Homem de 32 anos, previamente hígido, apresenta quadro de tosse seca, sibilos e sensação de opressão torácica há 6 meses. Os sintomas são predominantemente noturnos e desencadeados por exposição a poeira doméstica, ocorrendo mais de duas vezes por semana, porém não diariamente. Espirometria mostra relação VEF₁/CVF = 0,72 e aumento do VEF₁ de 15% e 250 mL após broncodilatador.Com base na estratégia preferencial recomendada pelo GINA 2024–2025, o tratamento inicial mais adequado para esse paciente é:
Aprescrever apenas broncodilatador β₂-agonista de curta duração (SABA) sob demanda, por se tratar de asma leve;
B) iniciar como monoterapia, corticosteroide inalatório (CI) de manutenção diária em baixa dose, sem broncodilatador de alívio prescrito;
Cutilizar combinação de corticoide inalatório (formoterol) em baixa dose como medicação única de alívio e manutenção;
Diniciar apenas tratamento sintomático e reavaliar com nova espirometria em três meses;
Eprescrever montelucaste como monoterapia de manutenção, reservando o corticosteroide inalatório (CI) para falha terapêutica.
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GabaritoC — utilizar combinação de corticoide inalatório (formoterol) em baixa dose como medicação única de alívio e manutenção;
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Asma: tratamento inicial conforme GINA 2024–2025
Gabarito: letra C. O paciente tem asma persistente leve (sintomas > 2x/semana, mas não diários) e a estratégia preferencial do GINA 2024–2025 para TODOS os adultos é o uso de corticoide inalatório (CI) + formoterol em baixa dose como medicação única de alívio e manutenção (estratégia MART – Maintenance And Reliever Therapy), em vez de SABA isolado ou CI isolado. A recomendação do GINA abandonou o SABA como monoterapia de alívio e prioriza a combinação CI-formoterol para reduzir risco de exacerbações graves.
O GINA (Global Initiative for Asthma) é a principal diretriz internacional para manejo da asma. Sua atualização de 2019 (mantida nas versões 2024–2025) trouxe uma mudança paradigmática: o SABA isolado não é mais recomendado como tratamento de alívio em nenhuma etapa, pois seu uso frequente, sem anti-inflamatório, aumenta o risco de exacerbações graves e morte. Em vez disso, a estratégia preferencial para adultos e adolescentes é usar uma combinação de CI + formoterol (um LABA de início rápido) tanto para manutenção quanto para alívio dos sintomas — a chamada estratégia MART. O racional é simples: cada vez que o paciente usa o broncodilatador de alívio, ele também recebe uma dose de corticoide inalatório, tratando a inflamação no momento em que ela mais precisa ser controlada.
No caso apresentado, o paciente tem sintomas > 2x/semana (mas não diários), noturnos, desencadeados por poeira — isso o classifica como asma persistente leve (etapa 2 do GINA). A espirometria confirma obstrução (VEF₁/CVF = 0,72, abaixo de 0,75–0,70) com resposta broncodilatadora (aumento de 15% e 250 mL, acima do critério de 12% e 200 mL). Para essa etapa, o GINA 2024–2025 recomenda como tratamento preferencial exatamente a opção C: CI-formoterol em baixa dose como medicação única de alívio e manutenção. As alternativas com SABA isolado (A), CI isolado sem alívio (B), apenas sintomático (D) ou montelucaste isolado (E) estão todas em desacordo com a estratégia preferencial atual.
A pegadinha central desta questão é a atualização do GINA: muitos candidatos ainda memorizaram o esquema antigo (etapa 1 = SABA sob demanda; etapa 2 = CI baixa dose + SABA sob demanda). A banca explora exatamente essa defasagem, oferecendo como distratores as condutas que eram corretas antes de 2019. O aluno que não estudou a mudança cai na alternativa A ou B. A letra C é a única que reflete a recomendação vigente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a defasagem do candidato com o GINA antigo. Antes de 2019, a etapa 1 (asma leve intermitente) era tratada com SABA isolado sob demanda, e a etapa 2 (persistente leve) com CI em baixa dose + SABA sob demanda. O GINA 2019 em diante aboliu o SABA isolado e tornou o CI-formoterol a estratégia preferencial para TODOS os adultos, inclusive na asma leve. As alternativas A e B são armadilhas clássicas para quem não atualizou a diretriz. Fique atento: se a questão mencionar GINA 2024–2025, a resposta quase sempre envolve CI-formoterol como alívio e manutenção.
Estratégia preferencial GINA 2024–2025
1Todos os adultos e adolescentes
CI + formoterol baixa dose
Uso único: alívio e manutenção (MART)
2SABA isolado abolido (desde 2019)
Risco de exacerbação grave
Risco de morte
3Racional
Alívio também administra corticoide
Trata inflamação no momento do sintoma
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Prescrever apenas SABA sob demanda é a conduta abandonada pelo GINA desde 2019. O uso de SABA isolado, sem anti-inflamatório, está associado a maior risco de exacerbações graves e mortalidade. Mesmo na asma leve, a estratégia preferencial é CI-formoterol. Esta alternativa reflete o esquema antigo (etapa 1) e é um distrator clássico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
CI de manutenção diária em baixa dose sem broncodilatador de alívio prescrito é incompleto e perigoso: o paciente precisa de uma medicação de resgate para crises. Além disso, o GINA 2024–2025 prefere a combinação CI-formoterol como medicação única (alívio + manutenção) em vez de CI isolado. Esta opção mistura o esquema antigo (CI diário) com uma falha grave (sem alívio).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é exatamente a estratégia MART do GINA 2024–2025: CI (budesonida ou beclometasona) + formoterol em baixa dose, usado tanto como manutenção diária quanto como medicação de alívio sob demanda. É a recomendação preferencial para adultos e adolescentes em todas as etapas, incluindo asma persistente leve. O formoterol tem início de ação rápido (1–3 minutos), comparável ao SABA, e cada inalação de alívio também administra corticoide, controlando a inflamação precocemente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Apenas tratamento sintomático e reavaliação em três meses é conduta inadequada para asma confirmada com sintomas frequentes. O paciente tem diagnóstico claro (sintomas típicos + espirometria com obstrução e resposta broncodilatadora) e merece tratamento de controle imediato. Adiar o tratamento não é recomendado por nenhuma diretriz.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Montelucaste como monoterapia de manutenção é inferior ao CI e não é a estratégia preferencial do GINA. O montelucaste pode ser uma opção alternativa em casos selecionados (ex.: asma induzida por exercício, intolerância ao CI), mas nunca como primeira escolha na asma persistente leve, e certamente não é a recomendação preferencial do GINA 2024–2025. Reservar o CI para falha terapêutica inverte a lógica: o CI é a base do tratamento, não uma opção tardia.