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Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2026

MedicinaGeriatria
Código
fg133494
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Mulher de 75 anos, previamente independente, procura o ambulatório referindo fraqueza progressiva há um ano. Relata que até o ano passado conseguia fazer caminhadas no bairro e realizar atividades domésticas sem dificuldade, mas progressivamente vem apresentando dificuldade para subir escadas, levantar-se da cadeira sem apoio e carregar sacolas de compras. Alimenta-se com dieta pobre em proteínas (ingesta estimada de 0,6 g/kg/dia) e evita exposição solar por medo de câncer de pele. Nega perda ponderal recente, doenças crônicas ou uso contínuo de medicamentos. Ao exame físico: lúcida, orientada, eupneica, sem edemas ou sinais de desnutrição. Força de preensão palmar (dinamometria) = 14 kg (ponto de corte para mulheres < 16 kg), velocidade de marcha = 0,6 m/s (ponto de corte < 0,8 m/s), teste de sentar e levantar 5 vezes =18 segundos (valor de referência < 15 s). IMC = 22 kg/m², circunferência da panturrilha = 31 cm. Hemograma, função renal, hepática e tireoidiana normais. Dosagem sérica de 25-hidroxivitamina D = 18 ng/mL.Com base nos critérios diagnósticos do Grupo Europeu de Trabalho sobre Sarcopenia em Pessoas Idosas (European Working Group on Sarcopenia in Older People – 2019) e nas recomendações clínicas mais atuais, o diagnóstico e a conduta mais adequados são:
  1. Adesnutrição proteico-calórica; prescrever suplemento hipercalórico e restringir exercícios físicos até recuperação ponderal;
  2. Bsarcopenia primária; instituir treinamento resistido supervisionado, aporte proteico de 1,0-1,2 g/kg/dia e suplementação de vitamina D;
  3. Csarcopenia secundária à inatividade; indicar suplementação de creatina monoidratada e exercícios resistidos até normalização da vitamina D;
  4. Dcaquexia; iniciar suporte nutricional enteral e considerar o uso de estimulante de apetite (acetato de megestrol);
  5. Esarcopenia severa; priorizar reposição de testosterona transdérmica para preservação da massa muscular antes de iniciar fisioterapia.
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GabaritoB — sarcopenia primária; instituir treinamento resistido supervisionado, aporte proteico de 1,0-1,2 g/kg/dia e suplementação de vitamina D;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sarcopenia: diagnóstico e conduta pelo EWGSOP2

Gabarito: letra B. A paciente preenche os critérios diagnósticos de sarcopenia primária pelo consenso do European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP2, 2019) — baixa força de preensão palmar (14 kg, ponto de corte < 16 kg) associada a baixa quantidade/qualidade muscular (circunferência da panturrilha 31 cm, abaixo do ponto de corte de 33 cm) — e a conduta mais adequada é treinamento resistido supervisionado, aporte proteico de 1,0–1,2 g/kg/dia e suplementação de vitamina D, dado o quadro de hipovitaminose D (18 ng/mL).

A sarcopenia é uma doença muscular progressiva e generalizada, caracterizada pela perda de força e massa muscular associada a declínio funcional. O consenso EWGSOP2 (2019) estabeleceu um algoritmo diagnóstico em etapas: primeiro se rastreia com o questionário SARC-F ou pela queixa clínica de fraqueza; depois se confirma pela baixa força muscular (força de preensão palmar < 16 kg em mulheres ou < 27 kg em homens, ou teste de sentar-levantar 5 vezes > 15 segundos); e, por fim, se classifica a gravidade pela baixa quantidade/qualidade muscular (massa muscular apendicular, avaliada por DXA ou bioimpedância, ou medidas antropométricas como a circunferência da panturrilha < 33 cm) e pelo desempenho físico (velocidade de marcha < 0,8 m/s, entre outros). A sarcopenia é considerada primária quando não há causa secundária identificável (envelhecimento isolado) e secundária quando associada a doença, inatividade ou desnutrição — embora na prática haja sobreposição de fatores.

