Alegoria e alusão no verso
Gabarito: letra D. O verso “e a nau da insensatez sem freio avança” constitui uma alusão direta à alegoria da nau dos insensatos, que o próprio texto apresenta como uma antiga alegoria usada na cultura ocidental. A alusão é uma figura de pensamento que faz referência, explícita ou implícita, a um fato, pessoa ou obra externa. Aqui, o verso retoma o núcleo da alegoria (a nau e a insensatez) sem desenvolvê-la, apenas evocando-a.
O texto afirma que a nau dos insensatos é “uma antiga alegoria muito usada na cultura ocidental” e que descreve “o mundo e seus habitantes humanos como uma nau, cujos passageiros perturbados não sabem e nem se importam em saber para onde estão indo”.
Ao ler o verso, percebe-se que ele carrega exatamente essa imagem — a nau da insensatez avançando sem freio —, remetendo o leitor à alegoria conhecida. Não há contradição, sátira, resenha nem resumo: o verso apenas alude à alegoria, isto é, faz uma referência a ela.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Contradição implicaria oposição lógica entre ideias, o que não ocorre: o verso está em consonância com o sentido da alegoria.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Embora a alegoria original fosse uma paródia (conforme o texto: “paródia da arca da salvação”), o verso em si não apresenta tom satírico; apenas utiliza a imagem da nau. Sátira envolve crítica ou ridicularização, ausente na citação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Resenha é um texto que descreve e avalia outra obra; o verso não tem essa função.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Clara alusão: o verso retoma o elemento central da alegoria (a nau dos insensatos) sem explicá-lo, contando com o conhecimento prévio do leitor.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Resumo sintetizaria o conteúdo do texto, mas o verso é uma referência pontual, não um resumo da alegoria.
Conclusão: a banca cobra a identificação da relação intertextual entre o verso e a alegoria descrita, que é essencialmente uma alusão.