Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2026
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
fg133498
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Homem de 47 anos apresenta congestão nasal, rinorreia purulenta, dor facial em região maxilar bilateral e febre de 38,5 °C há 12 dias. Refere piora dos sintomas nas últimas 48 horas, após breve melhora no sétimo dia. Ao exame, observa-se sensibilidade à palpação dos seios maxilares, secreção purulenta em meato médio bilateral e ausência de sinais orbitários ou neurológicos. O paciente é imunocompetente e não apresenta comorbidades conhecidas.De acordo com as recomendações atuais das diretrizes internacionais para rinossinusite aguda, a conduta terapêutica inicial mais adequada é:
Ainiciar amoxicilina-clavulanato por 7 a 10 dias, associando irrigação salina e corticosteroide intranasal como adjuvantes;
Bprescrever azitromicina por 3 dias, associando prednisona oral por 5 dias para redução do edema nasal;
Cmanter apenas tratamento sintomático e reavaliar após 7 dias, pois o quadro ainda é compatível com rinossinusite viral;
Dsolicitar tomografia computadorizada dos seios da face antes de iniciar antibiótico;
Eutilizar corticosteroide sistêmico isolado por 5 dias, reservando antibiótico apenas se houver febre acima de 39 °C persistente.
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GabaritoA — iniciar amoxicilina-clavulanato por 7 a 10 dias, associando irrigação salina e corticosteroide intranasal como adjuvantes;
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Rinossinusite aguda bacteriana: diagnóstico e conduta inicial
Gabarito: letra A. O paciente apresenta rinossinusite aguda bacteriana (RSA) — sintomas persistentes há 12 dias, com piora após melhora inicial (duplo agravamento), febre de 38,5 °C, dor facial bilateral e secreção purulenta em meato médio — e, segundo as diretrizes internacionais (EPOS 2020 e IDSA), a conduta inicial adequada é antibioticoterapia com amoxicilina-clavulanato por 5 a 10 dias, associando adjuvantes como irrigação salina e corticosteroide intranasal. A alternativa A é a única que combina o antibiótico de primeira linha com a duração e os adjuvantes corretos.
A rinossinusite aguda é a inflamação da mucosa dos seios paranasais e da cavidade nasal, com duração de até 12 semanas. A grande maioria dos casos é de etiologia viral, autolimitada, e não requer antibiótico. No entanto, uma minoria evolui para infecção bacteriana secundária, e é fundamental reconhecer os critérios que indicam essa transição, pois o uso racional de antibióticos é um dos pilares da conduta.
Os critérios clínicos que sugerem rinossinusite bacteriana aguda incluem: (1) persistência dos sintomas por mais de 10 dias sem melhora; (2) sintomas graves (febre ≥ 39 °C, dor facial intensa) por pelo menos 3-4 dias consecutivos; (3) duplo agravamento (worsening) — piora dos sintomas após uma fase inicial de melhora, como ocorreu com o paciente do caso (melhora no 7º dia e piora nas últimas 48 horas). A presença de secreção purulenta, dor facial e febre reforça a suspeita, mas o critério temporal é o mais decisivo.
No caso apresentado, o paciente tem sintomas há 12 dias, com duplo agravamento — isso configura critério de persistência e de worsening, indicando fortemente etiologia bacteriana. A febre de 38,5 °C, embora não atinja o limiar de 39 °C, associada à piora após melhora, é suficiente para indicar antibiótico. Além disso, o exame físico mostra secreção purulenta em meato médio, o que corrobora o diagnóstico.
A diretriz da EPOS (European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps) 2020 e a da IDSA (Infectious Diseases Society of America) recomendam, para rinossinusite bacteriana aguda em adultos imunocompetentes, o uso de amoxicilina-clavulanato como primeira escolha, na dose de 875/125 mg a cada 12 horas ou 500/125 mg a cada 8 horas, por 5 a 10 dias (a IDSA sugere 5-7 dias em casos não complicados; a EPOS sugere 5-10 dias). A associação com irrigação salina nasal e corticosteroide intranasal é recomendada como adjuvante para alívio sintomático e redução da inflamação.
