Questão de História — História do Brasil — FGV 2025
História›História do Brasil
Código
fg119787
Banca
FGV
Órgão
SEDUC-MT
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica - Habilitação: História
Numa aula sobre a configuração da sociedade colonial brasileira o professor oferece aos estudantes um texto clássico do historiador Caio Prado Jr.“Esta massa de escravos, índios ou negros, constituía a maior parte da população colonial. (...). Ao lado de pequenos proprietários encontramos o tipo mais comum dos agregados. São estes os indivíduos – em geral escravos libertos ou mestiços espúrios - que vivem nos grandes domínios prestando aos senhores toda sorte de serviços: guarda da propriedade, mensageiro, etc. Entre eles figuram também os rendeiros, que pagam seus aluguéis em dinheiro ou mais comumente em produtos naturais ou em serviços. A situação destes rendeiros é a mais precária possível. Raramente se faziam contratos escritos, e mesmo não havia autoridades para os sancionar. Na propriedade quem domina incontrastavelmente é o senhor. Todos os que se fixam em suas terras cedem, em troca da gleba que cultivam para seu sustento e da proteção que lhes outorga o senhor contra outros mandões do sertão ou a própria Justiça, praticamente, toda a liberdade”.PRADO JR., Caio. Evolução política do Brasil e outros estudos. São Paulo: Editora Brasiliense, 1953 (texto adaptado).A partir da leitura do excerto desse historiador, os estudantes devem ser instados a interpretarem a estrutura de classes que compunha a sociedade colonial e suas interrelações de dependência. Dessa atividade, resulta a compreensão de que
Aa sociedade colonial era formada por três classes: os senhores, os escravizados e os agregados (e dentre estes, os rendeiros) que, cada um a seu modo, dependiam dos interesses e das necessidades dos senhores.
Bos senhores e os agregados não tinham obstáculos às suas necessidades e vontades, ao passo que os escravos eram privados de qualquer liberdade.
Cos rendeiros estavam presos às necessidades e aos mandos dos senhores, como os escravos, mas os agregados não pois gozavam de autossuficiência.
Dos agregados e os rendeiros podiam viver sem prestar contas ou favores aos senhores, desde que não fossem escravizados.
Eos escravizados poderiam viver em liberdade plena caso se tornassem agregados ou rendeiros, porque mobilidade era comum naquela época.
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GabaritoA — a sociedade colonial era formada por três classes: os senhores, os escravizados e os agregados (e dentre estes, os rendeiros) que, cada um a seu modo, dependiam dos interesses e das necessidades dos senhores.
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Sociedade colonial brasileira segundo Caio Prado Jr.
Gabarito: letra A. O excerto de Caio Prado Jr. descreve uma sociedade colonial hierarquizada em três estratos principais: os senhores (dominantes absolutos), os escravizados (índios ou negros, a maioria da população) e os agregados — categoria que inclui os rendeiros — que viviam nos grandes domínios prestando serviços e em condição de extrema precariedade e dependência. A alternativa A capta corretamente essa tripartição e a dependência geral em relação aos senhores.
A banca testa a compreensão da leitura direta do texto histórico. Vamos analisar cada alternativa:
Estrato social
Descrição no texto
Relação com o senhor
Dependência
Senhores
Dominam incontrastavelmente a propriedade
Exercem poder absoluto sobre os demais
Nenhuma (são os dominantes)
Escravizados (índios ou negros)
Constituem a maior parte da população colonial
São propriedade dos senhores
Total (privados de liberdade)
Agregados (incluindo rendeiros)
Vivem nos grandes domínios prestando serviços; rendeiros pagam aluguel em dinheiro, produtos ou serviços
Cedem praticamente toda a liberdade em troca de gleba e proteção
Extrema precariedade e sujeição ao arbítrio do senhor
Sociedade colonial (Caio Prado Jr.): Senhores (Domínio incontrastável); Escravizados (Maioria da população, Índios ou negros); Agregados (Rendeiros (tipo de agregado), Situação precária, Dependência do senhor)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a sociedade colonial era formada por três classes: senhores, escravizados e agregados (incluindo rendeiros), e que todos, cada um a seu modo, dependiam dos interesses e necessidades dos senhores. O texto confirma: os escravos constituíam a maior parte da população; os agregados prestavam toda sorte de serviços; os rendeiros viviam na situação mais precária, sem contratos escritos, sujeitos ao arbítrio do senhor. Logo, a dependência é generalizada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que senhores e agregados não tinham obstáculos, enquanto escravos eram privados de liberdade. Falso: o texto mostra que os agregados também sofriam restrições e precariedade — “a situação destes rendeiros é a mais precária possível” — e que o senhor dominava incontrastavelmente. Agregados não eram livres.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que os rendeiros estavam presos aos mandos dos senhores, como os escravos, mas os agregados gozavam de autossuficiência. O texto não separa agregados de rendeiros como grupos distintos — rendeiros são um tipo de agregado. Além disso, todos os agregados dependiam do senhor, não havia autossuficiência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sustenta que agregados e rendeiros podiam viver sem prestar contas ou favores aos senhores, desde que não fossem escravizados. O texto desmente: eles “cedem, em troca da gleba que cultivam para seu sustento e da proteção que lhes outorga o senhor (…), praticamente, toda a liberdade”. Portanto, estavam submetidos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que escravizados poderiam viver em liberdade plena se se tornassem agregados ou rendeiros, porque a mobilidade era comum. O texto não sugere mobilidade ascendente comum; ao contrário, a condição de agregado era precária e dependente. A liberdade plena não era alcançada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as categorias: muitos candidatos podem pensar que agregados e rendeiros eram “livres” por não serem escravos formais. O texto de Caio Prado Jr., porém, enfatiza que eles também viviam sob domínio senhorial, sem autonomia. Leia com atenção as palavras do historiador: “Na propriedade quem domina incontrastantemente é o senhor. Todos os que se fixam em suas terras cedem (…) praticamente, toda a liberdade.”