Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — FGV 2026
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
fg133519
Banca
FGV
Órgão
TJ-RJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Assistencial - Médico
Paciente feminina, 45 anos, relata que, cinco anos antes, realizou procedimento estético no glúteo com substância oleosa de origem desconhecida. Desde então, apresenta episódios recorrentes de mialgias, artralgias em mãos, joelhos e ombros, fadiga prolongada e febre baixa, com exacerbações intermitentes ao longo dos anos. Refere que já utilizou cursos de antibiótico e corticoide sistêmico, com melhora parcial dos sintomas.Há duas semanas, após infecção viral do trato respiratório superior, evoluiu com piora importante do quadro, incluindo limitação funcional, maior fadiga e dor difusa.Exames revelam:• proteína C reativa de 18 mg/L (VR: <5 mg/L),• velocidade de hemossedimentação de 52 mm/h (VR: <20 mm/h),• FAN pontilhado fino em título 1/320,• fator reumatoide de 45 UI/mL (VR: <20 UI/mL), porém sem erosões ósseas, sinovite à ultrassonografia ou rigidez matinal prolongada que sugiram artrite reumatoide.A biópsia da região glútea evidenciou granulomas crônicos com histiócitos espumosos e vacúolos compatíveis com presença de material oleoso.Diante desse conjunto de achados, a conduta adequada consiste em:
Aconsiderar doença reumática indiferenciada, priorizando observação clínica e introdução de hidroxicloroquina se houver evolução para doença autoimune definida;
Binterpretar o quadro como fibromialgia, manejando com moduladores de dor central como duloxetina ou pregabalina;
Cconsiderar síndrome autoinflamatória por adjuvante, iniciando terapia imunossupressora e realizando a retirada da substância oleosa, quando viável;
Ddiagnosticar reação inflamatória local a corpo estranho, indicando excisão cirúrgica glútea e infiltração de corticoide no local;
Econsiderar síndrome de fadiga pós-viral, instituindo abordagem baseada em exercícios graduais e terapia cognitivo-comportamental.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — considerar síndrome autoinflamatória por adjuvante, iniciando terapia imunossupressora e realizando a retirada da substância oleosa, quando viável;
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome autoinflamatória por adjuvante (ASIA) e reação a corpo estranho
Gabarito: letra C. O quadro — sintomas sistêmicos recorrentes (mialgias, artralgias, fadiga, febre baixa) iniciados após procedimento estético com substância oleosa de origem desconhecida, com biópsia mostrando granulomas com histiócitos espumosos e vacúolos de material oleoso — é a apresentação clássica da síndrome autoinflamatória por adjuvante (ASIA), também chamada de síndrome de Shoenfeld. A conduta adequada é iniciar terapia imunossupressora e realizar a retirada da substância oleosa, quando viável.
A ASIA é uma síndrome que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos após exposição a adjuvantes — substâncias que potencializam a resposta imune, como óleos minerais, silicone, alumínio e outros materiais usados em procedimentos estéticos. O adjuvante desencadeia uma ativação imune crônica e desregulada, levando a manifestações sistêmicas que mimetizam doenças autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide e esclerodermia. Os critérios diagnósticos incluem exposição prévia a adjuvante, manifestações clínicas (mialgias, artralgias, fadiga crônica, febre, sintomas neurológicos, manifestações cutâneas), melhora com a remoção do agente e biópsia compatível com inflamação crônica e granulomas.
O diagnóstico diferencial é amplo e inclui doenças autoimunes definidas (lúpus, artrite reumatoide), fibromialgia, síndrome de fadiga crônica e reação local a corpo estranho. No caso, a ausência de critérios para doença autoimune definida (FAN positivo em título baixo, FR positivo sem sinovite ou erosões), a presença de sintomas sistêmicos recorrentes e a biópsia com granulomas e histiócitos espumosos apontam fortemente para ASIA. A reação local a corpo estranho, por sua vez, seria uma resposta inflamatória restrita ao local da injeção, sem os sintomas sistêmicos descritos.
