Pular para o conteúdo principal

Questão de Ética na Administração Pública — Introdução, Ética e Moral e Orientações Gerais — FGV 2025

Ética na Administração PúblicaIntrodução, Ética e Moral e Orientações Gerais
Código
fg124207
Banca
FGV
Órgão
CGE-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Em estudos sobre corrupção e políticas públicas, considera-se que, além do ambiente institucional e dos fatores organizacionais, a liderança antiética desempenha um papel crucial na incidência de corrupção.Com base nessa premissa, assinale a opção que melhor descreve a conduto pela qual um líder antiético favorece a incidência de corrupção e, simultaneamente, inibe a qualidade das políticas públicas.
  1. AServir de ponte entre agentes e grupos, promovendo a formação de redes de troca ilícita e, ao mesmo tempo, manipular a cultura organizacional para normalizar comportamentos corruptos entre os subordinados.
  2. BReconhecer os valores organizacionais e preservar os rituais formais de governança, resultando em uma corrupção que se oculta sob a aparência de conformidade institucional.
  3. CArticular esquemas informais e autônomos de corrupção fora dos processos formais, de modo que os mecanismos organizacionais permaneçam aparentemente intactos e as políticas públicas conservem uma fachada de coerência e legitimidade.
  4. DRestringir sua atuação a incentivos extrínsecos elevados – bônus, privilégios ou recompensas materiais –, sem promover qualquer mudança na cultura ou nos valores institucionais, porque, dessa forma, as políticas públicas permanecem inalteradas e o impacto corrosivo sobre a qualidade das políticas fica subestimado.
  5. ESubstituir os canais formais e os colegiados por uma vigilância individual intensiva – mantendo intacta a fachada institucional –, de modo que, o tecido relacional e de responsabilidade transita por redes paralelas de supervisão e conivência, ainda que a política pública aparente siga critérios racionais
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Servir de ponte entre agentes e grupos, promovendo a formação de redes de troca ilícita e, ao mesmo tempo, manipular a cultura organizacional para normalizar comportamentos corruptos entre os subordinados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Liderança antiética e corrupção nas políticas públicas

Gabarito: letra A. A alternativa A descreve corretamente a dupla conduta do líder antiético: atuar como ponte para redes ilícitas e, ao mesmo tempo, manipular a cultura organizacional para normalizar a corrupção entre subordinados. Isso se alinha com o conceito de “administração paralela” e “dupla moral” discutido na doutrina (conteúdo de apoio), que aponta que líderes corruptos criam um parassistema onde a corrupção se institucionaliza informalmente, prejudicando a qualidade das políticas públicas. As demais alternativas falham por não capturar simultaneamente esses dois mecanismos essenciais.

A questão explora o papel da liderança antiética na disseminação da corrupção e na degradação das políticas públicas, indo além de fatores institucionais ou organizacionais. A chave está em identificar a conduta que ao mesmo tempo favorece a corrupção e inibe a qualidade das políticas, geralmente por meio da criação de redes paralelas e da normalização cultural do desvio.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa acerta ao mencionar duas faces da atuação do líder: (1) servir de ponte entre agentes e grupos, formando redes de troca ilícita (faceta relacional/operacional) e (2) manipular a cultura organizacional para normalizar comportamentos corruptos entre os subordinados (faceta cultural/simbólica). Esses dois elementos combinados são exatamente o que a literatura (e o texto de apoio sobre “administração paralela” e “dupla moral”) indica como mecanismo pelo qual a liderança antiética corrompe o ambiente e as políticas públicas, criando um parassistema que coexiste com as regras formais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o líder “reconhece os valores organizacionais e preserva os rituais formais de governança”, o que resultaria em corrupção oculta sob aparência de conformidade. Embora a ideia de fachada seja plausível, a conduta descrita é passiva e conservadora – não envolve a criação ativa de redes ilícitas nem a manipulação cultural para normalizar a corrupção. O líder antiético, no enunciado, atua para favorecer a corrupção, não apenas para ocultá-la passivamente. A alternativa descreve uma situação de corrupção sistêmica, mas não a conduta ativa do líder.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Descreve a articulação de “esquemas informais e autônomos de corrupção fora dos processos formais”, mantendo a aparência intacta. Esse mecanismo é parte do fenômeno, mas a alternativa não inclui a manipulação da cultura organizacional – um elemento central apontado no enunciado (“liderança antiética desempenha um papel crucial”). Além disso, o texto diz que o líder simultaneamente inibe a qualidade das políticas públicas; a mera articulação informal, se mantida oculta, poderia não afetar a qualidade aparente, mas o dano real ocorre. A alternativa C é insuficiente por não abordar a normalização cultural entre subordinados.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Restringe a atuação do líder a “incentivos extrínsecos elevados – bônus, privilégios ou recompensas materiais –, sem promover qualquer mudança na cultura ou nos valores institucionais”. Isso contradiz a premissa de que a liderança antiética age sobre a cultura organizacional e forma redes. Além disso, a alternativa afirma que as políticas públicas “permanecem inalteradas”, o que vai contra a tese central de que a liderança antiética inibe a qualidade das políticas. A ausência de mudança cultural torna a descrição incompatível com o papel ativo e corruptor do líder.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Propõe que o líder “substitui os canais formais e os colegiados por uma vigilância individual intensiva”, mantendo a fachada institucional. Isso descreve um controle paralelo, mas não menciona redes de troca ilícita nem normalização cultural – ao contrário, a vigilância intensa pode até coibir comportamentos desviantes. A alternativa não capta a dinâmica de corrupção sistêmica; foca em supervisão, não em corrupção ativa. Além disso, a “vigilância individual intensiva” não é uma conduta típica de líder antiético que favorece a corrupção; seria mais associada a um líder autoritário que coíbe a corrupção. Portanto, está errada.

Gabarito: letra A.

Link permanente: /questoes/fg124207