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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2026

MedicinaOncologia
Código
fg133505
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Mulher de 51 anos, com histórico familiar de câncer colorretal (irmão diagnosticado aos 40 anos), foi submetida a colonoscopia de rastreamento. O exame evidenciou um pólipo de 0,8 × 0,4 cm localizado no cólon sigmoide, que foi completamente removido. O exame histopatológico demonstrou adenoma tubuloviloso com displasia epitelial de baixo grau.Com base nas recomendações atuais para o seguimento de pacientes após polipectomia e considerando o histórico familiar descrito, a conduta quanto ao intervalo para nova colonoscopia de acompanhamento é repetir a colonoscopia em:
  1. A1 ano;
  2. B3 anos;
  3. C5 anos;
  4. D7 anos;
  5. E10 anos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — 3 anos;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Seguimento pós-polipectomia: estratificação de risco e intervalo de colonoscopia

Gabarito: letra B. O pólipo ressecado foi um adenoma tubuloviloso com displasia de baixo grau, medindo 0,8 cm — ou seja, um adenoma de baixo risco (tamanho < 1 cm, displasia de baixo grau, sem componente viloso significativo). Para adenomas de baixo risco, as diretrizes atuais recomendam repetir a colonoscopia em 3 anos (e não em 1, 5, 7 ou 10 anos). O histórico familiar de câncer colorretal em irmão diagnosticado aos 40 anos, embora aumente o risco de desenvolver novos adenomas, não altera o intervalo de seguimento pós-polipectomia neste caso, pois o pólipo já foi completamente removido e não havia indicação de vigilância mais curta baseada apenas na história familiar isolada.

O seguimento após a remoção de pólipos colorretais é guiado pela estratificação de risco do pólipo ressecado, não pelo histórico familiar isolado. A classificação de risco divide os adenomas em baixo risco e alto risco, com base em três características principais: tamanho (≥ 1 cm), histologia (componente viloso) e displasia (alto grau). Adenomas de baixo risco são aqueles com < 1 cm, histologia tubular (sem componente viloso significativo) e displasia de baixo grau. Adenomas de alto risco incluem aqueles com ≥ 1 cm, histologia vilosa (ou tubulovilosa com componente viloso significativo) ou displasia de alto grau.

No caso apresentado, o pólipo tem 0,8 cm (menor que 1 cm), é um adenoma tubuloviloso (mas o componente viloso não é especificado como significativo) e apresenta displasia de baixo grau. Portanto, é classificado como adenoma de baixo risco. Para esses pacientes, a recomendação é repetir a colonoscopia em 3 anos. Se a colonoscopia de acompanhamento não mostrar novos pólipos, o intervalo pode ser estendido para 5 anos. Já para adenomas de alto risco, o intervalo recomendado é de 1 ano.

O histórico familiar de câncer colorretal (irmão diagnosticado aos 40 anos) é um fator de risco para o desenvolvimento de câncer colorretal, mas não modifica o intervalo de seguimento pós-polipectomia quando o pólipo é de baixo risco. A história familiar influencia a idade de início do rastreamento e a frequência do rastreamento em indivíduos sem pólipos, mas, uma vez que um pólipo é encontrado e removido, o seguimento é determinado pelas características do pólipo. A exceção seria se o histórico familiar sugerisse uma síndrome hereditária (como síndrome de Lynch ou polipose adenomatosa familiar), o que exigiria vigilância mais intensiva e avaliação genética. No entanto, o caso não menciona critérios para suspeita de síndrome hereditária (como múltiplos pólipos, idade muito jovem ou múltiplos familiares afetados), apenas um irmão com câncer aos 40 anos, o que não é suficiente para classificar como síndrome de Lynch sem outros critérios.

A pegadinha desta questão está em considerar o histórico familiar como fator que encurta o intervalo para 1 ano (alternativa A). O candidato pode confundir o seguimento pós-polipectomia com o rastreamento em indivíduos de alto risco familiar. No rastreamento, um indivíduo com irmão diagnosticado com câncer colorretal antes dos 60 anos deve iniciar a colonoscopia aos 40 anos (ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar, o que for menor) e repetir a cada 5 anos. Mas, uma vez que um pólipo é encontrado e removido, o seguimento passa a ser guiado pelas características do pólipo, não pela história familiar. Portanto, o intervalo de 3 anos é o correto para adenoma de baixo risco.

Guarde a distinção entre rastreamento (em indivíduos assintomáticos, guiado por fatores de risco como história familiar) e vigilância pós-polipectomia (guiada pelas características do pólipo ressecado). É exatamente essa fronteira que separa as alternativas desta questão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O intervalo de 1 ano é reservado para adenomas de alto risco (≥ 1 cm, componente viloso significativo ou displasia de alto grau). O pólipo em questão é de baixo risco (0,8 cm, displasia de baixo grau), portanto não se aplica. O candidato pode ter sido induzido a escolher 1 ano por causa do histórico familiar, mas isso seria uma confusão entre rastreamento e vigilância pós-polipectomia.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Para adenomas de baixo risco (tamanho < 1 cm, displasia de baixo grau, sem componente viloso significativo), a recomendação é repetir a colonoscopia em 3 anos. O pólipo de 0,8 cm, tubuloviloso com displasia de baixo grau, se enquadra nessa categoria. O histórico familiar não altera esse intervalo, pois o seguimento pós-polipectomia é determinado pelas características do pólipo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O intervalo de 5 anos é recomendado para pacientes com adenomas de baixo risco que, na colonoscopia de acompanhamento em 3 anos, não apresentam novos pólipos. Não é o intervalo inicial após a polipectomia de um adenoma de baixo risco. O candidato pode confundir com o intervalo de rastreamento para indivíduos com histórico familiar (que é de 5 anos), mas isso não se aplica à vigilância pós-polipectomia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O intervalo de 7 anos não é uma recomendação padrão nas diretrizes de seguimento pós-polipectomia. Os intervalos usuais são 1, 3, 5 ou 10 anos, dependendo do risco. Não há fundamento para 7 anos neste contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O intervalo de 10 anos é o recomendado para o rastreamento de indivíduos com risco médio (sem pólipos e sem histórico familiar). Não se aplica a pacientes que já tiveram um adenoma removido, mesmo que de baixo risco. Após a polipectomia, o seguimento é mais curto (3 anos para baixo risco).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre rastreamento e vigilância pós-polipectomia. O histórico familiar (irmão com câncer aos 40 anos) é um gatilho para iniciar o rastreamento mais cedo e com maior frequência, mas, uma vez que um pólipo é encontrado e removido, o intervalo de seguimento é definido pelas características do pólipo, não pela história familiar. O candidato que associa automaticamente "histórico familiar" a "intervalo mais curto" cai na alternativa A (1 ano). Lembre-se: adenoma de baixo risco → 3 anos; adenoma de alto risco → 1 ano.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar os intervalos, monte uma tabela mental:

Tipo de pólipo

Intervalo de seguimento

Adenoma de baixo risco (< 1 cm, displasia baixo grau)

3 anos

Adenoma de alto risco (≥ 1 cm, viloso, displasia alto grau)

1 ano

Sem pólipos na colonoscopia de acompanhamento

5 anos (após 3 anos)

Rastreamento em risco médio

10 anos

Rastreamento em alto risco familiar

5 anos (iniciando aos 40 anos ou 10 anos antes do diagnóstico do familiar)

Gabarito: letra B

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