Questão de Administração Pública — Modelos teóricos de Administração Pública — FGV 2026
Administração Pública›Modelos teóricos de Administração Pública
Código
fg126429
Banca
FGV
Órgão
AL-RO
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo (Administração)
A Nova Gestão Pública difundiu instrumentos como contratos de desempenho, indicadores de resultados e mecanismos de competição, com o objetivo de aumentar a eficiência e a responsividade da Administração Pública. Entretanto, a literatura crítica aponta que a incorporação desses instrumentos pode gerar tensões relevantes quando aplicada a contextos institucionais complexos e a políticas públicas de caráter distributivo.Considerando essas críticas, assinale a afirmativa que expressa um limite estrutural da Nova Gestão Pública no setor público.
AA ênfase em contratos e metas pode reduzir a capacidade do Estado de lidar com objetivos múltiplos e conflitantes, próprios das políticas públicas.
BO uso de indicadores de desempenho inviabiliza qualquer forma de controle social sobre a ação governamental.
CA orientação para resultados elimina a necessidade de coordenação interorganizacional no interior do Estado.
DA adoção de mecanismos de competição substitui integralmente a regulação estatal por arranjos de mercado.
EA separação entre formulação e execução das políticas públicas impede a responsabilização dos gestores.
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GabaritoA — A ênfase em contratos e metas pode reduzir a capacidade do Estado de lidar com objetivos múltiplos e conflitantes, próprios das políticas públicas.
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Limites da Nova Gestão Pública no Setor Público
Gabarito: letra A. A literatura crítica aponta que a ênfase em contratos e metas, típica da Nova Gestão Pública (NGP), pode reduzir a capacidade do Estado de lidar com objetivos múltiplos e conflitantes, característica intrínseca das políticas públicas. As demais alternativas exageram ou distorcem os efeitos dos instrumentos gerenciais.
A questão testa a compreensão das críticas à NGP quando aplicada a contextos complexos. O modelo gerencial, inspirado no setor privado, utiliza contratos de desempenho, indicadores e competição para aumentar eficiência, mas enfrenta limitações diante da natureza multidimensional e conflituosa das políticas públicas, especialmente as de caráter distributivo.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação expressa um limite estrutural reconhecido: a NGP tende a focar em metas quantificáveis e contratos, o que pode simplificar excessivamente a realidade e dificultar a gestão de objetivos que são, por natureza, múltiplos e conflitantes (ex.: eficiência vs. equidade, crescimento vs. sustentabilidade). A literatura crítica destaca que essa abordagem pode levar à "miopia dos indicadores", sacrificando dimensões não mensuráveis.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O uso de indicadores de desempenho, ao contrário do que afirma, não inviabiliza o controle social; pode até facilitá-lo, ao tornar os resultados mais transparentes e passíveis de fiscalização pela sociedade. A afirmativa é uma generalização indevida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A orientação para resultados, na verdade, exige maior coordenação interorganizacional, pois a consecução de metas muitas vezes depende da atuação conjunta de diversos órgãos e entes federativos. A NGP não elimina essa necessidade; ao contrário, pode evidenciar a fragmentação administrativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Mecanismos de competição (quase-mercados, contratualização) não substituem integralmente a regulação estatal. O Estado continua regulando, definindo regras e fiscalizando; a competição é introduzida como ferramenta, não como substituto da regulação. A afirmação é exagerada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A separação entre formulação e execução é uma característica do modelo gerencial, mas não impede a responsabilização dos gestores. Pelo contrário, contratos de gestão e indicadores são mecanismos que buscam justamente aumentar a accountability, vinculando resultados a sanções e recompensas.
Conclusão: A única alternativa que expressa um limite estrutural real da Nova Gestão Pública é a letra A.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora o entusiasmo com a NGP: o candidato pode achar que todos os instrumentos gerenciais são sempre benéficos, mas a crítica demonstra que eles podem gerar tensões e simplificações indevidas. As alternativas B a E são distorções que parecem "óbvias" para quem conhece o modelo, mas são exageradas ou incorretas. Fique atento: o limite não está nos instrumentos em si, mas na aplicação acrítica a contextos complexos.