Questão de Estatística — Testes de hipóteses — FGV 2025
Estatística›Testes de hipóteses
Código
fg121931
Banca
FGV
Órgão
TCE-RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor Substituto de Conselheiro
Sobre noções básicas de estimação e testes de hipóteses, considere as afirmativas a seguir.I. Em uma estimação pontual, o objetivo é determinar um único valor numérico como melhor estimativa do parâmetro populacional, como a média ou a proporção.II. Um intervalo de confiança fornece uma estimativa por intervalo para o parâmetro populacional, acompanhada de um nível de confiança que indica a probabilidade de o intervalo conter o verdadeiro valor do parâmetro.III. Em um teste de hipóteses, a hipótese nula (H₀) é não rejeitada se a probabilidade p-valor for maior que o nível de significância (α).IV. O erro tipo I ocorre quando a hipótese nula (H₀) é não rejeitada, mas na verdade deveria ter sido rejeitada.Estão corretas as afirmativas
AI e II, apenas.
BI, III e IV, apenas.
CII, III e IV, apenas.
DI, II e III, apenas.
EI, II, III e IV.
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GabaritoD — I, II e III, apenas.
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Estimação e testes de hipóteses: conceitos fundamentais
Gabarito: letra D — corretas apenas as afirmativas I, II e III. A afirmativa IV está incorreta porque descreve o erro tipo II, não o erro tipo I: o erro tipo I ocorre quando rejeitamos a hipótese nula sendo ela verdadeira, enquanto o erro tipo II é que ocorre quando não rejeitamos a hipótese nula sendo ela falsa. As afirmativas I, II e III estão corretas, pois refletem exatamente as definições de estimação pontual, intervalo de confiança e a regra de decisão pelo p-valor.
A questão cobra três pilares da inferência estatística: estimação pontual, estimação por intervalo e testes de hipóteses. Vamos entender cada um com profundidade, porque a banca mistura conceitos que parecem iguais, mas não são.
Estimação pontual é o procedimento de usar um único valor calculado a partir da amostra (a estimativa) para representar o parâmetro populacional desconhecido. Por exemplo, a média amostral é uma estimativa pontual da média populacional ; a proporção amostral é uma estimativa pontual da proporção populacional . O objetivo é "chutar" um número só, o melhor possível, com base nos dados.
Estimação por intervalo vai além: em vez de um número, fornece um intervalo de valores plausíveis para o parâmetro, com um nível de confiança associado. Esse nível (por exemplo, 95%) indica a probabilidade de que o procedimento de construção do intervalo capture o verdadeiro valor do parâmetro — ou seja, se repetíssemos o experimento muitas vezes, em 95% dos casos o intervalo conteria o parâmetro. É uma medida de confiabilidade do método, não uma probabilidade sobre o parâmetro em si.
Teste de hipóteses é um procedimento de decisão: formulamos uma hipótese nula () e uma alternativa (), coletamos uma amostra e decidimos se há evidência suficiente para rejeitar . A ferramenta central é o p-valor: a probabilidade de obter um resultado tão ou mais extremo quanto o observado, supondo que seja verdadeira. A regra de decisão é:
p-valor < → rejeita-se ;
p-valor ≥ → não se rejeita .
Ou seja, quanto menor o p-valor, mais forte a evidência contra . A afirmativa III está correta ao dizer que não é rejeitada quando o p-valor é maior que .
A pegadinha da questão está nos erros tipo I e tipo II. Eles são definidos em relação à verdade de e à decisão tomada:
Decisão
verdadeira
falsa
Não rejeitar
Decisão correta (prob. )
Erro tipo II (prob. )
Rejeitar
Erro tipo I (prob. )
Decisão correta (prob. )
A afirmativa IV inverteu os dois: ela diz que o erro tipo I ocorre quando não é rejeitada, mas deveria ter sido — isso é exatamente o erro tipo II. O erro tipo I é o oposto: rejeitar quando ela é verdadeira. A probabilidade do erro tipo I é o nível de significância .
H₀ verdadeira
H₀ falsa
Rejeita H₀
Erro tipo I (α)
Decisão correta (1-β)
Não rejeita H₀
Decisão correta (1-α)
Erro tipo II (β)
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Item I — ✅ Correto
A afirmativa descreve corretamente a estimação pontual: determinar um único valor numérico como melhor estimativa do parâmetro populacional. Média e proporção são exemplos clássicos de parâmetros que podem ser estimados pontualmente (pela média amostral e pela proporção amostral). Não há erro aqui.
Item II — ✅ Correto
A afirmativa está correta: o intervalo de confiança fornece uma estimativa por intervalo para o parâmetro, e o nível de confiança indica a probabilidade de o intervalo conter o verdadeiro valor do parâmetro. Essa é a interpretação frequentista clássica: se construirmos muitos intervalos com o mesmo método, a proporção deles que contém o parâmetro tende ao nível de confiança.
Item III — ✅ Correto
A regra de decisão está correta: não se rejeita quando o p-valor é maior que o nível de significância . Isso decorre da definição de p-valor: se a probabilidade de obter o resultado observado (ou mais extremo) sob é alta (maior que ), não há evidência suficiente para rejeitar a hipótese nula.
Item IV — ❌ Incorreto
A afirmativa descreve o erro tipo II, não o tipo I. O erro tipo I ocorre quando rejeitamos sendo ela verdadeira. A probabilidade do erro tipo I é (nível de significância). Já o erro tipo II ocorre quando não rejeitamos sendo ela falsa, com probabilidade . A banca trocou os dois conceitos — armadilha clássica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverteu os erros tipo I e tipo II. O candidato que decora "erro tipo I = rejeitar H0 verdadeira" e "erro tipo II = não rejeitar H0 falsa" acerta na hora. A afirmativa IV descreve o tipo II, mas o chama de tipo I. Fique atento: o erro tipo I é o falso positivo (rejeitar algo que é verdadeiro), e o erro tipo II é o falso negativo (não rejeitar algo que é falso).