Questão de Estatística — Inferência estatística — FGV 2025
- Código
- fg125751
- Banca
- FGV
- Órgão
- TCE-RR
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- AV – V – V.
- BV – V – F.
- CV – F – F.
- DF – V – F.
- EF – F – F.
GabaritoD — F – V – F.
Gabarito: letra D — a sequência correta é F – V – F. A primeira afirmativa é falsa porque estimativa pontual é um único valor numérico, não um intervalo; a segunda é verdadeira, pois o erro tipo I é exatamente rejeitar a hipótese nula quando ela é verdadeira; e a terceira é falsa, pois rejeitamos H₀ quando o p-valor é menor que o nível de significância α, não maior.
Vamos entender cada conceito a fundo, porque a banca mistura três ideias que costumam confundir: estimação pontual, intervalo de confiança e a lógica de decisão do teste de hipóteses.
Estimação pontual × estimação intervalar. Na estimação pontual, calcula-se um único valor (a estimativa) para aproximar o parâmetro populacional desconhecido — por exemplo, a média amostral como estimativa da média populacional . Já o intervalo de confiança é uma amplitude de valores que, com determinado nível de confiança (como 95%), tem probabilidade de conter o verdadeiro parâmetro. São coisas distintas: a estimativa pontual não é obtida por intervalo; ela é um número só. A afirmativa I inverte exatamente essa relação.
Erro tipo I e erro tipo II. Em um teste de hipóteses, a decisão é tomada com base na amostra, então dois erros são possíveis:
Decisão | H₀ verdadeira | H₀ falsa |
|---|---|---|
Não rejeitar H₀ | Decisão correta (1 – α) | Erro tipo II (β) |
Rejeitar H₀ | Erro tipo I (α) | Decisão correta (1 – β) |
O erro tipo I é rejeitar H₀ quando ela é verdadeira, e sua probabilidade é o nível de significância α. O erro tipo II é não rejeitar H₀ quando ela é falsa, com probabilidade β. A afirmativa II descreve corretamente o erro tipo I.
P-valor e a regra de decisão. O p-valor é a probabilidade de obter um resultado tão ou mais extremo quanto o observado, assumindo que H₀ é verdadeira. A regra de decisão é: rejeitamos H₀ se o p-valor for menor que α; se for maior, não rejeitamos H₀. A afirmativa III inverte essa regra, dizendo que H₁ é aceita quando o p-valor é maior que α — o que está errado.
A afirmativa diz que a estimativa pontual é obtida por meio de um intervalo de confiança. Isso é falso: a estimativa pontual é um único valor calculado a partir da amostra, enquanto o intervalo de confiança é uma faixa de valores que contém o parâmetro com certa probabilidade. São métodos distintos de estimação.
A afirmativa descreve corretamente o erro tipo I: rejeitar a hipótese nula quando ela é verdadeira. A probabilidade desse erro é o nível de significância α. É a definição clássica, presente em qualquer material de testes de hipóteses.
A afirmativa inverte a regra de decisão. Rejeitamos H₀ quando o p-valor é menor que α, não maior. Quando o p-valor é maior que α, não rejeitamos H₀ — não dizemos que H₁ é aceita. A hipótese alternativa nunca é "aceita" formalmente; apenas não rejeitamos H₀.
Conclusão: a sequência correta é F – V – F, portanto o gabarito é a letra D.
A banca troca a regra do p-valor: afirma que H₁ é aceita quando p-valor > α, mas o correto é rejeitar H₀ quando p-valor < α. Além disso, confunde estimativa pontual com intervalo de confiança — são conceitos opostos. Fique atento a essas inversões clássicas.
Para não errar, memorize: p-valor menor que α → rejeita H₀; p-valor maior que α → não rejeita H₀. E lembre: estimativa pontual = um número; intervalo de confiança = uma faixa.
Gabarito: letra D
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