Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
fg119843
Banca
FGV
Órgão
SEDUC-MT
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica - Habilitação: Língua Portuguesa
Em seguida à discussão proposta, para exemplificar o fato de que a norma-padrão não corresponde integralmente às variedades linguísticas de prestígio (ou seja, àquelas variedades faladas pelos chamados usuários cultos), o professor Tirésias selecionou a seção inicial do poema “Niani” de Machado de Assis:Contam-se histórias antigasPelas terras de além-mar,De moças e de princesas,Que amor fazia matar.Mas amor que entranha n’almaE a vida soe acabar,Amor é de todo o clima,Bem como a luz, como o ar.Morrem dele nas florestasAonde habita o jaguar,Nas margens dos grandes riosQue levam troncos ao mar.Agora direi um casoDe muito penalizar,Tão triste como os que contamPelas terras de além-mar.ASSIS, Machado de. A poesia completa. São Paulo: Edusp/Nankin, 2009.O trecho do poema que poderia ser utilizado por Tirésias para ilustrar a mencionada não correspondência integral entre norma-padrão e variedades linguísticas de prestígio seria:
A“Contam-se histórias antigas / Pelas terras de além-mar,” (1ª estrofe).
B“Mas amor que entranha n’alma / E a vida soe acabar,” (2ª estrofe).
C“Morrem dele nas florestas / Aonde habita o jaguar,” (3ª estrofe).
D“Tão triste como os que contam / Pelas terras de além-mar.” (4ª estrofe).
E“Agora direi um caso / De muito penalizar,” (4ª estrofe).
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GabaritoC — “Morrem dele nas florestas / Aonde habita o jaguar,” (3ª estrofe).
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SE LIGUE NESSA!
O texto-base da discussão do professor Tirésias não foi fornecido, mas o enunciado informa que o exemplo deve ilustrar a não correspondência entre norma-padrão e variedades linguísticas de prestígio. Isso significa que o trecho do poema deve conter um desvio gramatical em relação à norma culta.
Gabarito: letra C. A alternativa C apresenta o verso "Aonde habita o jaguar", que viola a regência padrão: o verbo "habitar" (sentido estático) exige o advérbio "onde", e não "aonde" (indicativo de movimento). Esse uso é comum em variedades não prestigiadas, mas não na norma-padrão culta, ilustrando a discrepância mencionada.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Contam-se histórias antigas / Pelas terras de além-mar,"
Construção perfeitamente adequada à norma-padrão: voz passiva sintética com pronome "se" e preposição correta. Nenhum desvio.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Mas amor que entranha n’alma / E a vida soe acabar,"
"Soe" é forma arcaica, mas ainda aceita na norma culta literária. Não constitui desvio de prestígio, e sim recurso estilístico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Morrem dele nas florestas / Aonde habita o jaguar,"
Dois desvios: (1) "dele" após "morrem" – uso coloquial; (2) "aonde" com verbo estático "habita" – o correto pela norma-padrão seria "onde". A banca provavelmente focou no desvio de regência, que é mais marcante e típico de variedades não prestigiadas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Tão triste como os que contam / Pelas terras de além-mar."
Estrutura comparativa padrão, sem qualquer irregularidade gramatical.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Agora direi um caso / De muito penalizar,"
"De muito penalizar" é construção arcaica, mas ainda dentro da norma culta literária. Não é exemplo de desvio de prestígio.
Conclusão: A alternativa C é a única que contém um desvio claro da norma-padrão (uso de "aonde" com verbo estático), materializando a não correspondência entre a norma culta e as variedades linguísticas de prestígio.