Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
fg119850
Banca
FGV
Órgão
SEDUC-MT
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica - Habilitação: Língua Portuguesa
Considere o poema “Amor Punk” do escritor mato-grossense Nicolas Behr para responder à questão.
Amor Punk
Aquele beijo na boca
que você me deu
semana passada
tá doendo até hoje.
Nicolas Behr. Boa companhia: poesia. Cia das letras, 2003.
Considere a tirinha de André Dahmer.Disponível na página do Facebook do autor.Para dar sequência à análise do poema, o(a) professor(a) de português apresentou a tirinha de André Dahmer, que se mostrou adequada para reforçar o estudo da seguinte figura de pensamento, também presente no poema:
AMetáfora.
BPersonificação.
CParadoxo.
DPleonasmo.
EEufemismo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Paradoxo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Figura de pensamento: o Paradoxo
Gabarito: letra C. O poema e a tirinha constroem-se sobre a figura do paradoxo, que consiste na união de ideias contraditórias que se excluem logicamente, mas que, juntas, revelam uma verdade profunda ou um sentimento complexo.
No poema "Amor Punk", o autor associa o "beijo na boca" (geralmente um ato prazeroso) à dor que "tá doendo até hoje". A tirinha de André Dahmer reforça essa mesma lógica ao apresentar a trajetória de um "grande amor" como algo que, paradoxalmente, gera sofrimento tanto na sua ausência quanto na sua vivência, criando uma contradição emocional onde o que deveria ser a fonte da felicidade torna-se a causa da dor.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A metáfora é uma comparação implícita, sem conectivo comparativo. Embora o poema possa conter elementos metafóricos, a estrutura central que une o beijo ao sofrimento prolongado é a contradição lógica, não a substituição de um termo por outro com base em semelhança.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A personificação (ou prosopopeia) atribui características humanas a seres inanimados ou irracionais. Não há, nem no poema nem na tirinha, a atribuição de qualidades humanas a objetos ou animais para construir o sentido central da crítica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O paradoxo é a figura que melhor define a relação entre o "beijo" (prazer) e a "dor" (sofrimento) no poema, e a sequência de estados emocionais na tirinha (onde o "grande amor" causa infelicidade em dois dos três estágios). A oposição entre o que se espera do amor e o que ele efetivamente causa é a essência do paradoxo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O pleonasmo é a repetição de um termo ou ideia para reforçar o sentido (ex.: "subir para cima"). Não há redundância viciosa ou enfática que caracterize o estilo do poema ou da tirinha.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O eufemismo é a suavização de uma expressão desagradável ou chocante. O autor não tenta suavizar a dor do beijo ou a frustração amorosa; pelo contrário, ele a expõe de forma crua e direta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre antítese e paradoxo. Enquanto a antítese coloca termos opostos lado a lado (ex.: "o bem e o mal"), o paradoxo funde ideias que se anulam logicamente no contexto (o beijo que dói, o amor que faz sofrer). O paradoxo é uma antítese levada ao extremo da contradição.
PEGA ESSA DICA!
Sempre que encontrar uma situação onde o resultado é o oposto do esperado logicamente (como um beijo causar dor), procure pelo paradoxo.