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Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2026

MedicinaNeurologia
Código
fg133499
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Mulher de 28 anos, sem comorbidades, apresenta episódios recorrentes de cefaleia pulsátil hemicraniana, acompanhada de fenômenos visuais cintilantes e parestesia em membro superior direito, com duração média de 40 minutos. No episódio atual, há 5 dias, desenvolveu turvação visual bilateral e dificuldade para nomear objetos, seguidas de cefaleia intensa e náuseas. Refere que os sintomas visuais e da fala persistem parcialmente até o momento. O exame neurológico mostra discreta anomia e lentificação da leitura.Considerando o quadro clínico e os mecanismos fisiopatológicos envolvidos, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta imediata indicada são:
  1. Aepilepsia parcial com generalização secundária; solicitar eletroencefalograma e iniciar anticonvulsivante de manutenção;
  2. Benxaqueca com infarto migranoso; iniciar antiagregação plaquetária e manter triptanos conforme necessidade;
  3. Cenxaqueca hemiplégica familiar; realizar triagem genética e iniciar bloqueador de canal de cálcio profilático;
  4. Daura típica prolongada; manter tratamento habitual com anti-inflamatórios e retorno ambulatorial;
  5. Eenxaqueca com aura persistente sem infarto; solicitar ressonância magnética com angiorressonância e evitar o uso de triptanos até exclusão de evento vascular.
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GabaritoE — enxaqueca com aura persistente sem infarto; solicitar ressonância magnética com angiorressonância e evitar o uso de triptanos até exclusão de evento vascular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Enxaqueca com aura persistente sem infarto: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra E. O quadro — cefaleia pulsátil hemicraniana com aura visual e sensitiva típica, seguida de sintomas visuais e de linguagem que persistem por mais de 5 dias, sem déficit motor — é compatível com enxaqueca com aura persistente sem infarto, e a conduta imediata é solicitar ressonância magnética com angiorressonância e evitar triptanos até excluir evento vascular (critérios da ICHD-3 e recomendações de neuroimagem em cefaleia com sinais focais).

A enxaqueca é uma cefaleia primária recorrente, caracterizada por crises de dor pulsátil, geralmente unilateral, de intensidade moderada a forte, associada a náuseas, fotofobia e fonofobia. Em cerca de 20% dos casos, as crises são precedidas por uma aura: sintomas neurológicos focais totalmente reversíveis que se desenvolvem gradualmente em 5 a 20 minutos, duram menos de 60 minutos e precedem a cefaleia em até 1 hora. A aura típica inclui sintomas visuais (pontos luminosos, escotomas, zigue-zagues), sensitivos (parestesias) e de linguagem (disfasia). Quando a aura inclui fraqueza motora, a migrânea é classificada como hemiplégica.

O caso descrito apresenta uma evolução atípica: a aura, que normalmente dura menos de 60 minutos, persiste por mais de 5 dias. A ICHD-3 define duas complicações da migrânea relacionadas à persistência da aura:

  • Aura persistente sem infarto: sintomas de aura que persistem por mais de 7 dias, sem evidência de infarto cerebral na neuroimagem.

  • Infarto migranoso: um ou mais sintomas de aura associados a lesão isquêmica cerebral na neuroimagem, em território compatível.

A distinção entre essas duas entidades é crucial e depende da neuroimagem. Por isso, a conduta imediata diante de uma aura prolongada é solicitar ressonância magnética com angiorressonância para excluir um evento vascular (infarto, dissecção, trombose venosa). O uso de triptanos, vasoconstritores, deve ser evitado até que se exclua uma causa vascular, pois poderia agravar uma isquemia em evolução.

A banca explora a confusão entre as complicações da migrânea e outras entidades, como a enxaqueca hemiplégica (que exige fraqueza motora) e a epilepsia (que tem semiologia diferente). O ponto-chave é a persistência dos sintomas por mais de 7 dias e a ausência de déficit motor, que direcionam para a aura persistente sem infarto, e não para as outras alternativas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A epilepsia parcial com generalização secundária caracteriza-se por crises convulsivas, com ou sem aura sensitiva, mas a duração dos sintomas é de segundos a minutos, não dias. Além disso, a cefaleia pós-ictal não é o sintoma predominante, e a conduta imediata não seria apenas eletroencefalograma e anticonvulsivante, mas sim a investigação de uma possível causa estrutural. O quadro descrito é claramente migranoso, não epiléptico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O infarto migranoso é uma complicação rara da migrânea com aura, em que há evidência de infarto cerebral na neuroimagem. A conduta não é iniciar antiagregação plaquetária e manter triptanos, pois isso poderia ser prejudicial. A alternativa erra ao afirmar o diagnóstico de infarto sem confirmação por imagem e ao indicar triptanos, que são contraindicados na suspeita de evento vascular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A enxaqueca hemiplégica familiar é uma forma rara de migrânea com aura, caracterizada por fraqueza motora (hemiparesia ou hemiplegia) durante a aura, associada a mutações genéticas (CACNA1A, ATP1A2, SCN1A). O caso descrito não apresenta déficit motor, apenas sintomas visuais e de linguagem, o que exclui essa hipótese. A conduta de triagem genética e profilaxia com bloqueador de canal de cálcio não se aplica ao quadro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A aura típica prolongada é definida pela ICHD-3 como aura com duração superior a 60 minutos, mas inferior a 7 dias. No caso, os sintomas persistem há mais de 5 dias, o que já se enquadra como aura persistente (mais de 7 dias) ou infarto migranoso, dependendo da neuroimagem. A conduta de manter tratamento habitual e retorno ambulatorial é inadequada, pois há necessidade de investigação imediata para excluir evento vascular.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa correta reconhece a enxaqueca com aura persistente sem infarto como hipótese mais provável, dado que os sintomas de aura persistem por mais de 5 dias (embora o critério formal seja >7 dias, a investigação deve ser iniciada antes), e indica a conduta adequada: solicitar ressonância magnética com angiorressonância para excluir infarto cerebral e outras causas vasculares, e evitar o uso de triptanos até que se confirme a ausência de evento vascular. Essa é a conduta recomendada pelas diretrizes para complicações da migrânea.

Gabarito: letra E

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