No caso apresentado, a paciente tem 75 anos, é independente e não apresenta doenças crônicas, perda ponderal ou uso de medicamentos — o que afasta causas secundárias óbvias como doença inflamatória, neoplasia ou insuficiência orgânica. A dieta pobre em proteínas (0,6 g/kg/dia) e a deficiência de vitamina D (18 ng/mL) são fatores de risco que contribuem para o quadro, mas não definem uma causa secundária específica. A fraqueza progressiva, a dificuldade para subir escadas e levantar da cadeira (sugerindo fraqueza de cintura pélvica), a força de preensão palmar reduzida, a velocidade de marcha lenta e o teste de sentar-levantar prolongado confirmam o diagnóstico de sarcopenia. A circunferência da panturrilha de 31 cm (< 33 cm) reforça a baixa massa muscular. Assim, o diagnóstico é de sarcopenia primária (relacionada ao envelhecimento), e a conduta deve combinar exercício resistido supervisionado (intervenção mais eficaz para ganho de força e massa muscular), aporte proteico adequado (1,0–1,2 g/kg/dia, conforme recomendação para idosos com sarcopenia) e suplementação de vitamina D (para corrigir a deficiência, que compromete a função muscular).

A distinção entre sarcopenia, caquexia e desnutrição é crucial. A caquexia é uma síndrome metabólica complexa associada a doença de base (câncer, insuficiência cardíaca, doença renal crônica), caracterizada por perda de peso involuntária, atrofia muscular e inflamação sistêmica — não é o caso, pois a paciente nega perda ponderal e não tem doença crônica. A desnutrição proteico-calórica envolve déficit energético e proteico com perda de peso e de tecido adiposo — também não se aplica, já que o IMC é normal (22 kg/m²) e não há sinais de desnutrição. A sarcopenia secundária à inatividade seria considerada se houvesse um quadro de imobilização prolongada ou sedentarismo extremo como causa principal — mas a paciente era ativa até um ano atrás, e a perda de função é progressiva, sem um gatilho claro de inatividade. A sarcopenia severa é definida pela presença de baixa força, baixa massa muscular E baixo desempenho físico — a paciente tem baixa força e baixa massa, mas a velocidade de marcha de 0,6 m/s e o teste de sentar-levantar de 18 s indicam comprometimento do desempenho, o que poderia sugerir severidade; no entanto, a alternativa E propõe conduta incorreta (reposição de testosterona como primeira linha, sem evidência robusta para essa indicação em sarcopenia).

A pegadinha central desta questão é a troca de diagnósticos e condutas: a banca oferece alternativas com diagnósticos plausíveis (desnutrição, sarcopenia secundária, caquexia, sarcopenia severa) e condutas parcialmente corretas, mas apenas a letra B combina o diagnóstico correto com a conduta baseada em evidências. O candidato que memoriza os pontos de corte do EWGSOP2 e as recomendações de tratamento (exercício resistido + proteína + vitamina D) resolve a questão com segurança. Guarde o algoritmo: rastreio → confirmação (força) → gravidade (massa + desempenho) — é exatamente nessa sequência que as alternativas se dividem.

Critério

Sarcopenia primária (gabarito)

Sarcopenia secundária à inatividade

Caquexia

Desnutrição proteico-calórica

Causa

Envelhecimento isolado

Imobilização/sedentarismo extremo

Doença de base (câncer, IC, DRC)

Déficit energético e proteico

Perda de peso

Ausente

Variável

Involuntária, presente

Presente

IMC

Normal (22 kg/m²)

