Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2025
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Código
fg125726
Banca
FGV
Órgão
TCE-RR
Ano
2025
Nível
Superior
Assinale a frase em que a expressão “é que” faz parte da estrutura da frase e não simplesmente uma expressão de ênfase.
AAs más companhias é que foram a minha perdição.
BA verdade é que ninguém escapa da morte.
CQuem compra e mente, em seu bolso é que sente.
DGente ignorante é que faz piada de tudo.
EQuanto é que os conselhos valem aos homens?
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GabaritoB — A verdade é que ninguém escapa da morte.
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A expressão “é que” — estrutura vs. ênfase
Gabarito: letra B. A única frase em que “é que” não é um recurso de ênfase (clivagem), mas parte integrante da estrutura oracional, é “A verdade é que ninguém escapa da morte”. Nela, “é” é o verbo de ligação e “que” introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta (ou predicativa). Nas demais, “é que” forma uma clivagem, típica de construções enfáticas.
Análise detalhada
A questão pede que se identifique a frase em que “é que” faz parte da estrutura da frase – ou seja, não pode ser retirado sem prejuízo sintático e semântico – e não é apenas um realce enfático (como em “As más companhias é que foram...”). A chave é perceber quando o “é” funciona como verbo principal e o “que” como conjunção integrante, versus quando ambos formam uma expressão expletiva de realce.
Alternativa A — ❌ Incorreta
> “As más companhias é que foram a minha perdição.”
Aqui, “é que” é uma clivagem (ou cê-dê): a oração poderia ser “As más companhias foram a minha perdição”, e o “é que” apenas enfatiza o sujeito. Retirar “é que” não altera a estrutura; apenas perde a ênfase. Portanto, é expressão de ênfase.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
> “A verdade é que ninguém escapa da morte.”
O “é” é o verbo de ligação da oração principal (“A verdade é X”), e “que” é a conjunção integrante que introduz a oração subordinada substantiva predicativa (ou objetiva direta, conforme a análise). Sem “é que” a frase se torna “A verdade ninguém escapa da morte”, que é agramatical ou muda completamente o sentido. Logo, “é que” é estrutural.
Alternativa C — ❌ Incorreta
> “Quem compra e mente, em seu bolso é que sente.”
Novamente, “é que” é ênfase: a frase base seria “em seu bolso sente”, e “é que” realça o adjunto adverbial. Remove-se “é que” e a estrutura se mantém.
Alternativa D — ❌ Incorreta
> “Gente ignorante é que faz piada de tudo.”
Idem: “Gente ignorante faz piada de tudo” é a frase sem ênfase; “é que” apenas destaca o sujeito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
> “Quanto é que os conselhos valem aos homens?”
É uma interrogação clivada: “Quanto é que...” equivale a “Quanto valem os conselhos aos homens?”. O “é que” é realce interrogativo, não parte da estrutura essencial.
Alternativa
Frase
Função de "é que"
É estrutural?
A
As más companhias é que foram a minha perdição.
Clivagem (ênfase no sujeito)
❌ Não
B
A verdade é que ninguém escapa da morte.
Verbo de ligação + conjunção integrante
✅ Sim
C
Quem compra e mente, em seu bolso é que sente.
Clivagem (ênfase no adjunto)
❌ Não
D
Gente ignorante é que faz piada de tudo.
Clivagem (ênfase no sujeito)
❌ Não
E
Quanto é que os conselhos valem aos homens?
Clivagem interrogativa
❌ Não
"é que" na frase
1Estrutural (parte da oração)
"é" = verbo de ligação
"que" = conjunção integrante
Retirada quebra a frase
2Ênfase (clivagem)
"é que" = realce expletivo
Retirada mantém a frase
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PEGA ESSA DICA!
Para distinguir, tente retirar o “é que” da frase. Se o resultado for gramatical e mantiver o sentido básico (apenas perdendo a ênfase), trata-se de expressão enfática. Se a frase se tornar agramatical ou absurda, o “é que” é estrutural.