Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FGV 2026

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
fg133491
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Paciente de 58 anos procura atendimento médico com queixa de tontura rotatória há 3 dias. Refere que os sintomas iniciaram ao virar-se na cama pela manhã, com sensação de que o ambiente girava ao seu redor. Os episódios duram cerca de 15 a 30 segundos, são desencadeados por mudanças de posição da cabeça (deitar, levantar, virar-se na cama) e melhoram quando ele permanece imóvel. Nega cefaleia, perda auditiva, zumbido, plenitude auricular ou sintomas neurológicos focais. Relata náusea durante os episódios, sem vômitos. Nega trauma craniano recente. Ao exame físico: marcha sem alterações, ausência de nistagmo espontâneo em posição neutra, ausência de sinais neurológicos focais, otoscopia normal bilateralmente. Foi realizada manobra de Dix-Hallpike à direita, que reproduziu a vertigem com nistagmo rotatório batendo para cima e para a direita, com latência de 3 segundos e duração de 20 segundos, fatigando com repetições.O diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica inicial adequada para esse caso são:
  1. Aneurite vestibular; corticoterapia com prednisona 1 mg/kg/dia por 3 dias com desmame progressivo e reabilitação vestibular precoce;
  2. Bvertigem postural paroxística benigna de canal semicircular posterior direito; manobra de reposicionamento canalicular de Epley;
  3. Cdoença de Ménière; dieta hipossódica, restrição de cafeína e álcool, e betaistina 48 mg/dia divididos em 3 tomadas;
  4. Denxaqueca vestibular; profilaxia com propranolol 80 mg/dia e orientação para identificar e evitar gatilhos alimentares;
  5. Eacidente vascular cerebral de fossa posterior; internação hospitalar e neuroimagem urgente com tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — vertigem postural paroxística benigna de canal semicircular posterior direito; manobra de reposicionamento canalicular de Epley;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB): diagnóstico e manobra de Epley

Gabarito: letra B. O quadro é clássico de vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) de canal semicircular posterior direito: vertigem rotatória de curta duração (15–30 s), desencadeada por mudanças de posição da cabeça, com manobra de Dix-Hallpike positiva à direita (nistagmo rotatório, latência e fadiga) e ausência de sintomas auditivos ou neurológicos. A conduta inicial é a manobra de reposicionamento canalicular de Epley, que desloca os otólitos do canal semicircular posterior de volta ao utrículo.

A VPPB é a causa mais comum de vertigem na prática clínica, especialmente em adultos e idosos. Resulta da presença de debris otoconiais (otólitos) que se desprendem do utrículo e migram para um dos canais semicirculares — na grande maioria dos casos, o canal semicircular posterior, por sua posição anatômica mais dependente da gravidade. Quando o paciente muda a posição da cabeça, esses debris se movimentam dentro do canal, estimulando as células ciliadas e gerando a falsa sensação de rotação. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na anamnese e na manobra de Dix-Hallpike, que reproduz a vertigem e o nistagmo característico. O nistagmo na VPPB de canal posterior é rotatório, com componente vertical para cima (upbeating), tem latência de poucos segundos, dura menos de 1 minuto e fatiga com a repetição da manobra — exatamente o que o enunciado descreve. A ausência de sintomas auditivos (perda auditiva, zumbido, plenitude aural) e de sinais neurológicos focais afasta as principais causas centrais e a doença de Ménière.

O tratamento de escolha é a manobra de Epley, um procedimento de reposicionamento canalicular que, por meio de uma sequência de movimentos da cabeça e do tronco, utiliza a gravidade para mover os otólitos do canal semicircular posterior de volta ao utrículo. A manobra é altamente efetiva, com taxa de sucesso de cerca de 80–90% após uma única sessão, e pode ser repetida se necessário. Diferentemente da neurite vestibular, que exige corticoterapia e reabilitação vestibular, e da doença de Ménière, que requer dieta hipossódica e diuréticos, a VPPB não responde a medicamentos — a resolução é mecânica. A distinção entre as vertigens periféricas é o ponto central da questão, e a tabela abaixo resume os critérios que separam cada uma:

Critério

VPPB

Neurite vestibular

Doença de Ménière

Enxaqueca vestibular

AVC de fossa posterior

Duração do episódio

Segundos (geralmente < 1 min)

Horas a dias (contínuo)

Minutos a horas (20 min–12 h)

Minutos a horas

Contínuo (horas a dias)

Desencadeante

Mudança de posição da cabeça

Espontâneo (frequentemente pós-viral)

Espontâneo

Espontâneo ou gatilhos alimentares

Espontâneo

Sintomas auditivos

Ausentes

Ausentes (sem surdez)

Presentes (perda auditiva flutuante, zumbido, plenitude aural)

