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Questão de Medicina — Hematologia — FGV 2026

MedicinaHematologia
Código
fg133516
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Paciente feminina, 61 anos, portadora de artrite reumatoide soropositiva em acompanhamento irregular, procura atendimento com história de piora abrupta da fadiga, icterícia progressiva, palpitações e urina escurecida há quatro dias. Relata que interrompeu seu tratamento regular há vários meses e vinha utilizando anti-inflamatórios com frequência. Ao exame físico, encontra-se pálida, ictérica (3+/4+), taquicárdica e com esplenomegalia discreta. O esfregaço periférico mostra policromasia, anisocitose moderada e esquizócitos.Os exames laboratoriais revelam:• hemoglobina 7,0 g/dL• VCM 94 fL• HCM 31 pg• reticulócitos corrigidos 6%• LDH 950 U/L• haptoglobina indetectável• bilirrubina total 4,1 mg/dL (indireta 3,4 mg/dL).Considerando o quadro clínico e laboratorial, o exame que confirma a etiologia da hemólise é:
  1. Apesquisa de anticorpos IgM e avaliação de crioaglutininas com aglutinação a 4 °C;
  2. Bteste da antiglobulina direta com reagentes para IgG e C3d, associado à análise do esfregaço;
  3. Cdosagem de G6PD, eletroforese de hemoglobina e teste de solubilidade, investigando hemólise hereditária;
  4. Dinvestigação de autoanticorpos como FAN e anti-DNA, com prova cruzada sanguínea;
  5. Edosagem sérica de ácido metilmalônico e homocisteína, avaliando anemia megaloblástica.
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GabaritoB — teste da antiglobulina direta com reagentes para IgG e C3d, associado à análise do esfregaço;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anemia hemolítica autoimune: o papel do teste da antiglobulina direta

Gabarito: letra B. O quadro — anemia hemolítica aguda com reticulocitose, LDH elevado, haptoglobina indetectável e bilirrubina indireta predominante — associado à artrite reumatoide soropositiva e ao uso frequente de anti-inflamatórios aponta para hemólise imunomediada, e o exame que confirma a etiologia é o teste da antiglobulina direta (TAD) com reagentes para IgG e C3d, complementado pela análise do esfregaço periférico (esferócitos/microesferócitos). A alternativa B é a única que investiga diretamente a causa autoimune da hemólise.

A anemia hemolítica autoimune (AHAI) é uma condição em que o sistema imunológico produz anticorpos contra os próprios eritrócitos, levando à destruição prematura dessas células. A hemólise pode ser intravascular ou extravascular, sendo esta última a mais comum na AHAI por anticorpos quentes, que ocorre principalmente no baço. O diagnóstico laboratorial se baseia em dois pilares: (1) evidências de hemólise — reticulocitose, aumento de LDH e bilirrubina indireta, diminuição da haptoglobina — e (2) demonstração da natureza imunológica da destruição, que é feita pelo teste da antiglobulina direta (TAD), também chamado de teste de Coombs direto.

O TAD detecta a presença de anticorpos ou complemento (C3d) aderidos à superfície das hemácias. Na AHAI por anticorpos quentes, o TAD é tipicamente positivo para IgG isolada ou IgG + C3d. A análise do esfregaço periférico complementa o diagnóstico ao mostrar esferócitos, que são hemácias que perderam parte de sua membrana devido à fagocitose parcial pelos macrófagos esplênicos. No caso apresentado, a paciente tem artrite reumatoide, uma doença autoimune que pode cursar com AHAI secundária, e o uso de anti-inflamatórios não é a causa primária da hemólise, mas pode ser um fator agravante ou um gatilho em alguns casos.

A distinção crucial é entre hemólise imunomediada (AHAI) e hemólise não imunológica, como deficiência de G6PD, hemoglobinopatias ou anemias megaloblásticas. Na deficiência de G6PD, por exemplo, a hemólise é desencadeada por estresse oxidativo (como uso de primaquina ou infecções) e o esfregaço mostra hemácias com "mordidas" ou corpos de Heinz, não esquizócitos. Nas hemoglobinopatias, a eletroforese de hemoglobina é o exame diagnóstico. Na anemia megaloblástica, o VCM é elevado (macrocitose) e há hipersegmentação de neutrófilos, além de deficiência de B12/folato. A presença de esquizócitos no esfregaço, embora mais típica de anemia hemolítica microangiopática, pode ocorrer em hemólises graves de qualquer causa, mas o contexto clínico (AR soropositiva, uso de AINEs) e a ausência de outros sinais de microangiopatia (trombocitopenia, lesão renal) direcionam para AHAI.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que investigam outras causas de hemólise (G6PD, hemoglobinopatias, anemia megaloblástica) ou que não são específicas para o diagnóstico etiológico (FAN, anti-DNA). O candidato deve reconhecer que, diante de um quadro de hemólise aguda em paciente com doença autoimune, o primeiro exame a ser solicitado para confirmar a etiologia imunológica é o TAD. A alternativa A (crioaglutininas) seria mais relevante na doença da aglutinina a frio, que cursa com hemólise crônica e acrocianose, não com quadro agudo como o descrito. A alternativa C investiga causas hereditárias, improváveis em paciente de 61 anos com início abrupto. A alternativa D investiga lúpus, mas o TAD é mais direto e específico para a hemólise. A alternativa E investiga anemia megaloblástica, que não se encaixa no perfil laboratorial (VCM normal, reticulocitose alta).

