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Questão de História — História do Brasil — FGV 2025

HistóriaHistória do Brasil
Código
fg119761
Banca
FGV
Órgão
SEDUC-MT
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica - Habilitação: História
Frei Vicente de Salvador (1564-1635) escreveu em sua História do Brazil (1627) que “Da largura que a terra do Brasil tem para o sertão não trato, porque até agora não houve quem a andasse por negligência dos portugueses, que sendo grandes conquistadores de terras não aproveitam delas, mas contentamse de andar arranhando ao longo do mar como caranguejos.”OLIVEIRA, Maria Lêda. A História do Brazil de Frei Vicente do Salvador. História e Política do Império Português no século XVII. RJ: Versal; SP: Odebrecht, 2008.Sobre o julgamento do historiador, pode-se dizer que
  1. Aapoia-se no fato de que a colonização portuguesa não tinha interesse no sertão brasileiro, uma vez que os espanhóis já haviam ali se instalado e exploravam o plantio do tabaco e do mate em parceria com indígenas guaranis; além disso, prospectavam metais preciosos.
  2. Bexpressa a dinâmica colonizadora no início e na generalidade, considerando-se imperativos como a logística de transportes marítimos, a dificuldade de contatos com comunidades indígenas do interior e a preocupação de proteger o território litorâneo de invasões estrangeiras.
  3. Cé uma visão historicamente descabida, uma vez que no centro sul da colônia, como a capitania de Itamaracá, havia iniciativas de adentrar o território e fundar vilas, tais como o fizeram, durante o século XVII, as expedições de bandeirantes.
  4. Da metáfora empregada era inadequada, pois os colonizadores portugueses não apenas arranhavam o litoral, mas devastaram a mata ao longo da costa litorânea para instalar em seu lugar o plantio de lavouras de café em regime de monocultura.
  5. Eos interesses dos colonizadores, no início, eram satisfeitos pelos indígenas tupiniquins e tupinambás que ocupavam grande parte do litoral brasileiro e que, antes mesmo da presença portuguesa, já produziam mercadorias de exportação em larga escala.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — expressa a dinâmica colonizadora no início e na generalidade, considerando-se imperativos como a logística de transportes marítimos, a dificuldade de contatos com comunidades indígenas do interior e a preocupação de proteger o território litorâneo de invasões estrangeiras.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A crítica de Frei Vicente de Salvador à colonização portuguesa

Gabarito: letra B. A metáfora dos "caranguejos" expressa a dinâmica inicial da colonização, que se concentrou no litoral devido à logística marítima, dificuldades de contato com o interior e necessidade de defesa contra invasões – elementos que a alternativa B captura corretamente.

Frei Vicente de Salvador (1564-1635), em sua História do Brazil (1627), critica a colonização portuguesa por limitar-se ao litoral, "arranhando ao longo do mar como caranguejos". O contexto histórico do início do século XVII mostra que a ocupação efetiva do território foi lenta e concentrada na faixa costeira, principalmente por razões logísticas (transporte marítimo como principal via), pela hostilidade ou desconhecimento do interior e pela necessidade de proteger a colônia de invasões estrangeiras (franceses, holandeses).

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a colonização portuguesa não tinha interesse no sertão porque os espanhóis já ocupavam e exploravam tabaco, mate e metais. Esse argumento é historicamente impreciso: os portugueses tinham sim interesse na expansão territorial, mas a prioridade inicial era assegurar o litoral contra ameaças estrangeiras e estabelecer a economia açucareira. A presença espanhola no interior não foi o motivo determinante para a concentração costeira.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa interpreta corretamente a crítica de Frei Vicente, contextualizando-a nos imperativos da colonização do início do século XVII: a logística de transportes marítimos, a dificuldade de comunicação com grupos indígenas do interior e a preocupação em proteger o litoral de invasões (como as de franceses e holandeses) explicam a ocupação superficial do território descrita pelo frei.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A existência de bandeirantes que adentraram o sertão e fundaram vilas no século XVII não invalida a crítica geral de Frei Vicente. O próprio frei reconhece que a ocupação do interior foi negligenciada pela maioria dos colonos; as bandeiras foram exceções, e não a regra. Portanto, a afirmação de que o julgamento é "descabido" é exagerada e desconsidera o contexto da época.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa comete um anacronismo ao mencionar lavouras de café, que só se tornaram importantes no Brasil no século XIX, muito depois da frase de Frei Vicente (1627). A produção do período colonial baseava-se principalmente na cana-de-açúcar, não no café. Assim, a crítica à metáfora é inadequada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os indígenas tupiniquins e tupinambás não produziam mercadorias de exportação em larga escala antes da chegada dos portugueses. O contato inicial baseou-se no escambo de pau-brasil, mas não havia uma produção comercial pré-existente. A alternativa distorce a realidade econômica indígena.

Conclusão: A alternativa B é a única que reflete corretamente o significado histórico da afirmação de Frei Vicente de Salvador, associando-a às limitações logísticas e estratégicas da colonização portuguesa no Brasil.

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