Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2026

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
fg133501
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Homem de 34 anos procura atendimento por dor abdominal em cólica, predominante em fossa ilíaca direita, e evacuações diarreicas com muco e raias de sangue há 10 dias. Refere que os sintomas iniciaram de forma súbita após refeição em restaurante. Apresenta períodos de melhora espontânea seguidos de piora, com intensificação noturna dos sintomas. Ao exame físico: sensibilidade à palpação profunda em quadrante inferior direito, sem defesa ou sinais de irritação peritoneal; ausência de visceromegalias. Nega imunodeficiências, comorbidades ou uso prévio de antibióticos. Exame parasitológico de fezes (método direto a fresco) evidencia presença de trofozoítos com inclusões citoplasmáticas compatíveis com hemácias fagocitadas. Leucograma: 11.200/mm³ (neutrófilos 72%, linfócitos 20%, eosinófilos 3%). Proteína C reativa: 42 mg/L. O paciente questiona a necessidade de “tomar dois remédios diferentes” e solicita “o mínimo de medicação necessário para ficar bom”.Com base nas recomendações atuais, o tratamento mais adequado para esse caso é:
  1. Ametronidazol 750 mg 3x/dia por 10 dias; a resolução clínica costuma ser completa e dispensa tratamento adicional na ausência de imunossupressão;
  2. Bsecnidazol 2 g em dose única, seguido de agente luminal para eliminação de cistos e prevenção de recidiva;
  3. Ctinidazol 2 g/dia por 3 dias; apresenta eficácia semelhante ao metronidazol e melhor tolerabilidade gastrointestinal, podendo ser utilizado em esquemas curtos;
  4. Dalbendazol 400 mg/dia por 3 dias (para possível coinfecção helmíntica), seguido de metronidazol 500 mg 3x/dia por 7 dias para tratamento específico da amebíase;
  5. Emetronidazol 750 mg 3x/dia por 10 dias associado a doxiciclina 100 mg 2x/dia por 7 dias, considerando que disenteria amebiana pode cursar com translocação bacteriana e risco de bacteremia em pacientes com lesões mucosas extensas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — secnidazol 2 g em dose única, seguido de agente luminal para eliminação de cistos e prevenção de recidiva;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Amebíase intestinal: tratamento com droga tissular e luminal

Gabarito: letra B. O quadro clínico — dor em fossa ilíaca direita, diarreia com muco e sangue, início súbito após refeição, e trofozoítos com hemácias fagocitadas no exame parasitológico — é a apresentação clássica da amebíase intestinal invasiva (disenteria amebiana). O tratamento recomendado combina um nitroimidazólico (agente tissular) para eliminar os trofozoítos invasores, seguido de um agente luminal para erradicar os cistos e prevenir recidiva. A alternativa B é a única que contempla essa sequência completa: secnidazol 2 g em dose única (tissular) + agente luminal.

A amebíase é causada pelo protozoário Entamoeba histolytica, transmitido pela ingestão de cistos em água ou alimentos contaminados. No intestino grosso, os cistos se transformam em trofozoítos, que podem invadir a mucosa, causando colite amebiana com diarreia sanguinolenta, cólica abdominal e tenesmo. O diagnóstico é confirmado pela presença de trofozoítos com hemácias fagocitadas no exame parasitológico de fezes, como no caso.

O tratamento da amebíase invasiva tem dois alvos: o parasita na luz intestinal (cistos) e o parasita que invadiu os tecidos (trofozoítos). Os nitroimidazólicos (metronidazol, tinidazol, secnidazol) são altamente eficazes contra os trofozoítos invasores, mas têm baixa atividade contra os cistos luminais. Por isso, após o tratamento com o agente tissular, recomenda-se um agente luminal (paromomicina, iodoquinol, ou diloxanida furoato) para eliminar os cistos remanescentes e prevenir recidiva. Essa é a recomendação atual, independentemente da presença de imunossupressão.

A alternativa B é a única que segue essa lógica: secnidazol (tissular) + agente luminal. As demais alternativas ou usam apenas o agente tissular (A, C), ou associam medicamentos sem indicação (D, E), ou usam esquemas inadequados.

  1. 1Nitroimidazólico (tissular)
  2. 2Agente luminal (cistos)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Metronidazol 750 mg 3x/dia por 10 dias é um esquema válido para amebíase invasiva, mas a afirmação de que "dispensa tratamento adicional" está errada. A recomendação atual é sempre associar um agente luminal após o nitroimidazólico para eliminar cistos e prevenir recidiva, mesmo em pacientes sem imunossupressão.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta correta. O secnidazol 2 g em dose única é um nitroimidazólico eficaz contra os trofozoítos invasores. O agente luminal (paromomicina, iodoquinol ou diloxanida) é essencial para erradicar os cistos no lúmen intestinal, prevenindo recidiva e disseminação. Essa sequência é a recomendação atual para amebíase intestinal invasiva.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Tinidazol 2 g/dia por 3 dias é um esquema válido para amebíase, mas a alternativa omite o agente luminal. Assim como na A, o tratamento fica incompleto, pois não elimina os cistos luminais, aumentando o risco de recidiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Albendazol é um anti-helmíntico, sem atividade contra Entamoeba histolytica. Não há indicação de tratar "possível coinfecção helmíntica" sem evidência. Além disso, o esquema de metronidazol 500 mg 3x/dia por 7 dias é subótimo para amebíase invasiva (dose e duração inadequadas).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A associação de doxiciclina não tem indicação na amebíase. A translocação bacteriana é uma complicação rara e não justifica antibioticoterapia profilática de rotina. O tratamento deve ser específico para a amebíase, com nitroimidazólico + agente luminal.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fg133501