Guarde o critério decisivo: hemólise + contexto autoimune → TAD (Coombs direto) é o exame que confirma a etiologia. É exatamente essa associação que separa a alternativa correta das demais.

Anemia hemolítica autoimune (AHAI)
  • 1Evidências de hemólise
    • Reticulocitose
    • LDH elevado
    • Haptoglobina indetectável
    • Bilirrubina indireta ↑
  • 2Confirmação etiológica
    • Teste da antiglobulina direta (TAD)
      • IgG isolada
      • IgG + C3d
    • Esfregaço periférico
      • Esferócitos
  • 3Contexto clínico
    • Doença autoimune (ex.: artrite reumatoide)
    • Hemólise aguda
  • 4Diagnósticos diferenciais
    • Deficiência de G6PD (hemácias em mordida)
    • Hemoglobinopatias (eletroforese)
    • Anemia megaloblástica (VCM ↑, reticulócitos baixos)
    • Doença da aglutinina a frio (crioaglutininas)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A pesquisa de anticorpos IgM e crioaglutininas é o exame indicado na doença da aglutinina a frio, que se manifesta com hemólise crônica, acrocianose e agravamento no frio. No caso, o quadro é agudo, com hemólise intravascular e extravascular, e a paciente não apresenta sintomas compatíveis com aglutininas a frio. Além disso, a presença de esquizócitos e a ausência de aglutinação a 4 °C no enunciado não sustentam essa hipótese. O exame correto para a suspeita de AHAI por anticorpos quentes é o TAD, não a pesquisa de crioaglutininas.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O teste da antiglobulina direta (TAD) com reagentes para IgG e C3d é o exame que confirma a etiologia imunológica da hemólise. Na AHAI por anticorpos quentes, o TAD é positivo para IgG isolada ou IgG + C3d, e a análise do esfregaço periférico mostra esferócitos, que são característicos dessa condição. A paciente tem artrite reumatoide, uma doença autoimune que pode cursar com AHAI secundária, e o quadro clínico-laboratorial é compatível. O TAD é o padrão-ouro para o diagnóstico de AHAI, e a associação com o esfregaço confirma a etiologia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A dosagem de G6PD, eletroforese de hemoglobina e teste de solubilidade investigam hemólise hereditária, como deficiência de G6PD, talassemias e anemia falciforme. Essas condições são geralmente crônicas, com história familiar e início na infância ou adolescência. No caso, a paciente tem 61 anos, início abrupto e contexto autoimune (AR soropositiva), o que torna improvável uma causa hereditária. Além disso, o esfregaço mostra esquizócitos, não as alterações típicas dessas doenças (ex.: drepanócitos na falciforme, hemácias em alvo na talassemia). O exame correto é o TAD.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A investigação de autoanticorpos como FAN e anti-DNA é útil no diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico (LES), que pode cursar com anemia hemolítica autoimune. No entanto, a paciente tem artrite reumatoide, não LES, e o FAN/anti-DNA não são específicos para a hemólise. O exame que confirma a etiologia da hemólise é o TAD, que detecta diretamente os anticorpos aderidos às hemácias. A prova cruzada sanguínea é relevante para transfusão, não para o diagnóstico etiológico da hemólise.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A dosagem sérica de ácido metilmalônico e homocisteína é utilizada na investigação de anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12 ou folato. Nessa condição, o VCM é elevado (macrocitose), há hipersegmentação de neutrófilos e a reticulocitose é baixa ou inadequada. No caso, o VCM é normal (94 fL), a reticulocitose é alta (6%) e há sinais claros de hemólise (LDH elevado, haptoglobina indetectável, bilirrubina indireta predominante). Portanto, a anemia megaloblástica não se encaixa no quadro, e o exame correto é o TAD.

Gabarito: letra B — o teste da antiglobulina direta com IgG e C3d, associado à análise do esfregaço, confirma a etiologia autoimune da hemólise.

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