Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FGV 2026
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
fg133504
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Homem de 20 anos, previamente hígido, procurou atendimento dez minutos após ingerir biscoito com castanhas, apresentando prurido generalizado, urticária, dor abdominal e sensação de aperto na garganta. Na admissão, apresentava sibilos expiratórios e leve desconforto respiratório. Após tratamento adequado, houve regressão completa dos sintomas em menos de 30 minutos.Considerando o quadro clínico descrito e as recomendações atuais para o manejo de reações alérgicas graves, deve-se:
Aadministrar anti-histamínico endovenoso, orientando retorno se houver recidiva e liberando o paciente após melhora clínica;
Badministrar adrenalina intramuscular na face lateral da coxa, e observar o paciente por, no mínimo, 2 horas em ambiente hospitalar, liberando o paciente em seguida;
Cadministrar adrenalina intramuscular, instituir medidas de suporte e observar o paciente por, no mínimo, 6 horas em ambiente hospitalar, estendendo-se para 24 horas em casos mais graves;
Dadministrar corticoide endovenoso e manter observação ambulatorial por 4 horas;
Eprescrever broncodilatador inalatório, fazer hidratação oral e liberar o paciente após o desaparecimento completo do exantema.
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GabaritoC — administrar adrenalina intramuscular, instituir medidas de suporte e observar o paciente por, no mínimo, 6 horas em ambiente hospitalar, estendendo-se para 24 horas em casos mais graves;
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Anafilaxia: manejo agudo e observação pós-reação
Gabarito: letra C. O quadro descrito — prurido, urticária, dor abdominal, aperto na garganta e sibilos após ingestão de castanhas — é anafilaxia, e o manejo correto exige adrenalina intramuscular como primeira linha, medidas de suporte e observação hospitalar por no mínimo 6 horas, estendendo-se para 24 horas em casos graves. A alternativa C é a única que contempla integralmente esses três pilares.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica, aguda e potencialmente fatal, desencadeada por mecanismos imunológicos (geralmente IgE-dependentes) após exposição a um alérgeno — aqui, as castanhas. A fisiopatologia envolve a degranulação de mastócitos e basófilos, com liberação maciça de mediadores como histamina, triptase e leucotrienos, que provocam vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, broncoconstrição e contração da musculatura lisa. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o tratamento não pode aguardar exames complementares.
A adrenalina intramuscular é a droga de primeira escolha, na dose de 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg) aplicada na face anterolateral da coxa — local de maior vascularização e absorção rápida. Seu mecanismo é alfa-adrenérgico (reverte vasodilatação e hipotensão) e beta-adrenérgico (broncodilatação e inibição da liberação de mediadores). Anti-histamínicos e corticoides são adjuvantes, mas não substituem a adrenalina e não revertem a obstrução de vias aéreas nem o choque. Broncodilatadores podem ser usados como coadjuvantes para o broncoespasmo, mas nunca como monoterapia.
A observação prolongada é crucial porque a anafilaxia pode ter uma fase bifásica: após a resolução inicial, os sintomas podem recorrer em 1 a 72 horas (pico entre 8 e 10 horas), mesmo sem nova exposição ao alérgeno. Por isso, as diretrizes atuais recomendam observação por no mínimo 6 horas após a resolução dos sintomas, e 24 horas para casos graves, com comprometimento respiratório ou cardiovascular, ou com necessidade de doses repetidas de adrenalina. O paciente do enunciado apresentou sibilos e desconforto respiratório — um sinal de gravidade que, embora tenha regredido em 30 minutos, justifica observação estendida.
A pegadinha central desta questão é a subestimação do risco: o paciente melhorou rapidamente, o que pode levar o candidato a optar por condutas menos rigorosas (liberação precoce, uso apenas de anti-histamínico). No entanto, a melhora rápida não elimina o risco de reação bifásica, e a adrenalina permanece obrigatória em toda anafilaxia, independentemente da resposta inicial. Guarde o tripé: adrenalina IM + suporte + observação mínima de 6 horas — é exatamente esse tripé que separa a alternativa correta das demais.
Critério
Alternativa A
Alternativa B
Alternativa C (Gabarito)
Alternativa D
Alternativa E
Adrenalina IM (primeira linha)
Ausente
Presente
Presente
Ausente
Ausente
Medidas de suporte
Ausentes
Ausentes
Presentes
Ausentes
Ausentes
Observação mínima
Não especificada (liberação após melhora)
2 horas
6 horas (24 h em casos graves)
4 horas
Não especificada (liberação após exantema)
Local de aplicação da adrenalina
—
Face lateral da coxa
Não especificado
—
—
Tratamento adjuvante isolado
Anti-histamínico EV
—
—
Corticoide EV
Broncodilatador inalatório + hidratação oral
1Adrenalina IM (coxa)
2Medidas de suporte
3Observação mínima 6h
424h em casos graves
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está em omitir a adrenalina, que é a droga de primeira linha na anafilaxia. Anti-histamínico endovenoso é adjuvante, não tratamento de resgate — ele não reverte broncoespasmo, hipotensão ou edema de vias aéreas. Além disso, liberar o paciente após melhora clínica, sem período mínimo de observação, ignora o risco de reação bifásica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Acerta ao indicar adrenalina IM na face lateral da coxa, mas erra no tempo de observação: 2 horas é insuficiente. A recomendação mínima é de 6 horas, pois a reação bifásica costuma ocorrer entre 1 e 72 horas, com pico em 8–10 horas. Liberar o paciente após 2 horas expõe ao risco de recidiva fora do ambiente hospitalar.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta completa e correta: adrenalina intramuscular (primeira linha), medidas de suporte (oxigênio, acesso venoso, monitorização, posição supina com elevação dos membros inferiores) e observação por no mínimo 6 horas, estendida para 24 horas em casos graves — exatamente o que o quadro do paciente (sibilos e desconforto respiratório) demanda. A alternativa espelha as diretrizes atuais de manejo da anafilaxia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Corticoide endovenoso é adjuvante e não tem ação imediata (leva horas para agir), portanto não é o tratamento de primeira linha. Além disso, a observação ambulatorial por 4 horas é inferior ao mínimo recomendado de 6 horas, e o paciente com anafilaxia deve ser observado em ambiente hospitalar, não ambulatorial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Broncodilatador inalatório trata apenas o broncoespasmo, mas não reverte a vasodilatação sistêmica, o edema de vias aéreas superiores nem a hipotensão — não é tratamento de anafilaxia. Hidratação oral e liberação após desaparecimento do exantema são condutas perigosamente insuficientes, ignorando a adrenalina e o risco de reação bifásica.
A regra de ouro para levar à prova: em anafilaxia, adrenalina IM é inegociável, e a observação mínima é de 6 horas (24 horas em casos graves). Anti-histamínicos, corticoides e broncodilatadores são coadjuvantes, nunca substitutos. A melhora rápida não elimina o risco de recidiva — a fase bifásica é a razão de ser do período de observação.