Aplicação contínua de pesticidas sintéticos
Aumenta pressão seletiva
Dano ambiental
Modificação genética de predadores naturais
Não mitiga resistência a OGMs
Desafios éticos e ecológicos
Eliminação de refúgios
Refúgios preservam pragas suscetíveis
Eliminá-los acelera resistência
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Monoculturas transgênicas com um único gene de resistência aceleram a seleção de pragas resistentes, pois toda a plantação exerce a mesma pressão seletiva. É o oposto do que se deseja.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O desenvolvimento de cultivares transgênicos com diferentes genes de resistência em uma única planta (por exemplo, combinando duas ou mais toxinas Bt distintas) é uma estratégia reconhecida para dificultar o surgimento de resistência. Se uma praga desenvolver resistência a uma toxina, a outra ainda a controla.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A aplicação contínua de pesticidas sintéticos também aumenta a pressão seletiva e pode levar ao surgimento de pragas resistentes aos pesticidas, além de ser ambientalmente danosa. Não mitiga a resistência aos OGMs.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A modificação genética de predadores naturais não é uma medida biotecnológica direta para mitigar a resistência das pragas aos OGMs. Além disso, manipular o genoma de predadores apresenta desafios éticos e ecológicos complexos, sem garantia de eficácia contra a resistência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Refúgios (áreas com plantas não transgênicas) são, na verdade, uma estratégia recomendada para preservar pragas suscetíveis e diluir a resistência. Eliminá-los eliminaria a fonte de alelos de suscetibilidade, acelerando a resistência. A afirmação inverte o conceito.
PEGA ESSA DICA!
O princípio-chave é que a resistência evolui por seleção natural. Quanto mais diversa e complexa for a pressão seletiva (múltiplos genes, refúgios), mais lenta será a evolução da resistência. Lembre-se: gene stacking e refúgios são aliados; monocultura e uso exclusivo de um único mecanismo são inimigos.