A alternativa A está correta porque: (1) o antibiótico escolhido é o de primeira linha (amoxicilina-clavulanato), (2) a duração de 7 a 10 dias está dentro do recomendado, (3) os adjuvantes (irrigação salina e corticosteroide intranasal) são apropriados. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta.
A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar o caso como viral (alternativa C) ou de adiar o antibiótico, mas o duplo agravamento e a duração >10 dias são critérios claros de bacteriana. Outra pegadinha é a escolha de antibióticos inadequados (azitromicina) ou a realização de exames de imagem desnecessários (TC) antes da antibioticoterapia.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A está correta porque reflete a conduta recomendada pelas diretrizes internacionais (EPOS 2020, IDSA 2012) para rinossinusite bacteriana aguda: iniciar amoxicilina-clavulanato (antibiótico de primeira linha, cobrindo também anaeróbios e produtores de beta-lactamase), por 7 a 10 dias (duração dentro do recomendado), associando irrigação salina e corticosteroide intranasal como adjuvantes para alívio sintomático e redução do edema da mucosa. O caso preenche critérios de bacteriana (persistência >10 dias, duplo agravamento, secreção purulenta), portanto a antibioticoterapia está indicada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B está incorreta porque a azitromicina não é a primeira escolha para rinossinusite bacteriana aguda — a alta resistência de Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae aos macrolídeos limita sua utilidade. Além disso, o uso de prednisona oral (corticosteroide sistêmico) não é recomendado como adjuvante de rotina; o corticosteroide intranasal é o preferido. A duração de 3 dias de azitromicina é insuficiente para erradicar a infecção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C está incorreta porque o quadro não é compatível com rinossinusite viral: os sintomas persistem há 12 dias (critério de persistência >10 dias) e há duplo agravamento (piora após melhora no 7º dia), que são critérios clássicos de infecção bacteriana. Manter apenas tratamento sintomático e reavaliar após 7 dias atrasaria a antibioticoterapia adequada, aumentando o risco de complicações.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D está incorreta porque a tomografia computadorizada (TC) não é indicada de rotina no diagnóstico de rinossinusite aguda não complicada. A TC não distingue etiologia viral de bacteriana e só é recomendada em casos de suspeita de complicações (orbitárias, intracranianas) ou quando o diagnóstico diferencial é incerto. No caso, o diagnóstico é clínico e a TC seria um exame desnecessário, atrasando o tratamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E está incorreta porque o corticosteroide sistêmico isolado não é tratamento para rinossinusite bacteriana — ele não tem ação antibacteriana e pode mascarar sintomas. Além disso, reservar antibiótico apenas para febre >39 °C é um critério equivocado: a febre de 38,5 °C associada a outros critérios (persistência, duplo agravamento) já indica antibioticoterapia. O corticosteroide sistêmico não é recomendado como monoterapia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre rinossinusite viral e bacteriana. O candidato pode achar que, por ser imunocompetente e sem comorbidades, o caso é viral (alternativa C), mas o duplo agravamento e a duração >10 dias são os critérios que fecham o diagnóstico de bacteriana. Outra armadilha é a troca do antibiótico de primeira linha (amoxicilina-clavulanato) por azitromicina (alternativa B), que tem alta resistência. Fique atento aos critérios temporais e à escolha do antibiótico.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os critérios de rinossinusite bacteriana, lembre-se do mnemônico "PERSISTE": Persistência >10 dias, Evolução com duplo agravamento, Rinorreia purulenta, Secreção purulenta ao exame, Intensidade (febre ≥39 °C), Sinais unilaterais, Tempo de doença. Se qualquer um desses estiver presente, antibiótico está indicado. E o antibiótico de escolha é sempre amoxicilina-clavulanato (não azitromicina!).