A conduta na ASIA envolve, primeiramente, a remoção do adjuvante quando possível (excisão cirúrgica do material oleoso), associada a terapia imunossupressora para controlar a resposta inflamatória sistêmica. Corticosteroides são frequentemente usados, mas a imunossupressão de longo prazo pode ser necessária em casos refratários. A alternativa C captura exatamente essa abordagem.
A pegadinha da questão está em confundir ASIA com outras condições: a fibromialgia (alternativa B) não explica os achados inflamatórios e a biópsia; a reação local a corpo estranho (alternativa D) ignora os sintomas sistêmicos; a doença reumática indiferenciada (alternativa A) não considera a causa adjuvante; e a síndrome de fadiga pós-viral (alternativa E) não se sustenta diante da biópsia e dos marcadores inflamatórios. O reconhecimento da ASIA é crucial, pois o tratamento difere substancialmente.
Síndrome autoinflamatória por adjuvante (ASIA): Causa (Exposição a adjuvante (óleo, silicone), Predisposição genética); Manifestações (Mialgias, artralgias, Fadiga crônica, febre, Marcadores inflamatórios elevados); Diagnóstico (Exposição prévia + sintomas, Biópsia: granulomas, histiócitos espumosos); Conduta (Remoção do adjuvante (quando viável), Imunossupressão)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Considerar doença reumática indiferenciada e priorizar observação clínica com hidroxicloroquina se houver evolução para doença autoimune definida. O erro está em não reconhecer a causa adjuvante como o gatilho do quadro. A paciente tem uma exposição clara a substância oleosa e biópsia compatível com ASIA; a conduta não deve ser apenas observacional, mas sim ativa, com remoção do adjuvante e imunossupressão. A hidroxicloroquina pode ser usada em doenças autoimunes definidas, mas não é o tratamento de primeira linha para ASIA.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Interpretar o quadro como fibromialgia e manejar com moduladores de dor central (duloxetina, pregabalina). A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada sem inflamação sistêmica evidente, e não explica os marcadores inflamatórios elevados (PCR, VHS), o FAN positivo e a biópsia com granulomas. A presença de febre, artralgias inflamatórias e achados histológicos aponta para uma condição inflamatória sistêmica, não para uma síndrome de dor central.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Considerar síndrome autoinflamatória por adjuvante, iniciando terapia imunossupressora e realizando a retirada da substância oleosa, quando viável. Esta é a conduta correta. A paciente tem história de procedimento estético com substância oleosa, sintomas sistêmicos recorrentes, marcadores inflamatórios elevados e biópsia com granulomas e histiócitos espumosos — todos compatíveis com ASIA. O tratamento envolve remoção do adjuvante e imunossupressão para controlar a resposta imune.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diagnosticar reação inflamatória local a corpo estranho, indicando excisão cirúrgica glútea e infiltração de corticoide no local. A reação local a corpo estranho é uma resposta inflamatória restrita ao local da injeção, sem sintomas sistêmicos. A paciente apresenta manifestações sistêmicas (febre, mialgias, artralgias, fadiga) e marcadores inflamatórios elevados, o que indica uma resposta imune sistêmica, não apenas local. A excisão cirúrgica pode ser parte do tratamento, mas a infiltração local de corticoide não trata a síndrome sistêmica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Considerar síndrome de fadiga pós-viral, instituindo abordagem baseada em exercícios graduais e terapia cognitivo-comportamental. A síndrome de fadiga pós-viral é uma condição que ocorre após infecção viral, mas não explica os achados inflamatórios, o FAN positivo e a biópsia com granulomas. A paciente teve uma infecção viral recente que piorou o quadro, mas a causa de base é a exposição ao adjuvante. A abordagem com exercícios e terapia cognitivo-comportamental é indicada para síndrome de fadiga crônica, não para ASIA.