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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
fg133497
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Mulher de 43 anos, sem comorbidades, realizou ultrassonografia de tireoide solicitada por sua ginecologista após palpação cervical. O exame revelou nódulo sólido hipoecoico de 1,4 cm no terço médio do lobo direito, com margens irregulares e microcalcificações, sem linfonodomegalias cervicais. TSH: 1,9 mUI/L. A paciente nega sintomas compressivos ou exposição prévia a radiação.Considerando as recomendações clínicas mais atuais para o manejo de nódulos tireoidianos em adultos, a próxima conduta mais adequada é:
  1. Arepetir o ultrassom em 6 a 12 meses, pois nódulos menores que 1,5 cm podem ser apenas observados se assintomáticos;
  2. Bsolicitar cintilografia de tireoide para avaliar a função nodular, mesmo com TSH normal;
  3. Cindicar punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por ultrassom, dada a combinação de tamanho e características de alto risco;
  4. Dsolicitar ultrassonografia cervical ampliada para reavaliar o volume nodular e descartar linfonodos metastáticos antes de definir a necessidade de PAAF;
  5. Eindicar PAAF apenas se houver crescimento ≥20% no diâmetro em reavaliação ultrassonográfica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — indicar punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por ultrassom, dada a combinação de tamanho e características de alto risco;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nódulo tireoidiano: quando indicar PAAF

Gabarito: letra C. A conduta mais adequada é a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por ultrassom, pois o nódulo de 1,4 cm apresenta características ultrassonográficas de alto risco (sólido, hipoecoico, margens irregulares e microcalcificações), que, somadas ao tamanho ≥ 1 cm, indicam a necessidade de citologia para afastar malignidade, conforme as diretrizes atuais (ACR TI-RADS). As demais alternativas subestimam o risco ou propõem condutas inadequadas para este cenário.

O manejo de nódulos tireoidianos em adultos é guiado pela avaliação do risco de malignidade, que combina o tamanho do nódulo com suas características ultrassonográficas. A ultrassonografia é o exame de primeira linha para caracterizar o nódulo, e o sistema TI-RADS (Thyroid Imaging Reporting and Data System) do American College of Radiology (ACR) é a ferramenta mais utilizada para padronizar essa avaliação e definir a necessidade de PAAF. O sistema pontua cinco categorias: composição, ecogenicidade, forma, margem e focos ecogênicos. Nódulos sólidos, hipoecoicos, mais altos do que largos, com margens irregulares ou lobuladas e microcalcificações recebem pontuações mais altas, indicando maior suspeita de malignidade.

No caso apresentado, o nódulo de 1,4 cm é sólido, hipoecoico, com margens irregulares e microcalcificações. Essas características correspondem a um escore TI-RADS alto (TR4 ou TR5). As diretrizes do ACR recomendam PAAF para nódulos TR4 com ≥ 1,5 cm e para nódulos TR5 com ≥ 1 cm. Como o nódulo tem 1,4 cm e características de TR5 (margens irregulares e microcalcificações são altamente suspeitas), a PAAF está indicada. O TSH normal (1,9 mUI/L) afasta a hipótese de nódulo hiperfuncionante, o que torna a cintilografia desnecessária. A ausência de linfonodomegalias não exclui a necessidade de PAAF, pois o risco é determinado pelas características do próprio nódulo.

A conduta de apenas repetir o ultrassom em 6 a 12 meses seria adequada apenas para nódulos de baixo risco (TI-RADS 1 ou 2) ou para nódulos de risco intermediário (TR3) com tamanho menor que o limiar para PAAF. No caso de um nódulo de alto risco com 1,4 cm, a observação seria uma conduta inadequada, pois adiaria o diagnóstico de um possível carcinoma. A cintilografia de tireoide é indicada apenas quando o TSH está suprimido, para avaliar se o nódulo é hiperfuncionante (nódulo quente), o que praticamente afasta malignidade. Com TSH normal, a cintilografia não tem papel na avaliação inicial. A ultrassonografia cervical ampliada para reavaliar linfonodos é parte da avaliação, mas não deve adiar a PAAF quando o nódulo já tem indicação clara de punção. A PAAF não deve ser adiada até que haja crescimento do nódulo, pois isso poderia permitir a progressão de uma neoplasia maligna.

