Questão de Biologia — Origem e evolução da vida — FGV 2025
Biologia›Origem e evolução da vida
Código
fg119570
Banca
FGV
Órgão
SEDUC-MT
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica - Habilitação: Biologia
Um professor de Biologia deseja avaliar se os estudantes compreendem como práticas metodológicas (como experimentação, observação e análise comparativa) fundamentam a construção do conhecimento biológico ao longo da história. Ele percebe que os estudantes tendem a:- Confundir métodos indutivos com dedutivos.- Não relacionar técnicas específicas (ex.: experimentos controlados) a marcos históricos (ex.: refutação da abiogênese).- Ignorar a influência de pressupostos filosóficos (ex.: materialismo vs. vitalismo) no desenho de metodologias.Assim, para ajudá-los, o professor decide apresentar uma associação entre as práticas metodológicas (coluna A) aos fundamentos históricos/filosóficos correspondentes na Biologia (coluna B):Coluna A (Práticas Metodológicas):1. Experimentalismo controlado (ex.: manipulação de variáveis).2. Observação sistemática de fenômenos naturais.3. Método comparativo (ex.: anatomia de espécies diferentes).4. Análise histórica de registros científicos.5. Formulação de modelos teóricos abstratos.Coluna B (Fundamentos Históricos/Filosóficos):A. Baseou o argumento de ancestralidade comum na obra de Darwin.B. Permitiu a refutação da geração espontânea por Redi e Pasteur.C. Sustentou o debate entre vitalismo e mecanicismo no século XIX.D. Fundamentou os estudos de ecologia de longa duração, como os de Alexander von Humboldt.E. Auxiliou na reconstrução da história das ideias sobre hereditariedade, como os trabalhos de Mendel.Ao final da atividade, o professor espera que os estudantes estabeleçam a seguinte correlação entre as colunas A e B:
A1-B; 2-C; 3-A; 4-D; 5-E.
B1-B; 2-D; 3-A; 4-E; 5-C.
C1-D; 2-A; 3-D; 4-B; 5-E.
D1-D; 2-D; 3-B; 4-A; 5-C.
E1-E; 2-A; 3-B; 4-C; 5-D.
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GabaritoB — 1-B; 2-D; 3-A; 4-E; 5-C.
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Práticas metodológicas e fundamentos históricos na Biologia
Gabarito: letra B. A correlação correta é 1-B; 2-D; 3-A; 4-E; 5-C: o experimentalismo controlado permitiu a refutação da geração espontânea (Redi e Pasteur); a observação sistemática fundamentou os estudos ecológicos de longa duração (Humboldt); o método comparativo baseou o argumento de ancestralidade comum (Darwin); a análise histórica de registros auxiliou na reconstrução da história das ideias sobre hereditariedade (Mendel); e a formulação de modelos teóricos abstratos sustentou o debate entre vitalismo e mecanicismo no século XIX.
A questão avalia a compreensão de como diferentes práticas metodológicas — experimentação, observação, comparação, análise histórica e modelagem teórica — se conectam a marcos históricos e filosóficos da Biologia. O ponto central é reconhecer que cada método tem um papel específico na construção do conhecimento científico e que esses papéis se manifestaram em momentos históricos concretos.
O experimentalismo controlado (manipulação de variáveis) é a base do método experimental, que permite testar hipóteses de forma controlada. Foi exatamente isso que Francesco Redi (século XVII) e Louis Pasteur (século XIX) fizeram ao refutar a teoria da abiogênese (geração espontânea): Redi usou frascos com e sem vedação para mostrar que as larvas não surgiam espontaneamente da carne, e Pasteur usou frascos com pescoço de cisne para demonstrar que micro-organismos não surgiam do caldo nutritivo esterilizado. A observação sistemática de fenômenos naturais, por sua vez, é o método que Alexander von Humboldt empregou em suas expedições, registrando meticulosamente dados sobre clima, vegetação e fauna, o que fundamentou estudos ecológicos de longa duração.