Ausentes

Ausentes

Sintomas neurológicos

Ausentes

Ausentes

Ausentes

Possíveis (aura, cefaleia)

Presentes (diplopia, disartria, ataxia, déficits focais)

Dix-Hallpike

Positiva (nistagmo com latência, fadiga)

Negativa

Negativa

Negativa

Negativa

Tratamento inicial

Manobra de Epley

Corticoterapia + reabilitação vestibular

Dieta hipossódica + diuréticos

Profilaxia (betabloqueador, etc.) + evitar gatilhos

Internação + neuroimagem urgente

A pegadinha da banca está em explorar a associação automática entre vertigem e causas mais "graves" ou mais "famosas". O candidato que não domina a semiologia da VPPB pode confundir com neurite vestibular (pela vertigem aguda) ou com AVC de fossa posterior (pelo medo de causa central). No entanto, a duração curta dos episódios, o desencadeamento posicional, a ausência de sintomas auditivos e neurológicos e a Dix-Hallpike positiva com nistagmo fatigável são patognomônicos de VPPB. A manobra de Epley é a conduta inicial correta, e não há indicação de neuroimagem, corticoterapia ou dieta específica.

1VPPB
Segundos de duração
Posicional
Dix-Hallpike positiva
Manobra de Epley
2Neurite vestibular
Horas a dias
Espontânea
Dix-Hallpike negativa
Corticoterapia
3Doença de Ménière
Minutos a horas
Sintomas auditivos
Dieta hipossódica
Vertigem periférica
LEVELsoulevel.com.br
Vertigem periférica: VPPB (Segundos de duração, Posicional, Dix-Hallpike positiva, Manobra de Epley); Neurite vestibular (Horas a dias, Espontânea, Dix-Hallpike negativa, Corticoterapia); Doença de Ménière (Minutos a horas, Sintomas auditivos, Dieta hipossódica)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A neurite vestibular é uma síndrome vestibular aguda, com vertigem contínua por horas a dias, frequentemente precedida de infecção viral, e não é desencadeada por mudanças de posição nem apresenta nistagmo fatigável à Dix-Hallpike. O tratamento com corticoterapia e reabilitação vestibular é adequado para neurite, mas não para VPPB, cuja resolução é mecânica (manobra de reposicionamento).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve exatamente o diagnóstico e a conduta: VPPB de canal semicircular posterior direito (confirmada pela Dix-Hallpike positiva à direita, com nistagmo rotatório, latência e fadiga) e manobra de reposicionamento canalicular de Epley, que é o tratamento de primeira linha para essa condição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A doença de Ménière caracteriza-se por crises de vertigem espontânea com duração de 20 minutos a 12 horas, associadas a perda auditiva flutuante, zumbido e plenitude aural — sintomas ausentes no paciente. O tratamento com dieta hipossódica, restrição de cafeína/álcool e betaistina é específico para Ménière, não para VPPB.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A enxaqueca vestibular manifesta-se com episódios de vertigem espontânea, frequentemente associados a cefaleia, fotofobia, fonofobia ou aura, e não é desencadeada por mudanças de posição da cabeça. O paciente nega cefaleia e não apresenta critérios para esse diagnóstico. A profilaxia com propranolol e a orientação para evitar gatilhos são condutas para enxaqueca, não para VPPB.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O AVC de fossa posterior é uma emergência neurológica que cursa com vertigem de início súbito e contínua, associada a sinais neurológicos focais (diplopia, disartria, ataxia, déficits motores ou sensitivos) — todos ausentes no paciente. A ausência de fatores de risco, a duração curta dos episódios e a Dix-Hallpike positiva com nistagmo fatigável afastam essa hipótese. Internação e neuroimagem urgente seriam indicadas apenas se houvesse suspeita de causa central.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre vertigem aguda e causas graves (AVC) ou entre vertigem e sintomas auditivos (Ménière). O candidato que não valoriza a duração curta (segundos), o desencadeamento posicional e a Dix-Hallpike positiva com nistagmo fatigável pode cair na alternativa E ou A. Lembre-se: na VPPB, a vertigem é posicional, breve e sem sintomas auditivos ou neurológicos — e o tratamento é a manobra de Epley, não medicação.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as vertigens na prova, use o tempo de duração do episódio como primeiro filtro: segundos → VPPB; minutos a horas → Ménière ou enxaqueca vestibular; contínuo por dias → neurite vestibular ou AVC. Depois, verifique a presença de sintomas auditivos (Ménière) e neurológicos (AVC). A Dix-Hallpike positiva com nistagmo fatigável fecha o diagnóstico de VPPB.

Gabarito: letra B — VPPB de canal semicircular posterior direito, tratada com manobra de Epley.

Link permanente: /questoes/fg133491