A principal distinção que o aluno deve fazer é entre nódulos de baixo risco (que podem ser apenas observados) e nódulos de alto risco (que exigem PAAF). O tamanho é um fator, mas as características ultrassonográficas são determinantes. Um nódulo de 1,4 cm com características de alto risco tem indicação de PAAF, enquanto um nódulo de 2 cm com características de baixo risco (por exemplo, espongiforme) pode ser apenas observado. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar que nódulos menores que 1,5 cm são sempre observados, ignorando as características de risco. A regra de ouro é: a indicação de PAAF depende da combinação de tamanho e características ultrassonográficas de risco.

Guarde o critério decisivo: nódulo com características de alto risco (TI-RADS 4 ou 5) e tamanho ≥ 1 cm (para TR5) ou ≥ 1,5 cm (para TR4) tem indicação de PAAF. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que nódulos menores que 1,5 cm podem ser apenas observados se assintomáticos. Isso é incorreto porque ignora as características ultrassonográficas de alto risco. O tamanho é apenas um dos critérios; nódulos com características suspeitas (sólido, hipoecoico, margens irregulares, microcalcificações) têm indicação de PAAF mesmo com tamanhos menores que 1,5 cm. No caso, o nódulo de 1,4 cm com essas características exige punção, não observação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe cintilografia de tireoide para avaliar a função nodular, mesmo com TSH normal. A cintilografia é indicada apenas quando o TSH está suprimido, para identificar nódulo hiperfuncionante (quente), que praticamente afasta malignidade. Com TSH normal (1,9 mUI/L), a cintilografia não tem indicação e não contribui para a decisão de PAAF. A conduta correta é avaliar o risco pela ultrassonografia e indicar PAAF se necessário.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Indica PAAF guiada por ultrassom, dada a combinação de tamanho (1,4 cm) e características de alto risco (sólido, hipoecoico, margens irregulares e microcalcificações). Essa é a conduta correta, pois o nódulo tem escore TI-RADS alto (TR4 ou TR5) e tamanho ≥ 1 cm, preenchendo os critérios para punção. A PAAF é o método padrão para diagnóstico citológico e definição da conduta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sugere solicitar ultrassonografia cervical ampliada para reavaliar o volume nodular e descartar linfonodos metastáticos antes de definir a necessidade de PAAF. Embora a avaliação de linfonodos seja parte da ultrassonografia, ela não deve adiar a PAAF quando o nódulo já tem indicação clara de punção. A ultrassonografia inicial já caracterizou o nódulo como de alto risco; repetir o exame ou ampliar a avaliação não muda a indicação de PAAF. A conduta correta é proceder com a punção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a PAAF deve ser indicada apenas se houver crescimento ≥ 20% no diâmetro em reavaliação ultrassonográfica. Isso é incorreto porque a PAAF é indicada com base nas características iniciais do nódulo, não apenas no crescimento. Um nódulo de alto risco com 1,4 cm já tem indicação de PAAF independentemente de crescimento futuro. Aguardar o crescimento para então puncionar atrasaria o diagnóstico de um possível carcinoma.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre tamanho e características de risco. O candidato pode pensar que nódulos menores que 1,5 cm são sempre observados, ignorando que as características ultrassonográficas (sólido, hipoecoico, margens irregulares, microcalcificações) são determinantes para a indicação de PAAF. Lembre-se: a combinação de tamanho e risco é o que decide, não apenas o tamanho.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de nódulo tireoidiano, decore os limiares do ACR TI-RADS: TR3 → PAAF se ≥ 2,5 cm; TR4 → PAAF se ≥ 1,5 cm; TR5 → PAAF se ≥ 1 cm. Nódulos com características de alto risco (microcalcificações, margens irregulares, mais alto que largo) sempre exigem atenção, mesmo com tamanhos menores.

Gabarito: letra C — PAAF guiada por ultrassom é a conduta correta para nódulo de 1,4 cm com características de alto risco.

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