Professor de Educação Básica - Habilitação: História
Um professor de Geografia e outro de História propõem à sua turma um trabalho. O professor de Geografia pede que os estudantes identifiquem e descrevam as condições de moradia das pessoas mais pobres em sua cidade. Feito o levantamento, o professor de História propõe a leitura de dois documentos:1. “Eram casebres baixos, cheios de frestas, caindo aos pedaços, que deixavam transparecer, pelos buracos usados como janelas e pelas fissuras dos muros, a mais triste miséria; no interior, poucos cômodos imundos, aos quais se chega por escadas flácidas e que desmontam sob o peso do corpo, [...]os únicos móveis são um leito ou dois sobre cavaletes, um baú e os utensílios indispensáveis para a cozinha (...) cada quarto serve a três ou quatro pessoas [...]. Fonte: “Atas da junta para a melhoria agrícola e sobre a situação dos agricultores” 1882.Apud DEL PRIORI, M.; NEVES, M de F. das; ALAMBERT, F. Documentos de História do Brasil; de Cabral aos anos 90. São Paulo: Scipione, 1997, pp 63-64.2. A sua Excia.Cônsul da Itália em São Paulo Há três anos trabalho na fazenda na qual o administrador tem o vício infame de maltratar os pobres filhos do trabalhador, em especial o italiano. [...] Caí doente há 3 meses e não pude trabalhar por 30 dias, sendo, desde então, objeto de escárnio e maus tratos por parte dos empregados da fazenda. (...) não podendo mais suportar as humilhações, resolvi abandonar a fazenda há 15 dias e não receber o que tinha direito. Parti deixando meus familiares (...), mas até hoje não os vi, o que me fez acreditar que estão proibidos de sair da fazenda”.Fonte: jornal La Battaglia, São Paulo, 23/7/1911. Apud DEL PRIORI, M.; NEVES, M de F. das; ALAMBERT, F. Documentos de História do Brasil; de Cabral aos anos 90. São Paulo: Scipione, 1997, pp. 64-65.O professor de História, com essas leituras, pretendia que os estudantes estabelecessem relações entre o passado e o presente, pois:
Aas condições de trabalho e habitação dos imigrantes italianos ainda permanecem iguais ao início do século XX, assim como as normas que regem o trabalho na agricultura.
Bas condições de habitação atual das populações mais pobres se assemelham àquelas dos imigrantes italianos que vieram para o campo. Ao mesmo tempo, o trabalho foi progressivamente regulamentado desde o século XX até hoje.
Cnão é possível estabelecer comparações entre as condições de trabalho dos imigrantes do início do século com o presente. Afinal, as relações de trabalho nas fazendas e nas cidades continuam exatamente como antes.
Do trabalho de Geografia mostrou as condições de vida atuais como muito diferentes daquelas apresentadas nos documentos de História sobre os trabalhadores imigrantes agrícolas do passado.
Enos trabalhos de Geografia e de História aparecem apenas as rupturas entre o passado e o presente trazidas pelo processo acelerado de industrialização no século XX.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — as condições de habitação atual das populações mais pobres se assemelham àquelas dos imigrantes italianos que vieram para o campo. Ao mesmo tempo, o trabalho foi progressivamente regulamentado desde o século XX até hoje.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Análise comparativa de fontes históricas: condições de habitação e trabalho
Gabarito: letra B. A atividade do professor de História utiliza dois documentos do final do século XIX e início do XX para mostrar que, embora as condições de moradia dos pobres permaneçam semelhantes (casebres precários, superlotação), o trabalho passou por progressiva regulamentação ao longo do século XX, diferentemente do que sugerem alternativas que negam mudanças ou apontam apenas rupturas.
1Habitação: continuidadeCasebres precários e superlotação persistem
3ConclusãoSemelhança na moradia + avanço trabalhista
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as condições de trabalho e habitação dos imigrantes italianos ainda permanecem iguais ao início do século XX e que as normas trabalhistas na agricultura também não mudaram. Isso é falso: o trabalho rural foi regulamentado ao longo do século XX (CLT, Constituição de 1988, leis trabalhistas), e as condições, embora ainda precárias em muitos casos, não são idênticas às descritas nos documentos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Aponta corretamente que as condições de habitação das populações pobres atuais se assemelham às dos imigrantes italianos do campo (casebres, falta de infraestrutura), enquanto o trabalho foi progressivamente regulamentado desde o século XX – ou seja, há continuidade na precariedade habitacional, mas ruptura (progresso) nas relações trabalhistas. Essa é a interpretação mais alinhada aos documentos e à proposta de relacionar passado e presente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que não é possível estabelecer comparações e que as relações de trabalho continuam exatamente como antes. Ambas as afirmações são falsas: é perfeitamente possível comparar, e as relações de trabalho mudaram significativamente com a legislação trabalhista e a evolução dos direitos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sustenta que as condições de vida atuais são muito diferentes das apresentadas nos documentos. O documento de Geografia (levantamento atual) revela moradias precárias semelhantes às descritas no documento de 1882, portanto há mais semelhanças do que diferenças. A afirmativa ignora as continuidades.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Alega que nos trabalhos aparecem apenas as rupturas trazidas pela industrialização. Na verdade, os documentos evidenciam tanto rupturas (regulamentação do trabalho) quanto continuidades (precariedade habitacional). A afirmativa é incompleta e redutora.
Conclusão: a alternativa B é a única que reconhece simultaneamente a permanência da má qualidade das moradias e a transformação (regulamentação) do trabalho, como pretende a proposta interdisciplinar dos professores.