Variável

Baixo ou normal

Baixo

Inflamação sistêmica

Ausente

Ausente

Presente

Ausente

Conduta correta

Exercício resistido + proteína 1,0–1,2 g/kg/dia + vitamina D

Exercício resistido + correção da causa

Tratar doença de base + suporte nutricional

Suporte nutricional + correção do déficit

Alternativa A — ❌ Incorreta

O diagnóstico de desnutrição proteico-calórica está incorreto: a paciente tem IMC normal (22 kg/m²), sem perda ponderal, sem sinais de desnutrição ao exame físico (sem edemas, sem hipotrofia evidente). Embora a ingestão proteica seja baixa (0,6 g/kg/dia), isso é um fator de risco para sarcopenia, não define desnutrição. Além disso, a conduta proposta — restringir exercícios físicos até recuperação ponderal — é contrária às recomendações: o exercício resistido é a principal intervenção para sarcopenia e não deve ser adiado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O diagnóstico de sarcopenia primária está correto: a paciente tem baixa força (preensão palmar 14 kg < 16 kg), baixa massa muscular (panturrilha 31 cm < 33 cm) e baixo desempenho físico (marcha 0,6 m/s < 0,8 m/s; sentar-levantar 18 s > 15 s), sem causa secundária identificável. A conduta está alinhada às diretrizes: treinamento resistido supervisionado (intervenção de primeira linha), aporte proteico de 1,0–1,2 g/kg/dia (recomendação para idosos com sarcopenia, superior aos 0,6 g/kg/dia atuais) e suplementação de vitamina D (para corrigir a deficiência de 18 ng/mL, que compromete a função muscular).

Alternativa C — ❌ Incorreta

O diagnóstico de sarcopenia secundária à inatividade é questionável: a paciente era ativa até um ano atrás e não há relato de imobilização ou sedentarismo extremo como causa principal — a perda funcional é progressiva e sem gatilho claro. A conduta proposta — suplementação de creatina monoidratada e exercícios resistidos até normalização da vitamina D — é incompleta e incorreta: a creatina tem evidência limitada em sarcopenia e não substitui a correção do aporte proteico; além disso, não há justificativa para adiar os exercícios até a normalização da vitamina D.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O diagnóstico de caquexia está incorreto: a caquexia é uma síndrome metabólica associada a doença de base (câncer, insuficiência cardíaca, doença renal crônica), com perda de peso involuntária e inflamação sistêmica — a paciente nega perda ponderal e não tem doença crônica. A conduta proposta — suporte nutricional enteral e acetato de megestrol — é inadequada: não há indicação de nutrição enteral (a paciente se alimenta por via oral) e o acetato de megestrol é usado em caquexia por doença avançada, não em sarcopenia primária.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O diagnóstico de sarcopenia severa é discutível: a paciente tem baixa força e baixa massa, mas a classificação de severidade pelo EWGSOP2 exige baixo desempenho físico — a velocidade de marcha de 0,6 m/s e o teste de sentar-levantar de 18 s indicam comprometimento, o que poderia sugerir severidade. No entanto, a conduta proposta — reposição de testosterona transdérmica como prioridade antes da fisioterapia — é incorreta: a testosterona não é recomendada como primeira linha para sarcopenia (evidência limitada e riscos cardiovasculares), e o exercício resistido é a intervenção fundamental, não devendo ser adiado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de diagnósticos e condutas: oferece diagnósticos plausíveis (desnutrição, sarcopenia secundária, caquexia, sarcopenia severa) com condutas parcialmente corretas, mas apenas a letra B combina o diagnóstico correto com a conduta baseada em evidências. O candidato que memoriza os pontos de corte do EWGSOP2 (força < 16 kg, marcha < 0,8 m/s, sentar-levantar > 15 s, panturrilha < 33 cm) e as recomendações de tratamento (exercício resistido + proteína 1,0–1,2 g/kg/dia + vitamina D) resolve a questão com segurança. Fique atento: a sarcopenia severa exige baixo desempenho físico, mas a conduta de reposição de testosterona como primeira linha é um distrator clássico.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de sarcopenia, decore o algoritmo do EWGSOP2: rastreio (SARC-F ou queixa) → confirmação (força) → gravidade (massa + desempenho). Na conduta, lembre-se do tripé: exercício resistido + proteína (1,0–1,2 g/kg/dia) + vitamina D (se deficiente). Compare com caquexia (doença de base + perda de peso) e desnutrição (déficit energético + perda de peso) — são os distratores mais comuns.

Gabarito: letra B — sarcopenia primária; treinamento resistido supervisionado, aporte proteico de 1,0–1,2 g/kg/dia e suplementação de vitamina D.

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