Questão de Estatística — Cálculo de Probabilidades — FGV 2025
- Código
- fg125753
- Banca
- FGV
- Órgão
- TCE-RR
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- AI, II e III, apenas.
- BI, II e IV, apenas.
- CI e II, apenas.
- DII, III e IV, apenas.
- EI, II, III e IV.
GabaritoA — I, II e III, apenas.
Gabarito: letra A. Estão corretas as afirmações I, II e III, apenas. A afirmação IV está errada porque eventos independentes não têm, necessariamente, interseção com probabilidade zero — a independência implica , e não que essa interseção seja vazia. Os axiomas de Kolmogorov (probabilidade do espaço amostral igual a 1, não negatividade e aditividade para eventos mutuamente exclusivos) sustentam as três primeiras afirmações.
A questão cobra os fundamentos da teoria da probabilidade, especificamente os axiomas de Kolmogorov e as regras de probabilidade que deles decorrem. Vamos revisar cada conceito para fixar o que a banca espera.
Axiomas de Kolmogorov (a base de tudo):
para todo evento (probabilidade nunca é negativa);
, onde é o espaço amostral (a probabilidade do evento certo é 1);
Se são eventos mutuamente exclusivos (disjuntos), então (aditividade para eventos disjuntos).
A partir desses axiomas, derivam-se as regras mais usadas:
Probabilidade do complementar: — pois e são mutuamente exclusivos e sua união é o espaço amostral.
Regra da adição (união): . Quando e são mutuamente exclusivos, , e a fórmula se reduz a .
Independência: e são independentes se . Isso não exige que a interseção seja vazia — eventos independentes podem ocorrer juntos (ex.: lançar dois dados e obter 6 em ambos).
A pegadinha da banca está justamente em confundir independência com mutuamente exclusivos. Eventos mutuamente exclusivos não podem ocorrer juntos (), enquanto eventos independentes podem ocorrer juntos, e a probabilidade da interseção é o produto das probabilidades individuais. Essa distinção é clássica e muito cobrada.
A afirmação "A probabilidade do espaço amostral S é igual a 1, ou seja, P(S) = 1" é exatamente o segundo axioma de Kolmogorov. É a condição de normalização: a soma das probabilidades de todos os resultados possíveis é 1. Por exemplo, no lançamento de um dado, .
Se e são mutuamente exclusivos (disjuntos), então . Pela regra geral da adição, , que se reduz a . Isso decorre diretamente do terceiro axioma (aditividade para eventos disjuntos).
A afirmação "" é uma proposição derivada dos axiomas. Como e são mutuamente exclusivos e , temos , logo . É uma das relações mais usadas em problemas de probabilidade.
A afirmação "Se A e B são eventos independentes, então a probabilidade de sua interseção é zero" é falsa. Independência significa que a ocorrência de um não afeta a probabilidade do outro, e a regra é:
Essa probabilidade só é zero se ou — ou seja, se um dos eventos for impossível. Em geral, eventos independentes podem ocorrer simultaneamente. Por exemplo, lançar uma moeda e um dado: os eventos "cara" e "sair 6" são independentes, e a probabilidade de ambos ocorrerem é .
A banca troca independência por mutuamente exclusivos. Eventos mutuamente exclusivos têm interseção vazia (), mas eventos independentes não — eles podem ocorrer juntos, e a probabilidade da interseção é o produto das probabilidades. Essa confusão é o erro mais comum nesse tipo de questão. Fique atento: se a alternativa diz "independentes ⇒ interseção zero", está errada.
Para não errar, decore o par de regras: mutuamente exclusivos → e ; independentes → . Na prova, sublinhe as palavras "mutuamente exclusivos" e "independentes" — elas mudam tudo.
Gabarito: letra A — corretos apenas os itens I, II e III.
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