Professor de Educação Básica - Habilitação: Língua Portuguesa
Leia o texto para responder à questão.
Vivemos num presente alargado, no qual “viver no momento
é a paixão dominante”, na definição de Christopher Lasch. O
presente se torna alargado à mesma medida que o tempo corre
veloz. Essa contradição só pode ser explicada pelo fato de que a
aceleração tecnológica, conquanto implique “uma diminuição no
tempo necessário para realizar processos cotidianos de produção
e reprodução” (o que deveria levar a uma abundância de tempo
livre), levou ao acúmulo quantitativo de atividades. Quanto mais
a aceleração tecnológica avançou, mais trabalho se acumulou e
menos tempo livre sobrou. Se já não temos uma vida profissional,
mas especializações, se já não temos espaço para contemplar os
locais que cruzamos, mas uma observação dirigida por algoritmos
de afinidades eletivas, já deveríamos saber que a aceleração
tecnológica levou aos grilhões da hiperconectividade, que
demandam sempre nosso engajamento.
O resultado desse processo foi que a contínua aceleração do
tempo social tornou o espaço muitas vezes indiferente, um mero
detalhe, um pano de fundo que sustenta a virtualidade das
relações. Ante a aceleração da vida, concebemos o espaço como
um empecilho para aquilo que realmente queríamos fazer. “Ter
que ir” e “ter que visitar” se tornaram tarefas “torturantes”, uma
vez que basta uma chamada de vídeo para tirar a tarefa da
frente. O isolamento tornou-se comum e mesmo os locais que
sustentavam a ação da experiência subjetiva aparecem agora
como lugares sem histórias, cada vez mais homogeneizados.
BARROS, Douglas. O que é identitarismo? São Paulo: Boitempo, 2024,
edição digital. Adaptado.
A frase em que se respeitam as normas da concordância verbal está em:
AO desenvolvimento tecnológico e a homogeneização dos espaços causa a perda da experiência subjetiva.
BCada comentário que fazemos nas redes sociais demandam um tanto da nossa atenção.
CBasta poucos minutos de conexão para perder a concentração exigida pelas atividades reais.
DAinda não se inventou algoritmos capazes de trazer mais tempo de ócio e descanso.
EGrande parte dos usuários já se sentiu prisioneiro das telas do celular.
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GabaritoE — Grande parte dos usuários já se sentiu prisioneiro das telas do celular.
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Concordância verbal – análise de cada alternativa
Gabarito: letra E. A única frase que respeita as normas da concordância verbal é a E, pois o sujeito "Grande parte dos usuários" permite concordância com o núcleo singular "parte" — construção correta e usual na norma culta.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Sujeito composto: "O desenvolvimento tecnológico e a homogeneização dos espaços" (dois núcleos). O verbo deveria ir para o plural: causam. "Causa" (singular) é erro de concordância. ❌ Erro: desrespeito à regra do sujeito composto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sujeito: "Cada comentário" — "cada" exige o núcleo no singular, portanto o verbo deveria serdemanda. O plural "demandam" atrai-se indevidamente pelo termo interposto "que fazemos" ou pelo aposto "comentários". ❌ Erro: concordância com termo acessório.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O verbo "bastar" no sentido de "ser suficiente" concorda com o sujeito. O sujeito é "poucos minutos" (plural), então o correto é Bastam poucos minutos. ❌ Erro: concordância singular com sujeito plural.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Na voz passiva sintética com "se", o verbo concorda com o sujeito paciente. O sujeito é "algoritmos" (plural), logo o correto é não se inventaram algoritmos. "Inventou" (singular) é erro. ❌ Erro: desrespeito à concordância na passiva sintética.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A expressão partitiva "Grande parte dos usuários" admite duas concordâncias: com o núcleo "parte" (singular) ou com o especificador "usuários" (plural). A forma "se sentiu" (singular) está de acordo com a norma culta, sendo a opção preferida em provas. ✅ Correta.
PEGA ESSA DICA!
Em expressões partitivas como "a maioria de", "grande parte de", "metade de", a concordância pode ser feita com o núcleo (singular) ou com o termo plural. A banca FGV costuma aceitar ambas, mas é mais seguro optar pela concordância com o núcleo.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.