O método comparativo (anatomia de espécies diferentes) foi central para Darwin: ao comparar estruturas anatômicas de espécies distintas, ele encontrou evidências de ancestralidade comum, como os membros anteriores de vertebrados que compartilham o mesmo plano básico. A análise histórica de registros científicos é o método que permite reconstruir como as ideias evoluíram ao longo do tempo — foi assim que se pôde compreender a história das ideias sobre hereditariedade, desde os experimentos de Mendel com ervilhas até a genética moderna. Por fim, a formulação de modelos teóricos abstratos é o que sustenta debates filosóficos como o vitalismo versus mecanicismo: o vitalismo defendia que os fenômenos vitais não poderiam ser explicados apenas por leis físico-químicas, enquanto o mecanicismo afirmava que sim — um debate que se deu no século XIX e que influenciou profundamente o desenho de metodologias científicas.
A pegadinha da questão está em associar corretamente cada prática ao seu marco histórico. O candidato pode confundir, por exemplo, a observação sistemática com o método comparativo, ou a análise histórica com a formulação de modelos teóricos. A chave é lembrar que cada método tem um "produto" característico: experimentação → refutação de hipóteses; observação → descrição de padrões naturais; comparação → evidências de parentesco evolutivo; análise histórica → reconstrução de trajetórias de ideias; modelagem teórica → abstrações que sustentam debates filosóficos.
Erra ao associar a observação sistemática (2) ao debate vitalismo vs. mecanicismo (C). A observação sistemática é o método de Humboldt, que fundamentou estudos ecológicos de longa duração (D), não o debate filosófico do século XIX. O vitalismo vs. mecanicismo é sustentado pela formulação de modelos teóricos abstratos (5), não pela observação direta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Estabelece a correlação correta: 1-B (experimentalismo controlado → refutação da geração espontânea por Redi e Pasteur), 2-D (observação sistemática → estudos ecológicos de Humboldt), 3-A (método comparativo → ancestralidade comum em Darwin), 4-E (análise histórica → história das ideias sobre hereditariedade, Mendel) e 5-C (modelos teóricos abstratos → debate vitalismo vs. mecanicismo). Cada associação reflete o papel histórico do método.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao associar o experimentalismo controlado (1) aos estudos ecológicos de Humboldt (D). Humboldt não usou experimentos controlados; ele fez observações sistemáticas em expedições. Além disso, associa a observação sistemática (2) à ancestralidade comum (A), que é fruto do método comparativo (3), não da observação direta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao associar o experimentalismo controlado (1) aos estudos ecológicos de Humboldt (D) e a observação sistemática (2) também a Humboldt (D), duplicando a mesma associação. Além disso, associa o método comparativo (3) à refutação da geração espontânea (B), que é resultado do experimentalismo controlado (1), não da comparação anatômica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao associar o experimentalismo controlado (1) à história das ideias sobre hereditariedade (E), que é fruto da análise histórica de registros (4), não da experimentação. A experimentação controlada é o método de Redi e Pasteur (B), não de Mendel, cujos trabalhos foram compreendidos posteriormente por meio de análise histórica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre métodos que produzem tipos diferentes de conhecimento. O candidato pode trocar a observação sistemática (Humboldt) pelo método comparativo (Darwin), ou a análise histórica (Mendel) pela experimentação (Redi/Pasteur). A chave é lembrar o "produto" de cada método: experimentação refuta hipóteses, observação descreve padrões, comparação revela parentesco, análise histórica reconstrói trajetórias de ideias, e modelagem teórica sustenta debates filosóficos. Com esse mapa mental, a correlação fica clara. 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de correlação entre métodos e marcos históricos, monte uma tabela mental com o método, o cientista associado e o resultado obtido. Por exemplo: experimentação → Redi/Pasteur → refutação da abiogênese; observação → Humboldt → ecologia de longa duração; comparação → Darwin → ancestralidade comum; análise histórica → Mendel → hereditariedade; modelagem teórica → vitalismo vs. mecanicismo → debate filosófico. Essa estrutura permite resolver rapidamente qualquer variação da questão.