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Questão de Estatística — Inferência estatística — FGV 2025

EstatísticaInferência estatística
Código
fg122136
Banca
FGV
Órgão
TCE-RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Externo - Tecnologia com Especialidade em Análise de Dados
Com relação às afirmativas a seguir sobre inferência estatística, avalie as afirmativas a seguir e assinale (V) para a afirmativa e (F) para a falsa.( ) O p-valor indica a probabilidade de que a hipótese nula seja verdadeira, com base nos dados observados.( ) O teste de hipótese presume que a negação da hipótese nula é verdadeira, cria um modelo para isso e testa se o efeito observado é plausível dentro de um intervalo de confiança.( ) Em um teste de hipótese, se a hipótese alternativa contém o símbolo maior que (“>”), então tem-se um teste unilateral à esquerda.As afirmativas são, respectivamente,
  1. AF – V – F.
  2. BF – F – V.
  3. CV – V – V.
  4. DV – F – F.
  5. EF – F – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — F – F – F.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Testes de hipóteses: p-valor, lógica do teste e tipos de cauda

Gabarito: letra E (F – F – F). As três afirmativas estão falsas: o p-valor não é a probabilidade de a hipótese nula ser verdadeira (é a probabilidade de obter um resultado tão ou mais extremo quanto o observado, supondo a nula verdadeira); o teste de hipótese não presume a negação da nula (presume a própria nula verdadeira); e hipótese alternativa com “>” caracteriza teste unilateral à direita, não à esquerda. Esses são erros conceituais clássicos que a banca explora.

Vamos entender cada conceito a fundo, porque a questão não pede cálculo — pede precisão conceitual.

O que é o p-valor? O p-valor é a probabilidade de se obter um valor da estatística de teste tão ou mais extremo do que o valor observado, assumindo que a hipótese nula é verdadeira. Ele mede o quão incompatíveis os dados são com a hipótese nula: quanto menor o p-valor, mais forte a evidência contra a nula. A regra de decisão é: se p-valor < nível de significância (α), rejeita-se a hipótese nula; caso contrário, não se rejeita. O p-valor não é a probabilidade de a hipótese nula ser verdadeira — essa é uma interpretação bayesiana incorreta, pois no paradigma frequentista a hipótese nula é um valor fixo (verdadeiro ou falso), não uma variável aleatória com probabilidade associada.

Qual é a lógica do teste de hipótese? O teste clássico (frequentista) presume que a hipótese nula é verdadeira — não a sua negação. A partir dessa suposição, constrói-se o modelo de distribuição amostral da estatística de teste e verifica-se se o valor observado é plausível sob essa distribuição. Se for muito improvável (p-valor pequeno), conclui-se que há evidência contra a nula. A afirmativa inverte essa lógica ao dizer que se presume a negação da nula — o que está errado.

O que define o tipo de cauda? A direção da hipótese alternativa define o tipo de teste:

Hipótese alternativa

Tipo de teste

H1:μ>μ0H_1: \mu > \mu_0

Unilateral à direita (cauda superior)

H1:μ<μ0H_1: \mu < \mu_0

Unilateral à esquerda (cauda inferior)

H1:μμ0H_1: \mu \neq \mu_0

Bilateral (duas caudas)

Portanto, quando a alternativa contém “>”, o teste é unilateral à direita, não à esquerda. A afirmativa troca a direção.

Afirmativa 1 — ❌ Falsa

O p-valor não é a probabilidade de a hipótese nula ser verdadeira. Ele é a probabilidade de obter um resultado tão ou mais extremo quanto o observado, supondo que a hipótese nula seja verdadeira. A banca explora a confusão entre “probabilidade de a nula ser verdadeira” (interpretação bayesiana) e “probabilidade dos dados sob a nula” (interpretação frequentista). No paradigma frequentista, a hipótese nula é um valor fixo — não faz sentido atribuir probabilidade a ela.

Afirmativa 2 — ❌ Falsa

O teste de hipótese presume que a hipótese nula é verdadeira, não a sua negação. A afirmativa inverte o papel: diz que se presume a negação da nula (ou seja, a alternativa) e se testa a plausibilidade do efeito observado. Na verdade, o procedimento é: assume-se H0H_0 verdadeira, calcula-se a estatística de teste e verifica-se se o valor observado é plausível sob essa distribuição. Se for muito extremo (p-valor pequeno), rejeita-se H0H_0. A afirmativa também menciona “intervalo de confiança” de forma inadequada — o teste de hipótese usa a distribuição amostral da estatística, não um intervalo de confiança para decidir.

Afirmativa 3 — ❌ Falsa

Se a hipótese alternativa contém o símbolo “>”, o teste é unilateral à direita (cauda superior), não à esquerda. A banca troca a direção da cauda. A regra é:

  • H1:μ>μ0H_1: \mu > \mu_0 → teste unilateral à direita

  • H1:μ<μ0H_1: \mu < \mu_0 → teste unilateral à esquerda

  • H1:μμ0H_1: \mu \neq \mu_0 → teste bilateral

Portanto, a afirmativa está incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter conceitos-chave de inferência. Aqui, ela troca: (1) o p-valor como probabilidade da nula ser verdadeira (em vez de probabilidade dos dados sob a nula); (2) a suposição de que a nula é verdadeira (em vez da negação); (3) a direção da cauda no teste unilateral (troca “>” por esquerda). Essas são armadilhas clássicas — com treino, você as reconhece de longe. 💪

PEGA ESSA DICA!

Para não errar, memorize a tríade: p-valor = probabilidade dos dados sob H0H_0; teste presume H0H_0 verdadeira; “>” = cauda direita, “<” = cauda esquerda. Se a alternativa disser o contrário, marque FALSA.

Gabarito: letra E — todas as afirmativas são falsas (F – F – F).

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